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O Plano Financeiro

 

 

No artigo deste mês irei debruçar-me sobre um documento que considero ser a espinha dorsal de um processo de planeamento financeiro de um cliente. Ele é, nem mais nem menos, o plano financeiro.

Como já noutros artigos tive oportunidade de referir, o fim último do relacionamento de um consultor financeiro com o seu cliente, deve ser o de tudo fazer para ajudar este a conseguir atingir os seus objectivos e sonhos financeiros.
Este processo, na minha humilde opinião, só é possível acabar em bom porto se for alvo de um cuidadoso planeamento.
Os planos que preparo tem em consideração duas principais fases; a da acumulação e a da distribuição. A primeira reflete a fase mais ativa das vidas das pessoas. Aqui o cliente está no fulgor da sua vida, consegue fazer um número de horas de trabalho diário avolumado, optando até eventualmente por mais que um trabalho a fim de multiplicar o seu rendimento. Nesta fase as despesas são grandes, mas a tal elevada capacidade e força de trabalho faz com que mesmo assim o rendimento seja geralmente bastante superior às despesas, o que permitirá um acumular de riqueza traduzido nas suas diferentes formas. É ainda uma fase em que existem muitas opções de vida e na qual se podem tomar muitas decisões que irão afetar o futuro de uma maneira quase definitiva. Concluindo, esta é a fase em que se constrói uma vida.

A segunda fase, a da distribuição, é quando se chega a uma idade em que por falta de condições para se trabalhar ou até por simples opção, se começa a gastar tudo aquilo que se acumulou. Esta é tipicamente caracterizada por rendimentos provenientes de sistemas de reformas governamentais e daquilo que nós próprios conseguimos acumular por nossa iniciativa. Nesta fase já não se tem tantas opções, nem se tem já o tempo necessário para se tomarem outros caminhos. Tipicamente diria que, ou já se fez, ou já não há muito que se possa fazer. As decisões são mais de gestão dos meios disponíveis e não tanto da influência na construção desses mesmos meios.
Mas aquilo que faz com que um plano financeiro se possa distinguir e diferenciar, tem a ver com a capacidade de colocar estas duas fases (acumulação e distribuição) num contexto de gestão de risco.
No decorrer das nossas vidas há a possibilidade (eu até diria praticamente a inevitabilidade) de acontecerem situações que irão afetar irremediavelmente o nosso caminho. Falo por exemplo de emergências financeiras (um telhado novo, obras nas casas, a substituição imediata de um carro, etc.), falo de crises de saúde (doenças graves como o cancro, doenças de coração, etc.) até situações como o falecimento súbito e inesperado.
No fundo aquilo que se pretende com a inclusão da gestão de risco no seu plano financeiro, é que independentemente de todos os riscos a que está sujeito, da força com que estes apareçam ou em que fase da sua vida eles se venham a declarar, o seu plano esteja construído de forma a que aguente todas estas contrariedades e venha a permitir atingir na mesma os seus sonhos e objetivos.

Assim, na construção do seu plano financeiro, deve ter em conta quatro pilares fundamentais, a saber:
1 – Necessidades financeiras em caso de morte
2 – Benefícios em vida
3 – Liquidez
4 – Reforma

Vamos então agora debruçar-nos um pouco sobre estes pilares individualmente.

Comecemos pelo pilar número um – Necessidades financeiras em caso de morte
A primeira coisa a fazer neste pilar é colocar a questão de como estaria a nossa família se eu tivesse falecido ontem. Poderia sobreviver financeiramente a minha família sem o rendimento que eu trago regularmente para o meu agregado? Teria a minha família que vender aquele que é o nosso lar e mudar-se para outra área totalmente estranha? Conseguiriam os meus filhos terminar os estudos superiores que tanto desejaram? Será justo deixar-lhes o fardo do pagamento de dívidas (por exemplo a hipoteca da casa), impostos ou até as despesas de funeral? Nunca pensou em deixar uma herança aos seus filhos?
Estas e outras perguntas podem encontrar resposta na contratação de um seguro de vida, aquele que considero ser um dos produtos fundamentais do seu planeamento financeiro.

Pilar numero dois – Benefícios em vida
A pergunta fundamental neste pilar é a de que se conhece alguém que tenha sofrido um ataque de coração, um acidente vascular cerebral ou de um cancro, entre outras doenças graves? Tenho a certeza que não há ninguém capaz de dizer que não tem um familiar, um amigo ou simplesmente conhecido, que não tivesse sofrido de uma azar destes. Ora se por um lado há cada vez mais pessoas a sobreviver a estas doenças dada a evolução da medicina, por outro lado há ainda muita gente que não está preparada financeiramente para um evento desta dimensão. Normalmente uma destas doenças derruba a capacidade de trabalho das pessoas e consequentemente o seu rendimento, por prazos bem alargados. Consequentemente toda a estrutura familiar financeira sai abalada. Para responder a estas perguntas existe um produto financeiro chamado, seguro de doenças criticas.

Pilar numero três – Liquidez
Este pilar resume-se à capacidade de aceder a valores monetários no mais curto de espaço de tempo, sem a necessidade urgente de alienar ativos que provoquem prejuízo avultado. Dizem assim os especialistas que deve ter meios monetários líquidos (equivalentes em inglês ao Cash) na proporção mínima de três meses do seu agregado familiar ou idealmente equivalente a seis meses do rendimento do seu agregado familiar. Com esta decisão evitará, num caso de emergência, alienar ativos que não deseje, geralmente abaixo do seu valor real, bem como perder oportunidades financeiras de aquisição de um bem a um preço abaixo do mercado, precisamente por não ter essa disponibilidade financeira.

Pilar numero quatro – Reforma
Sem evitará o pilar do qual mais se fala. Engraçado como, no entanto, a abordagem do mesmo se revela tantas vezes errada. A Reforma significa coisas totalmente diferentes para cada um de nós. Se para alguns esta fase representa poder viajar pelo mundo fora, conhecer pessoas e culturas diferentes, para outros pode significar descanso na verdadeira plenitude da palavra, como por exemplo beber algo fresco no seu jardim num dia de verão ou aproveitar um belo dia de sol no inverno, isto entre muitas outras diferentes opções.
No sentido de poder satisfazer os seus desejos, sejam eles quais forem, há um conjunto de perguntas que devem ser respondidas para se poder ter sucesso no planeamento, como por exemplo:
Que estilo de vida quer para a sua reforma? Quando se quer reformar? Qual o rendimento que precisa ter durante a sua reforma? Que instrumentos financeiros tenho a minha disposição para atingir os resultados pretendidos? Devo confiar nos programas governamentais existentes como garantia da minha reforma?
Encerrava o artigo deste mês lembrando que cada pessoa é um caso diferente, não havendo, portanto, uma solução que resolva todos os casos, ou seja, pessoas. Não deve, no entanto, desprezar as soluções existentes no mercado nem as opções que tem a nível de aconselhamento financeiro.
Eleva a fasquia a si próprio. Procure um consultor financeiro e construa algo de bom para a sua vida. Afinal de contas, planear com a ajuda de um especialista pode ser bem mais fácil do que imagina.

 

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