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RESP por Alexandre Sousa

Após a publicação do artigo do mês passado em que dissertei sobre o enquadramento da atividade financeira, pareceu-me razoável dedicar o artigo desta semana a um produto financeiro, neste caso especifico o RESP – Registered Education Saving Plan, passando assim a uma abordagem mais especifica e detalhada, em vez de uma abordagem como a anterior que foi de caráter mais geral.
Este é um produto que se destina a fomentar a poupança das famílias, com vista a ser no futuro das mesmas um auxiliar financeiro de suporte a educação, geralmente dos descendentes de quem inicia o contrato.

As despesas em que as famílias incorrem quando da entrada de um membro familiar na universidade, é algo que na maior parte das vezes não esta devidamente interiorizado quando esse membro ainda é uma criança. Nessa altura os pais têm tendência para ignorar ou minimizar esse futuro encargo financeiro, precisamente porque este se lhes apresenta ainda como muito distante. Na verdade, o tempo irá passar muito rápido e quando derem conta têm uma despesa muito considerável a porta, para a qual não se preparam devidamente e que poderá afetar a estabilidade financeira da família.
Também por esta razão se torna relevante a abordagem a este produto financeiro. A característica principal deste produto e que naturalmente mais cativa os pais, tios, padrinhos e demais, tem a ver com a contribuição monetária do governo canadiano, efectivado na conta poupança (RESP) previamente constituída pelos chamados subscritores.

Esta contribuição, tal como seria de esperar, obedece a um conjunto determinado de regras. Basicamente podemos dizer que o governo irá contribuir com 20% do montante depositado pelos subscritores num determinado horizonte temporal, mas com limites anuais. Além destes, o governo impõe também um limite total à contribuição dos subscritores e outro limite à parte contribuída pelo próprio governo.

Assim, por exemplo, se for feita uma entrega na conta poupança no valor de $1000, o governo irá contribuir com $200, ou seja, 20% do valor da entrega. Esta é uma ajuda governamental que decerto o caro leitor concordará não ser de desprezar. Afinal de contas, em que situações durante a sua vida poderá contar com ajudas destas, não concorda?
Claro que por outro lado, poderá estar sujeito a algumas restrições e penalizações no caso de decidir resgatar este dinheiro para os fins que não estão previstos no contrato de abertura desta conta.
Não nos podemos esquecer que esta conta e constituída com o fim de auxiliar os estudos superiores do seu filho ou do agregado familiar, motivo pelo qual o governo lhe presta uma ajuda financeira, justificando-se assim, que no caso de o dinheiro ser resgatado para outro fim possam haver penalizações.
Apesar destes constrangimentos, eles não serão suficientes para o fazer desistir de iniciar a sua contribuição para um RESP, desde que este lhe seja devidamente explicado e consequentemente você perceba as várias componentes do produto. Penso até que poderei dizer que os constrangimentos serão mínimos. Alguns argumentos que tenho ouvido durante a minha vida profissional contra este produto, são facilmente rebatíveis quando nos damos ao trabalho de tentar perceber como funciona o mesmo.

Claro que a subscrição de um RESP não será, por si só, garantia de que terá a suficiente liquidez no futuro para garantir a tal educação superior, mas iniciar um plano destes é uma ajuda importante na realização do mesmo. Este serve de estímulo e de detonador de uma necessidade que terá na sua vida futura. Poder chegar a essa altura já com parte do “caminho financeiro” realizado, é sem dúvida uma vantagem face a quem não o fez.
Entender-se-á assim a razão pela qual o governo destina uma fatia do seu orçamento na ajuda financeira a este tipo de produto, conseguindo o duplo objetivo de fomentar a poupança particular e elevar o grau de formação da sua população.
Claro que neste artigo procuro apenas criar em si, caro leitor, a curiosidade em relação a algumas vantagens de um produto financeiro que lhe pode por algum motivo estar a passar um pouco despercebido. Como perceberá não abordei neste espaço de escrita mensal todas as componentes necessárias para uma eventual decisão da sua parte em subscrever ou não um RESP.

A total compreensão deste produto, passa na minha opinião, por marcar uma entrevista com o seu consultor financeiro que levará à exaustão a explicação do mesmo e que irá cruzar os dados com a situação específica do caro leitor. Este deve aliás, ser consultado nas diversas fases do produto, sejam elas a fase da decisão inicial, dos reforços ou do resgate.
Não adie por mais tempo a sua decisão. Olhe que quando der conta tem um jovem a sair de casa para estudar num qualquer ponto do país.

Como em tempos li em algum lado: “Não deixe de realizar um projeto apenas porque este é muito longo no tempo. É que o tempo passará na mesma e o projeto ficará por realizar”

 

 

 

 

 

 

 

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