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Chamo-me Amanda e tenho cancro!

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Obrigado After Breast Cancer por ajudar a fazer a diferença na minha vida …

Aqui fica a minha história.

Eu tinha 24 anos, quando ouvi pela primeira vez as palavras “você tem cancro”. É suposto ser o começo do resto da sua vida. Algumas pessoas simplesmente terminam o ensino pós-secundário, algumas casam, iniciam as suas próprias famílias, a maioria entra no mercado de trabalho, e a vida começa a ir no sentido certo. Aos 24 anos, realmente você está apenas a sair da sua adolescência, que são alguns dos anos mais difíceis de passar por causa das alterações no seu corpo. Você começa a sentir-se confortável com o seu corpo, mais confiante em quem você é, e na sua aparência.

Eu tive 3 cirurgias antes deles finalmente dizerem que eu precisava de fazer uma mastectomia radical. Saber que todo o meu peito tinha de ser removido, numa altura em que começava a sentir-me confortável comigo mesma, fez-me perceber que não voltaria a sentir-me completa novamente. A reconstrução não era uma opção para mim, era mortificante, no mínimo. Naquele momento, o sentimento de “não me sentir completa novamente” foi bastante esmagador.

As pessoas dizem que um mal nunca vem só. Para mim, esta afirmação é verdadeira. A primeira vez que fui diagnosticada foi no Natal de 2005. Depois de quatro cirurgias, quimioterapia, radioterapia e terapia hormonal eu pude viver uma vida livre do cancro por um par de anos antes de nova recaída, no Natal de 2008. Mais radioterapia e uma mudança nas minhas hormonas foi a receita do dia. No Natal de 2010, o então cancro da mama (estágio 3) passou para o estágio 4, e desde então formou metástase, o que significa espalhar-se, ao cancro em quase todos os ossos, órgãos femininos, fígado, pulmões, rim direito, basicamente quase todos os órgãos do meu corpo, incluindo o meu cérebro e até mesmo os meus olhos. No início de 2011, foi-me dito que eu tinha 6 meses de vida. Em Janeiro deste ano, passaram 10 anos desde que eu tive a minha mastectomia e este Natal será o 11º aniversário da minha primeira experiência com o cancro.

Quem já teve cancro sente como que uma almofada de alfinetes, com todas as cirurgias, exames de sangue, radioterapia e tratamento. É uma experiência que altera a mente, quando feita uma vez, quanto mais três vezes. A percepção de si mesma muda bastante. Os sentimentos de vazio e inadequação são profundos. Como se já não fosse suficiente passar por um tratamento que invade a privacidade, estar careca tantas vezes, usando perucas, isso simplesmente não parece certo. As pessoas recorrem a meias de enchimento no sutiã ou à velha costura de uma bolsa que pode preencher e remover bolas de algodão por causa da flutuação do seu peso. A menor das suas preocupações deve ser como se sentir completa novamente e parecer uma mulher “normal”.

As pessoas perguntam-me constantemente: “Como é que consegues? Não apenas a nível físico, mas como consegues mentalmente viver cada dia feliz, especialmente sabendo que poderás acabar por morrer desta doença terrível?

Bem, eu costumo dizer-lhes o seguinte: Eu gostaria de viver num estado saudável de negação. Eu tenho a certeza que sei o que me vai matar, mas eu não estou morta hoje. Eu sei a gravidade da minha situação, mas não permito que esta me defina. É um bom ato de equilíbrio …. eu faço uma tomografia de cada vez, por conseguinte, experimento incrementos de três meses … quando isso é demais, eu levo as coisas, uma semana de cada vez. Isso é demais? Um dia de cada vez. Ainda muito? Levo uma hora de cada vez.

Em 2011, quando eu estava tão doente que não tinha forças para andar, estava presa a uma cama e cadeira de rodas, eu chorava constantemente porque a minha dor não estava sob controle. Eu mal conseguia sentar sem vomitar. Eu estava tão doente que os médicos e enfermeiros repetidamente me pediam para dar entrada num hospício. Eu nunca o fiz. Eu tinha apenas um par de opções de tratamento. Mas eu não desisti. Eu decidi naquele momento que iria permitir-me a esse pouco de negação e me convencer de que tudo ficaria bem, que eu estava bem.

Disse a mim mesma que iria viver cada dia e ser feliz, mesmo que eu passasse a maior parte dele na casa de banho. As coisas começaram a mudar para mim. Quanto mais eu dizia a mim mesma: “Está tudo bem, as coisas estão boas, passou a ser assim. Para um ponto onde me podem ver hoje. Eu ultrapassei esta etapa, ultrapassei!

Não me interpretem mal, eu ainda tenho lutas diárias, ainda com uma quantidade louca de medicamentos, e ainda estou em tratamento bi-semanal ativo. MAS por cada dia em que eu posso respirar, eu ESCOLHO ser grata, eu continuo a ser feliz apenas por estar viva. Sinto-me grata pelas pequenas coisas.

Eu acredito que muita gente dá dinheiro para o cancro e instituições de cancro, porque isso as faz sentir bem. Eu não acho que elas tenham uma ideia para onde (o dinheiro) está a ir e quem está a afetar. Isto, creio eu, é porque elas não vêem os resultados. Eu estou aqui para que saibam que a ABC After Breast Cancer está a fazer a diferença. Por causa da After Breast Cancer, eu tenho a honra de colocar diariamente uma prótese de mama e um sutiã de ajuste apropriado. E tornar esse estado de negação e felicidade um pouco mais brilhante. A minha auto-confiança e sensação de plenitude, voltam de novo.

Eu esqueço por breves momentos que eu não tenho cancro. Que a minha luta diária e constante dor desaparecem. Eu sei, esta não é a vida que eu tinha planeado para mim ou para a minha família, mas esta foi a vida que me foi dada. Então eu vou vivê-la. Posso estar a morrer, mas ainda me sinto viva!

Obrigado After Breast Cancer por ser uma parte do processo de prolongar a minha vida. Olhem para mim, pareço-vos doente? Podem dizer qual o peito que é, não! Por isso, eu quero dizer Obrigado por apoiarem a After Breast Cancer (ABC).

Todos os dias, eu sinto-me inspirada e cheia de esperança, por causa do apoio de pessoas como vocês, e inúmeras outras. Para vocês, isso pode ser uma coisa pequena, pode ser apenas algo que podem reivindicar nas vossas declarações de rendimentos, mas isso faz toda a diferença para alguém como eu.

Vocês mudaram
esta rapariga!

Obrigado!

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