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Sexta-feira - 21 de Julho, 2017
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O olhar fotográfico de Gilberto Prioste

amar5_gilbertoChegou com a família a Toronto em 1964, a qual vinha à procura de mais oportunidades e de uma vida melhor. Nessa altura, Gilberto Prioste tinha sete anos de idade. Para trás, ficava um Portugal que estava debaixo do regime Salazarista (Estado Novo). Sem tristezas, sem mágoas. Mas antes com um olhar positivo e cheio de esperança no futuro.
A adaptação a uma nova cidade e cultura foi facilitada com a ida para a escola. Ainda assim, conta que teve de repetir o primeiro grau que completara em Portugal, por ser muito novo. Contudo, não se lembra de ter tido dificuldades no ensino do inglês.
No grau 7, começou a perceber que gostava de fotografia, muito por culpa da aula de fotografia com um professor. “Eu já tinha tirado fotografias na escola e gostava de brincar com as máquinas, mas quando o professor nos levou para o quarto escuro onde se revelavam as fotos e acompanhar todo o processo até a fotografia passar para o papel … fiquei fascinado.”
Na escola secundária, fazia muitas fotografias, mas aproveitava para desenvolver também o seu gosto pessoal pelo desenho e pintura. Mais tarde, acabaria por tirar um curso em fotografia, procurando explorar as várias técnicas, tanto ao nível da fotografia a preto e branco, como na fotografia a cores.
Gilberto estudou no Ontario College of Art, Maisonneuve College, em Montréal, George Brown College, em Toronto, e é um licenciado da Universidade Politécnica Ryerson. Ele trabalhou na Universidade de Toronto entre 1981-1988 na Escola de Arquitetura, bem como na Faculdade de Ciências da Informação e Bibilioteca, disponibilizando serviços de artes gráficas audiovisuais e fotográficos. Mas sempre sem pôr de lado a fotografia.
Gilberto Prioste tem vindo a trabalhar como um fotógrafo freelance e artista multimédia/fornecedor de serviços desde 1989. O seu trabalho pessoal auto-orientado varia desde a fotografia de rua informal, a imagens/paisagens de natureza, bem como estudos da figura humana, em estúdio ou ao ar livre. Em verdade, a obra de Gilberto reflete as suas viagens dentro do Canadá, EUA, França, Caribe e o seu Portugal natal, mostrando toda a liberdade criativa e o olhar fotográfico de quem sente e vive a paixão pela fotografia.
A primeira máquina que teve foi uma pequena Pentax Spotmatic (que ainda guarda consigo), da família de câmaras fotográficas de 35mm single-lens reflex, fabricadas pela Asahi Optical Co. Ltd., mais tarde conhecida como Pentax Corporation, entre 1964 e 1976.
Durante algum tempo, foi acompanhando (e fotografando) a evolução da comunidade portuguesa, principalmente quando ia a clubes e associações portuguesas, numa fase em que alimentava a ideia de ser um fotojornalista e procurava estar envolvido com os meios de comunicação social portugueses da época.
Curiosamente, algumas das fotografias de Gilberto Prioste fazem parte do Projeto de História Luso-Canadiana que explora a experiência portuguesa em terras do Canadá, em particular na cidade de Toronto.

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Os desafios da era digital
Mais recentemente, Gilberto Prioste abraçou a fotografia digital e publicação eletrónica, provando a si mesmo que conseguia adaptar-se aos novos tempos. “As coisas têm mudado … mas hoje o desafio é diferente”, confessa. “Hoje com o digital é mais fácil. Antigamente, com o filme (fotográfico) não se sabia o que iria sair. O instinto e a experiência é que davam a qualidade à fotografia final.”
O que não muda, acrescenta Prioste, é a técnica em si e a visão do fotógrafo que consegue perceber que está a transmitir uma mensagem e a provocar reações interpretativas no Outro, quando está a tirar uma fotografia para captar um determinado momento.
Em 2011, o Consulado Português em Toronto recebeu uma exposição fotográfica de Gilberto Prioste, intitulada “Singular”, composta por fotografias a preto e branco subordinadas a vários temas, a qual recebeu bons comentários da comunidade portuguesa. “Escolhi o nome, porque era uma coisa que se podia ler tanto em inglês como em português”, explica o autor.
Apesar de ter ganho um 2º prémio com um retrato, num concurso realizado há uns anos, e por influência de um amigo, Prioste diz que nunca foi muito de participar em concursos.
Embora hoje a fotografia não seja a sua atividade principal – trabalha a tempo inteiro no departamento de Tecnologias de Informação de uma faculdade de Toronto – Gilberto Prioste continua a fazer fotografia em part-time.
Sentindo-se em boa forma, ele que anda muito a pé e de bicicleta para manter um estilo de vida ativo e saudável, Prioste não teme o avançar da idade. Na sua mente, a preocupação de quem sente que os pais (nos seus 80s) precisam dele mais do que nunca.
Para o futuro próximo, que pode até passar por viver algum tempo em Portugal, Gilberto Prioste acalenta o desejo de voltar a cem por cento à fotografia e às artes plásticas.

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