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Maratona Solidária de Schwinn Cycling

 

 

A Revista Amar teve o prazer de estar à conversa com alguns do “intervenientes” na Maratona Solidária de Shwinn Cycling, um evento que decorre no próximo dia 11 de março no ginásio ForLife, localizado no Palácio do Gelo em Viseu, e que, além de divulgar o papel do desporto como forma de redução de risco do desenvolvimento de demência, pretende ajudar na angariação de fundos para o Centro de Apoio ao Alzheimer de Viseu.
A Dr.ª Ana Lenna Knorr – uma especialista em intervenção com pessoas com demência, do Grupo de Suporte de Stuttgart (Alemanha) e praticante de Schwinn Cycling e Carlos Figueiredo, emigrante português na Alemanha e instrutor de Schwinn Cycling, estiveram à conversa com João Soares, Master Instructor Schwinn Cycling, e um dos responsáveis por esta iniciativa.

 

Dr.ª Anna Lena Knorr – Como podem pessoas, que começam a ter problemas de demência, continuar a praticar desportos que fizeram durante a vida deles, (por exemplo, caminhadas, apesar da orientação diminuir)?
João SoaresUm dos aspetos que devem ser considerados na relação atividade física, doença e saúde em termos populacionais é a escolha do tipo de atividade física a ser prescrito. Recentemente têm surgido recomendações específicas de programas de atividade física para atender a populações com demência, tais como as normas propostas pela Organização Mundial da Saúde.
Entre os agentes relacionados com os processos mentais, tem sido evidenciada a prática de atividades físicas e mentais para reduzir o risco do desenvolvimento de demência, Outro benefício das atividades físicas na redução do risco de demência é o estímulo social durante sua prática. Além disso, o possível efeito benéfico da estimulação cognitiva supõe a existência de uma reserva cognitiva que pode ser potencialmente utilizada.
Neste caso, deve-se procurar um profissional de Educação Física para avaliar e prescrever o Exercicio Fisiso, tendo em conta a individualidade biológica de cada portador de demência.

Dr.ª Anna Lena Knorr – O que é que as associações desportivas podem fazer, para que as pessoas com demência possam continuar a participar?
João SoaresUm estilo de vida ativa está altamente associado com melhor saúde e uma maior esperança média de vida. Em consonância foram feitos alguns estudos em que a participação social está associada com a diminuição do risco da mortalidade e do risco de demência. Com base na literatura podemos constatar que os indivíduos que se envolvem em atividades sociais, ao longo de suas vidas, quando idosos, através dessas ocupações passam a desfrutar de mais tempo de lazer para essa ocupação, mantendo-se ativos, produtivos e socialmente ligados. Neste sentido, a participação social ao longo da vida é um aspeto importante da qualidade de vida e envelhecimento com êxito. Neste caso, as associações deportivas devem promover a inclusão do desporto “para todos”, através da criação e divulgação de programas de Exercicio Físico orientados para a Gerontomotricidade, em articulação com o poder autárquico local.

Carlos Figueiredo – Já teve alguma pessoa com demência a participar numa aula sua?
João SoaresSim, já tive. A senhora foi identificada e foram prescritos as opções para a prática de exercício físico em segurança, tendo em conta as características cognitivas e funcionais da atleta.

Carlos Figueiredo – Quais são as melhores recordações que guarda enquanto instrutor (treinador)?
João SoaresA organização da Primeira Maratona Ibérica, em janeiro de 2011, na discoteca “Day After” em Viseu. Foi decididamente um ponto de viragem na modalidade no nosso país. Estiveram cerca de 50 atletas espanhóis e 250 atletas portugueses, que se deslocaram a Viseu, de todos os pontos do país.

Carlos Figueiredo – De que modo é que o desporto poderá ajudar pessoas com demência?
João SoaresPara que a pessoa portadora de demência apresente resultados positivos com o exercício, é necessário que realize de 20 minutos a uma hora de atividade, três vezes por semana e de intensidade moderada e que incluam o treino de força, de forma que os profissionais possam controlar a intensidade e amplitudes dos movimentos realizados.
Além dos benefícios da atividade física para o aumento da qualidade de vida dos portadores do Alzheimer, a ciência tem comprovado que a prática regular de exercícios físicos monitorizados em pessoas saudáveis pode também prevenir a doença, pois estimula o hipocampo, estrutura cerebral responsável pela memória. Desta forma, exercícios físicos regulares podem prevenir a doença de Alzheimer mesmo naqueles cujos genes os colocam na zona de risco para a demência.

Carlos Figueiredo – Acredita que a prática desportiva, neste caso o Cycling pode ajudar os cuidadores, que têm diariamente o desafio de cuidar de pessoas com demência?
João SoaresFoi realizado um ensaio clínico que investigou os efeitos de um programa de 6 meses de exercício de indoor cycling sobre a cognição e o volume do hipocampo em adultos mais velhos com doença de Alzheimer. Os pesquisadores concluíram que o exercício físico pode retardar o declínio cognitivo.
A evidência a mais recente indica que os ciclistas que querem minimizar seu risco de desenvolver a demência devem continuar a pedalar, mesmo em idade avançada. Em particular, sugerimos que os ciclistas com mais de 60 anos de idade considerem: Ciclismo por 45-60 minutos entre 65-75 por cento da frequência cardíaca máxima.

 

 

 

O Dr. José Carreira, Presidente da Associação Alzheimer Portugal, teve ainda a oportunidade de conversar com a Dr.ª Teresa Oliveira, na qualidade de Diretora Técnica do Ginásio ForLife e impulsionadora deste evento.

Dr. José Carreira – Como teve a ideia de realizar, no Ginásio ForLife, a Maratona Solidária de Schwinn Cycling?
Dr.ª Teresa OliveiraA ideia de realizar esta Maratona solidária “Pedalarparalembrar”, surge no sentido de querermos dar continuidade ao trabalho solidário que o Forlife tem desenvolvido de algum tempo a esta parte, sendo que, já realizou duas maratonas com o lema “pedalar para ajudar”, uma para a Macwich e outra para o Atleta paralímpico Mário Trindade.

Dr. José Carreira – A ideia foi bem recebida pelos parceiros envolvidos na realização do evento?
Dr.ª Teresa Oliveira Sim, a ideia deste trabalho solidário foi muito bem recebido pela Administração da Empresa Grupo Visabeira, que abraça estas causas com entusiasmo, bem como por todos os elementos da equipa técnica e administrativa do Forlife.

Dr. José Carreira – Que importância tem o desporto na qualidade de vida das pessoas?
Dr.ª Teresa OliveiraNa minha vida de formadora ganhei gosto pela pesquisa e pela procura de lógica que me leva sempre a questionar tudo o que faço e se tem sentido. Esta paixão pela dúvida leva-me a ter o gosto para impulsionar o desporto como fator primordial e até essencial para a vida das pessoas. Colocando de lado o que tem a ver com a alta competição, o Desporto é cada vez mais um modo indispensável de o ser humano aperfeiçoar as suas qualidades perceptivas, motoras, de autodomínio e de raciocínio. Por tudo isso ele contribui para o aperfeiçoamento das caraterísticas biopsicossociais de todas as idades e de cada um dos sexos, sendo que, como factor de enriquecimento das estruturas sociais, proporciona ao homem momentos de cultura de desenvolvimento pessoal e integral, bem como sentido de liberdade, saúde e bem-estar.

Dr. José Carreira – Poderá a prática desportiva contribuir para a prevenção e redução do risco de a pessoa vir a desenvolver uma demência?
Dr.ª Teresa OliveiraNão sendo fácil abordar esta questão, porque a própria investigação sobre a mesma é escassa, o que podemos afirmar é que a atividade físico-desportiva tem um grande contributo, na «prevenção da saúde», na «medicina curativa» ou na «reabilitação». São muitos os estudos que nos revelam que as funções motora, circulatória, respiratória, nutritiva, nervosa e endócrina são beneficamente estimuladas pelo exercício e/ou atividade motora, o que proporciona o bem-estar e a vitalidade a qualquer ser humano, evitando uma precoce degeneração física e intelectual. Ora, sabendo-se que a Demência não acontece apenas em pessoas idosas, podendo começar a surgir em pessoas com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos, e tem a ver com um declínio progressivo no funcionamento global do indivíduo – perda de memória, capacidade intelectual, alterações das reações emocionais, etc. – parece nos fundamental que todo o ser humano, desde cedo, se habitue a ter ao longo da vida uma prática regular das atividades físico-desportivas. Não podemos esquecer que a mente o físico e o fisiológico comportam a totalidade do ser humano, pelo que a prática desportiva não só desenvolve a força, velocidade e resistência, como tem grande influência no desenvolvimento das faculdades sensoriais, analíticas e sintéticas do cérebro.

 

 

Participe na Maratona Solidária de Schwinn Cycling, no ginásio ForLife, em Viseu no próximo dia 11 de março.
Cuide de si e da sua saúde e apoie o Centro de Apoio ao Alzheimer de Viseu!

A Revista Amar agradece a contribuição do Dr. José Carreira, Presidente da Associação Alzheimer Portugal na elaboração do presente artigo e à Dr.ª Ana Lenna Knorr, Carlos Figueiredo, João Soares e à Dr.ª Teresa Oliveira por nos darem a conhecer um pouco mais sobre este evento.

 

 

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