Últimas

Eu escolho ser mulher e feliz!!!

Eu escolho ser mulher e feliz!!!
Era uma manhã de abril, quando me levanto da cama e olho para os meus pés e vejo-os completamente inchados, mais pareciam dois pés de elefante. Eu estava imensa, as 36 semanas de uma gestação até então algo tranquila. Sentia-me estranha, para além de super inchada, o ar faltava-me, sentia um desconforto atípico com algumas nuances desconhecidas para mim. Resolvo ligar à minha médica para questionar o que deveria fazer com todos aqueles sintomas estranhos para uma mãe de primeira viagem. Não tarda nada ela atende e logo me coloca sobressaltada, ao dizer que deveria medir minha tensão o mais breve possível e retornar a ligação informando-a sobre o resultado. Vejo que estava alteradíssima, de facto muito alta e ligo-lhe. O que ouvi foi o que mais temia, que deveria ir rapidamente para o hospital. Quando sou examinada e depois de algumas análises, outra notícia que me abala naquela altura da gravidez, estava eu com uma provável pré-eclampsia e deveria ter o bebé naquele momento, ou seria perigoso para ambas e no meu estado físico, eis que nasce a minha primeira filha! Aos 22 anos de idade me tornava uma mãe muito feliz e radiante, embora um pouco assutada depois de um parto difícil. De facto parecia estranho após tantas complicações, mas a sensação quando vi aquele ser tão frágil e pequenino nos braços é que como o resto das dores do mundo e temores se apagaram, perderam a importância. Nascia juntamente com a criança um amor tão grande e deslumbrante, que será o único que se pode descrever assim como incondicional, que não pedirá nada em troca, a este afeto, chamamos de amor de mãe… Mas será sempre assim, comum a todas?!
Partindo desse prefácio que fiz ao lembrar o meu primeiro parto (e agora já são 3!), falaremos desse tal afeto que vincula dois seres, o amor de mãe e suas sinuosidades, pois afinal parece que não será idêntico a todas as mulheres.

Seria de se esperar que todas as mulheres quisessem casar, constituir família, serem donas de casa?! Sim, até à bem pouco tempo atrás na grande massa da sociedade era assim e acreditem, em alguns lugares ainda é, pois as meninas são criadas com esse conceito enraizado de tal forma que é muito difícil fugir dele. Mas sabemos que embora muitas sejam criadas para ter esse pensamento e destino, não é essa a sua vontade nem disposição, tudo isso foge ao seu contexto ideal de vida. Hoje em dia, pleno seculo XXI, a maioria das mulheres (falo das mulheres que vivem nessa nossa sociedade urbana e cosmopolita) são direcionadas para a autonomia, para a igualdade de valores junto ao sexo oposto, para que não haja discriminação nem no âmbito social, muito menos no laboral. O feminismo nunca esteve tão em voga, tão fixo na ideia comum, onde as mulheres podem e devem fazer escolhas, ter as mesmas oportunidades e consequentemente as mesmas gratificações, que até então eram destinadas somente ao mundo masculino. Hoje em dia, não há mais aquela velha máxima de que todas mulheres nasceram para ser mães. Porque de facto esse conceito não passa de uma ideia, afinal, muitas eram ou ainda são mães por serem empurradas pela uma subtil e invisível imposição da sociedade onde se deve ter esse instinto bem definido no seu género, enfim, mulher tem que ser mãe! Mas nem todas querem, nem todas estão preparadas… muitas só querem o direito de poder escolher. Pensando bem, nem há forma de se preparar ninguém para maternidade e não falo de cursos pré-parto, falo de instinto materno. E quando falo em maternidade, outro assunto de total pertinência e gravíssimo e que não será justificado por falta de instinto materno (isso tem de ser bem compreendido e internalizado), me remeto à depressão pós-parto que é um facto que acomete um número bem expressivo de mulheres, que apesar de quererem engravidar, ter seus filhos e serem boas cuidadoras, não conseguem lidar com o nascimento do bebé. Explicarei melhor o porquê. A depressão pós-parto é uma condição que se deve dar muita importância sendo algo muito sério, é uma patologia que exige tratamento terapêutico, a nível emocional e com medicação também. A depressão pós-parto acomete a mulher na grande maioria nas primeiras duas semanas logo apos o nascimento do bebé, mas pode acontecer em qualquer altura, nos primeiros meses de vida da criança.

Existem alguns níveis de depressão, passando por uma breve melancolia, até casos de extrema gravidade e serão seus sintomas que irão lhe conferir esse nível. A fase mais comum e menos grave, será chamada de Baby Blues, é uma tristeza logo após o parto que acomete a mãe, porém é passageira e finda de forma natural. Com certeza absoluta nada disso será uma escolha da mãe e não há ainda uma explicação científica exata para que isso aconteça, muitas hipóteses já foram levantadas por uma combinação entre fatores hormonais, sociais, psicológicos e também de carga genética. Possivelmente se já tinha depressão anterior ao parto, ela se agravará. Por exemplo, fatores como problemas na relação com o parceiro e demais familiares, dilemas com o planeamento da gravidez, condição financeira instável, questões de saúde da criança, complicações em retomar a rotina anterior, são todos possíveis causas que podem contribuir para que esta depressão suceda. Sem os tratamentos necessários e apoio do meio, essa condição pode perpetuar-se durante um longo tempo sem perspetiva de uma cura espontânea. Os sintomas comuns da depressão pós-parto são tristeza constante, irritabilidade e falta de paciência, falta de interesse pelo bebé (o que ocasiona a incapacidade de cuidar do mesmo e até de si própria), medo de estar sozinha com o recém-nascido, falta de apetite, ansiedade, desânimo e cansaço extremo, apatia nas atividades diárias, baixa autoestima, sentimento de culpa por estar a acontecer-lhe estes sintomas todos ao mesmo tempo e não saber nem a causa muito menos como sair dessa condição sozinha. Esta mulher deverá imediatamente procurar o seu médico para que seja logo começado o seu tratamento, para que possa voltar à praticar da maternidade o mais breve possível e de forma saudável e feliz. Claramente dependendo do estágio que se encontra essa depressão, pode levar algum tempo, e esse é indeterminado pois não somos todos iguais, mas existem profissionais capacitados para auxiliar nesse processo e torna-lo o menos doloroso possível, tanto para a mãe, quanto para o bebé!
Procure ajuda caso se veja nessa condição, ou alguém que você conheça. Não é vergonha pedir ajuda, mas é vergonhoso perceber que se deve amparar e não o fazer! É vergonhoso sim não compreender a necessidade de auxílio que estas mulheres têm, ao serem constantemente mal interpretadas.
E que todas as mulheres, mães ou não, possam ser felizes com suas escolhas, e que todas que não conseguem escolher nesse momento, possam ser encorajadas a melhorar sua condição de vida!!!
Feliz Dia das Mães, as que já são e as nossas mães também, todas guerreiras que merecem muita dignidade e respeito, pois, detém a forma mais sublime da natureza que é a capacidade de gerar, sejam aquelas que geram no útero ou aquelas que geram no coração!

484 total views, 5 views today