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À conversa com Jack Oliveira

 

Filho de um operário, Jack Oliveira é membro da LiUNA Local 183 há mais de 30 anos e, além desta conquista, ele carrega consigo mais de 30 anos de experiência na indústria da construção, compreendendo melhor do que ninguém o que significa arregaçar as mangas e fazer o trabalho bem feito.
Debaixo da forte liderança de Jack Oliveira, na posição de Business Manager desde 2011, o sindicato Local 183 registou o maior crescimento, no menor período de tempo, juntamente com melhorias sólidas que beneficiam os membros ativos e os aposentados da LiUNA Local 183.
Jack Oliveira sempre teve a reputação de nunca recuar de uma luta quando se tratava de representar os direitos e a segurança dos membros. Fiel a essa premissa, ele continua a trabalhar diariamente com os membros, abordando as suas preocupações e procurando saber quais as suas necessidades e principais ideias.
O conhecimento diverso que possui da indústria é inigualável. Por isso, não surpreende que uma grande maioria veja em Jack Oliveira um líder experiente e dinâmico, preparado para mostrar aos membros uma forma única e moderna de liderança sindical e proporcionar o melhor tipo de adesão possível para todos os membros da Local 183, o maior sindicato da União Internacional dos Trabalhadores da América do Norte (LiUNA).
Homem de família, um líder sindical e um verdadeiro construtor de comunidades, Jack Oliveira é a personalidade em destaque na edição deste mês da Revista Amar.
Acompanhe-nos nesta viagem no tempo para conhecer um pouco da história de vida do homem que a reputada organização Community Living Mississauga decidiu homenagear no jantar que vai promover a 30 de março, 2017, no Centro de Convenções de Mississauga.

 

O começo de uma vida no Canadá

Jack Oliveira nasceu no dia 3 de julho de 1960, na vila de Pardelhas, concelho de Murtosa, distrito de Aveiro, Portugal.
Veio para o Canadá a 3 de dezembro de 1972. Uma aventura que fez sozinho, para se juntar ao pai, que emigrara para cá em 1968, e à sua mãe e irmão, que vieram para este lado do Atlântico em 1969. Na altura, o pai dele tinha uma casa na Davenport e Bathurst.
Com 12 anos de idade, o jovem Jack entra para uma escola pública, frequentando mais tarde o ensino secundário. Para sua tristeza, os estudos ficam por ali, não que não quisesse continuar a estudar. – “Mas naquela altura, a mentalidade dos nossos pais era arranjar dinheiro para fazer uma casa em Portugal, para ter uma vida melhor (…) e, portanto, nessa altura, eu não tive muito apoio”, lamenta.
Dentro de si, transportava o sonho de ser um piloto de aviões de guerra. – “Mas o meu pai disse-me que não me trouxe para aqui para ir para a guerra (risos). Trouxe-me de Portugal para não ir à tropa, pelo que aqui nunca me apoiaram nessas coisas.”
Com 17 anos, Jack começa a trabalhar numa fábrica de ferro (…). Aos 21 anos, abre uma empresa de transportes por sua conta. Depois, aos 24 anos, dá início a uma carreira na construção, vendo aí uma oportunidade de vida para quem já tinha as responsabilidades de um homem casado.
Foi registado como membro do sindicato LiUNA Local 183, em setembro de 1984.
Jack Oliveira começou de forma humilde, trabalhando como um trabalhador para a Armbro Construction. Trabalhou no terreno por mais de uma década, tornando-se um contramestre e desenvolvendo as suas naturais competências de liderança.
Em fevereiro de 1998, foi contratado como Organizador da Local 183 e, em setembro do mesmo ano, foi designado Representante de Negócios para o Setor de Construção Pesada.
Através de muito trabalho duro e dedicação, em 2005, Jack foi designado como Coordenador do Setor para as áreas de construção civil, túneis, hydro e oleodutos.
Em setembro de 2007, Jack Oliveira é eleito Membro do Executivo da Local 183, onde mantém essa posição até junho de 2011, altura em que vence a eleição de 2011, tornando-se o novo Business Manager da LiUNA Local 183.

 

Curiosamente, ele admite que nunca teve ideias de concorrer ao lugar de Business Manager. Foi devido à situação que se vivia na LiUNA Local 183 na altura e por sentir o apoio dos sócios que decidiu avançar com uma lista que acabaria por sair vencedora do ato eleitoral.

 

 

O trabalho fala por si

Longe de procurar vangloriar-se, Jack Oliveira prefere antes deixar o trabalho falar por si. Para mais, é uma daquelas pessoas que acredita veemente que quando todos trabalham de forma unida, todos ficam a ganhar, incluindo a organização, os membros e os seus familiares.
No primeiro mandato, estabeleceu um conjunto de objetivos a
concretizar no mais curto espaço de tempo. Em primeiro lugar, era preciso ouvir os sócios – na altura, o sindicato tinha pouco mais de 27 mil membros. Depois, ao nível da segurança, era preciso defender os direitos dos trabalhadores e reforçar os respetivos contratos de trabalho. Passando ainda por conseguir melhores benefícios para os sócios e pensionistas.
“Tudo aquilo que a gente prometeu, creio que em menos de dois anos, a gente retribuiu tudo aos sócios”, diz convictamente.
Jack Oliveira não esconde o seu profundo carinho e respeito pelos reformados, autênticos engenheiros na construção e solidificação dos alicerces do sindicato, observando que “às vezes, é importante revisitar o passado e compreender os tempos difíceis e conturbados que os nossos aposentados viveram para segurar este sindicato”.
Além disso, sente que é possível ir mais longe e reforçar, ano após ano, os benefícios destes trabalhadores que se aposentaram da vida ativa, mas que continuam a ser um elemento omnipresente da família LiUNA e, particularmente, da história do sindicato Local 183, fundado em 1952. Aliás, Jack Oliveira aproveita para deixar o convite para que muitos dos sócios tirem cinco minutos para entender como é que o sindicato chegou ao patamar em que se encontra.
Um patamar engrandecido quando o executivo anunciou, em dezembro de 2016, que a Local 183 tinha ultrapassado a marca de 50 mil membros, quase duplicando o seu tamanho nos últimos cinco anos.
Um marco histórico para o sindicato, contrariando as vozes negativas e a visão pessimista de quem dizia que era algo impossível de alcançar. Não para Jack Oliveira, que afirma de modo perentório: “Fui sempre uma pessoa que gosta de atacar o que é impossível”.
Uma meta só possível de atingir com o trabalho conjunto dos sócios, dos representantes, do executivo e de todo o pessoal que trabalha no sindicato. Sem esquecer o papel da Internacional e do OPDC. – “Acho que todos unidos fizemos isto acontecer”, salienta Jack Oliveira.
A fasquia está agora mais elevada, com o executivo liderado por Jack Oliveira confiante que o sindicato tem potencial para continuar a crescer e chegar aos 55 mil sócios até 2020.

 

 

Uma visão de futuro

Em abril de 2015, o executivo de Jack Oliveira via confirmado um segundo mandato à frente dos destinos da Local 183 com uma aclamação histórica. Um momento único que Jack Oliveira não esquece e que segundo ele significou que “os sócios veem que a gente está a liderá-los de uma maneira positiva”.
Alguns meses depois, Jack Oliveira era eleito Business Manager do LiUNA Ontario Provincial District Council (OPDC), agarrando com todo o profissionalismo esta responsabilidade dentro da organização sindical que, nos últimos anos, mudou a sua imagem de marca, reforçou a sua visibilidade e aproximou-se mais das diferentes comunidades.
Multiplicam-se as iniciativas de solidariedade e surge a aposta nas novas tecnologias e recurso às redes sociais, com a mensagem a passar a estar à distância de um click. Naturalmente, em setembro de 2016, é lançado o novo website, com uma imagem mais apelativa e facilidade de navegação online e o novo vídeo de divulgação anual. Trata-se de uma parceria entre os centros de formação das Locais 183 e 506, para seduzir a geração milénio e mostrar as potencialidades da indústria de construção, enquanto uma carreira de futuro.
Neste contexto, Jack Oliveira não tem dúvidas. – “Temos que ter uma visão para o futuro. Porque quanto mais o tempo passa, mais teremos de usar os meios de comunicação para chegar lá fora. Isso é normal, temos que acompanhar.”

Um lançamento importante, durante mais um Industry Awareness Event no Centro de Formação da Local 183, no Vaughan Campus, uma iniciativa que, como acontece, por extensão, com “A day in the trades”, passou a ser explorada de um modo mais eficiente e começou a atrair mais atenção da parte dos membros, sindicatos locais afiliados à LiUNA e parceiros da indústria.
O próprio centro de formação da Local 183 ganhou outra dinâmica, com Jack Oliveira a elogiar o papel das pessoas encarregadas de visitar as escolas e tentar explicar o que é a escola de formação e mostrar – a quem opte por não prosseguir os estudos académicos – que esta indústria é uma boa alternativa de carreira profissional. Mas também destacar o aumento do número de formandos que ultrapassa, hoje, os 36 mil por ano.
E se o centro de formação está a cumprir com o objetivo principal de formar os seus trabalhadores na parte da segurança e saúde no local de trabalho, existe a plena consciência que há um grande trabalho pela frente.
“Neste momento, estamos a ter algum sucesso a formar malta nova, mas também temos tido muitos trabalhadores nossos a entrar na reforma”, explica Oliveira. Uma situação que tem tanto de delicado quanto de desafiador para uma pessoa que não desiste de procurar as melhores soluções para os mais variados problemas.
Mas a visão de futuro não pára por aqui. Jack Oliveira e o seu executivo continuam a trabalhar afincadamente no projeto da nova sede da Local 183, que deverá ter o dobro do tamanho da atual sede da Local 183, em Toronto.
“Se nos permitirem, estamos a pensar fazer lá um edifício com perto de 300 mil pés quadrados. Com parque de estacionamento para mil carros, no mínimo”, revela Oliveira.
Estão também previstas para o local certas valências que não existem no atual edifício, com Jack Oliveira a confessar que gostava de ver lá, um dia, um centro médico para os pensionistas do sindicato, com laboratórios e um conjunto de médicos e terapeutas.
“Este ano, vamos começar a trabalhar na parte dos arruamentos. E depois, quando (o projeto) estiver aprovado, vamos começar o edifício”, diz Oliveira, esperançado que possa ver o edifício construído ainda durante a sua liderança.

 

A relação com Joseph Mancinelli

No puzzle da organização, Joseph Mancinelli, o Vice-Presidente Internacional e Gerente Regional para o Centro e Leste do Canadá da LiUNA, é indiscutivelmente um dos principais rostos da LiUNA. Um líder, um amigo e uma pessoa com quem Jack Oliveira sempre teve uma boa relação.
“Acho que ele é uma pessoa fantástica, uma pessoa com muita experiência”, enaltece. “Quando eu preciso de alguma ajuda, ele está sempre disposto a ajudar-me. Temos sorte de ter um líder como ele. Ao nível profissional, é um homem que tem muitos talentos. E acho que um dos talentos maiores que ele tem é que é uma pessoa que se dá com toda a gente.”

 

Conciliar a vida profissional com a responsabilidade familiar

É como aquele velho ditado: “Por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher”. Uma verdade que ganha especial relevância na vida agitada de Jack Oliveira, que habilmente procura gerir uma agenda profissional cheia de compromissos e enormes responsabilidades, aproveitando o pouco tempo que lhe sobra para passar com a família.
O segredo para manter esta harmonia? – “É ter uma mulher compreensiva”, responde Jack Oliveira. “Isso é muito importante. Os filhos, graças a Deus, já estão todos a viver fora e acho que se não tivesse uma mulher compreensiva, isto não acontecia. Ela tem me acompanhado e ajudado sempre”.

 

Uma homenagem a Jack Oliveira é uma homenagem à Local 183

Em agosto de 2015, o então Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, procedia à cerimónia de imposição das insígnias da Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas a Jack Oliveira. Na mesma cerimónia, era atribuída a Placa de Honra da Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas à Local 183, apontada como uma organização de referência na comunidade.
Na altura, Jack Oliveira agradeceu o gesto do governo português, mas reconheceu que nada disso seria possível sem a coragem dos membros que escolheram o seu executivo para os liderar. – “Isso não foi uma etapa em que eu cheguei lá sozinho. Temos que dar o crédito aos sócios da Local 183, à organização, ao meu executivo, aos representantes.”

Outros reconhecimentos, independentemente da dimensão e importância, sucedem-se com o passar do tempo. Mas Jack Oliveira faz sempre questão de ressalvar que uma homenagem à sua pessoa é, por acréscimo, uma homenagem à própria Local 183 e a todos os seus membros.
Esse sentimento mantém-se firme, ele que foi agora escolhido para nova homenagem, no próximo dia 30 de março, pela mão da Community Living Mississauga, uma organização de solidariedade social sem fins lucrativos, fundada em 1955, que apoia mais de 2300 pessoas com deficiência intelectual e as suas famílias.
A Comissão Organizadora do Jantar de Homenagem de 2017 destaca a liderança, a determinação e a visão de Jack Oliveira, sem dúvida atributos de um homem respeitado dentro da comunidade e em toda a província do Ontário.
Agora na sua 33ª edição, este evento serve para angariar fundos que vão permitir a participação de crianças com deficiência intelectual em Campos de Férias no verão.

 

 

Um legado que fica 

Jack Oliveira sente que o seu trabalho ainda está a meio e há muito a fazer dentro da organização sindical. No entanto, ele acredita que quando sair da Local 183 irá ficar um legado. – “Sim, acho que sim. Creio que a ideia de qualquer líder, um dia quando for embora, é deixar aquilo em boas mãos, para que o sucesso possa continuar.”
E depois, o que se segue? – “O que eu gostaria de fazer era passar um pouco mais de tempo com a minha família”, admite. Mas Oliveira tem a certeza que um dia, isso vai chegar, só esperando ter saúde para desfrutar do momento. – “Fora disso, acho que os meus sonhos estão realizados. O sonho maior da minha vida foi realizado, que era ver os meus filhos formados na universidade. Casei com uma boa esposa. Sou uma pessoa alegre.”
Jack Oliveira termina, deixando uma mensagem para a comunidade:

“Acho que a nossa comunidade tem um potencial fora do normal e se todos continuarem a trabalhar para a mesma causa poderemos continuar a andar para a frente.”

Fotografia: Eduardo Cardoso

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