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Museu do Pão

Em família, com amigos, ou numa aventura solitária, vale sempre a pena conhecer um pouco melhor o que Portugal tem de mais belo, principalmente quando falamos da beleza exótica da natureza, das várias influências arquitetónicas nos tecidos rural e urbano, ou simplesmente, quando aprofundamos o nosso conhecimento da história profícua de centenas de anos que marcaram o passado deste cantinho à beira-mar plantado.
Pela diversidade e beleza paisagística, enquanto área de grande importância ecológica e de características únicas no país, Seia merece a visita de quem a procura como porta de entrada na mais imponente montanha portuguesa, a serra da Estrela, em qualquer época do ano.
Um concelho com um programa cultural e de atividades virado para as quatro estações do ano e que está também dotado de uma rede de equipamentos museológicos e culturais de grande relevância. Aqui, evidenciam-se o Museu do Brinquedo, o Museu Natural da Eletricidade, o Museu do Pão, o Museu Etnográfico do Rancho Folclórico de Seia e, numa vertente mais interpretativa, o CISE (Centro Interpretação da Serra da Estrela).
Nesta edição, a Revista Amar vai debruçar-se sobre o Museu do Pão, um complexo museológico onde é possível (literalmente) fazer uma pequena viagem ao maravilhoso mundo do Pão. Um espaço que tem contribuído para aumentar a oferta turística daquele município da região da Serra da Estrela, atraindo anualmente cerca de 200 mil visitantes.

 

 

O Museu do Pão, sediado em Seia na Quinta Fonte do Marrão, é um museu privado que pretende recolher, preservar e exibir os objetos e o património do pão português nas suas vertentes: etnográfica, política, social, histórica, religiosa e artística.
O projeto do Museu do Pão remonta a 1996, surgindo na sequência de sinergias criadas entre historiadores, empresários e docentes. Desde esse ano de 1996 e até à sua abertura, a 26 de setembro de 2002, procedeu-se à recolha do espólio, seja através de compra em antiquários, alfarrabistas e leilões, seja através de doações.
Entretanto a recolha de espólio continua sempre, na medida em que se pretende a constante renovação do Museu, condição indispensável para a plena prossecução dos seus objetivos.
O espaço do Museu resultou da reconstrução e ampliação de um edifício pré-existente, e nos longos trabalhos da mesma utilizaram-se materiais típicos da região, como a madeira e a pedra, de molde a integrar plenamente o imóvel na paisagem serrana envolvente.
O resultado foi um complexo museológico com mais de 3500 m2 de área coberta, constituindo-se assim este Museu do Pão como um dos maiores, senão o maior, Museu do Pão em todo o mundo.
O espaço contém quatro salas expositivas e vários outros espaços do complexo museológico.
Para além do museu em si, neste complexo de iniciativa privada cabem ainda um restaurante (com uma ementa onde abundam pratos que utilizam pão), bar (com biblioteca incluída), mercearia antiga (onde se pode comprar pães típicos de diferentes regiões portuguesas) e um atelier de arte de pão (onde os mais novos metem a mão na massa).
Em 2013, o museu inaugurou uma nova ala temática e pedagógica vocacionada para o público infantojuvenil.

 

 

 

 

 

São quatro as salas temáticas para explorar. A Sala do Ciclo do Pão pretende reconstituir o antigo ciclo tradicional do pão português através de catorze painéis ilustrados, a que se juntam as alfaias e os utensílios retratados em cada painel. Assim, aqui surgem os espaços da produção do pão, seus trabalhos e momentos.
Para além dos catorze painéis, nesta sala recria-se ainda uma antiga padaria portuguesa com a utilização de modelos em tamanho real, podendo observar-se também três moinhos em contínua laboração, cujo som ainda mais nos remete para um passado tão perto e, contudo, já tão distante.

ARTE DO PÃO

Nesta sala expõem-se uma série de objetos artísticos que têm inspiração no pão, nas suas alfaias, tradições e labores: azulejaria, vidro, arte sacra, madeira, postais antigos, diplomas, calendários, iconografia, cerâmica, prata, etc… É assim toda uma tradição multissecular da arte nacional que se recria neste espaço.
É também de salientar os quadros do pintor português Velhô dedicados ao pão, nos quais a cor do artista devolve à terra a sua poesia.

POLÍTICO, SOCIAL E RELIGIOSO

Aqui reconstitui-se a história do pão em Portugal desde a Restauração da Independência (1640) até à Restauração da Democracia (1974). São cerca de 300 anos de História reproduzida em centenas de documentos originais dos mais variados tipos e géneros.
Ainda nesta sala se observa a simbologia do pão na religião, mediante a exposição dos objetos religiosos associados ao cristianismo e ao judaísmo, que são as únicas das grandes religiões nas quais o pão tem uma conotação sagrada.

ESPAÇO TEMÁTICO

O Espaço Temático é o local dedicado aos visitantes mais novos. É uma sala didática e de encantamento, um lugar de cultura e de mito. Aqui se encontram os gnomos da tribo dos Hérmios, protetores dos primeiros habitantes dos Montes Hermínios, que nos levarão a uma viagem imaginária e mitificada ao passado do pão.
Um espaço onde História e lenda se cruzam, onde o passado revive através da magia dos sentidos e onde o pão passa pelos nossos olhos e pelas nossas mãos…

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