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Carina Rainho

Jovem promessa
da ginástica artística no Canadá

O mês de janeiro afigura-se como um ponto de viragem e de afirmação para a jovem luso-canadiana Carina Rainho da Galaxy Gymnastics, em Bowmanville, que por estes dias vai estar em Anaheim, Califórnia, para participar no Grand Invitational Meet.

Carina classificou-se para um lugar na equipa do Ontário durante o Women’s Artistic Gymnastics Tour e Elite Screening, concurso realizado no Quinte Bay Gymnastics Club em novembro.
A atleta, com cerca de metro e meio de altura e pouco mais de 40 quilos, ganhou a prata nos exercícios de saltos (9.300) e solo (9.200), competindo pela divisão de Nível 9 (14+) pela primeira vez. Ela também ficou posicionada em sétimo nas paralelas assimétricas e em décimo na trave, o que lhe garantiu o quinto lugar geral na competição. Um resultado acima das melhores expetativas da Carina, tanto mais que estamos a falar de um concurso que envolveu mais de 30 candidatas.
A Galaxy Gymnastics também foi bem representada por Adrianna Hynes, que ficou em 14.º na categoria de nível 9, 14+. No seu primeiro ano nesse nível, Hynes conseguiu ficar em 6.º na trave (8.650), 12.º em paralelas, 10.º no solo e 17.º nos saltos. Carissa Armorer competiu no nível 7, terminando na 10ª posição geral, e é um suplente para a equipa do Ontário. Armorer também teve um encontro impressionante, conquistando a prata nas paralelas (9.666), bronze no solo (9.416), e ficando em 13.º na competição de saltos e em 24.º na trave.

O California Grand Invitational é um encontro de ginástica de primeira qualidade aberto a todos os níveis de competição (JO 2-10 e Xcel Bronze – Diamond). Atletas nacionais dos EUA e estrangeiros são convidados a participar. Uma excelente oportunidade para a jovem Carina medir forças com as atletas norte-americanas, principalmente, ela que tem como atleta de referência Shawn Johnson, uma antiga ginasta artística americana, medalhada olímpica em 2008 e cinco vezes medalhada de ouro nos Jogos Pan-americanos.

Carina, mostra-se agora confiante que a Team Ontario vai fazer uma boa figura na competição, que terá lugar de 12 a 14 de janeiro (os resultados já serão conhecidos aquando da distribuição da presente edição). É também expectável a presença de um grande número de “olheiros” e potenciais patrocinadores, o que será bom para a jovem luso-canadiana que procura apoios para seguir em frente com o sonho desportivo.

Começar bem cedo

Carina Rainho é uma ginasta de 14 anos de idade, do nível 9 da Galaxy Gymnastics. Ela tem estado na academia desde os 7. Mas ainda nova, já ela gostava de dar “cambalhotas”, incentivada pela irmã mais velha, Samantha. Até que um dia partiu um braço e a mãe decidiu metê-la em aulas de ginástica para aprender. No entanto, só a partir dos sete anos de idade é que começou a pensar mais seriamente em ser ginasta. Em realidade, quando ela acompanhou os Jogos Olímpicos de Londres 2012, ela soube, no seu íntimo, que esse era o caminho profissional que ela queria seguir.

Presentemente, treina 25 horas por semana com os seus treinadores Abbey Morgan, Jan Prosser e Rod Hounsell, que veem na jovem potencial para ir mais longe e ter sucesso desportivo. “Eles puxam por mim, para que eu seja uma melhor atleta no futuro”, diz Carina. À parte do treino, ela também auxilia crianças de 4 a 8 anos na aprendizagem de ginástica.

“Gosto muito de estar lá, porque é um bom ambiente”, sublinha.

No horizonte competitivo, a jovem atleta reconhece que será difícil fazer parte da comitiva olímpica do Canadá para 2020, mas acredita que com humildade, realismo e muito trabalho, poderá ter a sorte de representar o país nos Jogos Olímpicos de Verão de 2024, em Paris, França. Esse é um dos objetivos em mente para o futuro próximo, preferencialmente em representação do Canadá, ainda que não descarte uma hipótese (remota) de vir a representar Portugal na grande competição.

No imediato, e após Califórnia, Carina tem prevista a participação num encontro na Flórida, EUA, em fevereiro/março, através do ginásio que ela frequenta. Mais uma competição onde se prevê que estejam presentes observadores e potenciais patrocinadores.

Durante os próximos três meses, Carina Rainho terá ainda três qualificações para a equipa Ontário que se correrem bem podem catapultá-la para um nível nacional superior.

“Ela tem muita paixão pela ginástica, é o que ela quer fazer na vida. Se continuar a treinar e mantiver a força que tem, acredito que pode ir longe”, observa Samantha, que acompanhou a irmã na entrevista com a Revista Amar.

Ir para a universidade

Carina está atualmente no 9.º ano, na escola secundária católica Monsenhor Paul Dwyer, uma escola onde Carina gosta de estudar e onde pretende ficar até completar o 12.º ano. A direção escolar tem desempenhado um papel importante na sua progressão académica e desportiva, tanto mais que decidiu adaptar o programa curricular para ela poder competir.
Ainda que a alguns anos de distância, Carina sabe que quer continuar a estudar e entrar na universidade para tirar um curso na área de ginástica (College Gymnastics). Uma aventura que pode levá-la, inclusive, a procurar admissão na conceituada Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), que está entre as melhores universidades do mundo.

Na sua incipiente filosofia de vida, estão as palavras “acreditar” e “fazer” que pela força motivacional, podem ajudar a materializar um sonho de criança no devido tempo. Isso, complementado naturalmente com muito trabalho e verdadeira dedicação.

 

Ela tem muita paixão pela ginástica,
é o que ela quer fazer na vida. Se continuar a treinar
e mantiver a força que tem, acredito que pode ir longe
Samantha Rainho

 

Envolvimento comunitário e a relação com Portugal

Carina é membro ativo do Northern Portugal Cultural Centre, o pulsar da comunidade portuguesa da Região de Durham. Ela dança no rancho e participa em reuniões mensais do clube, fundado em 1983 por imigrantes portugueses que queriam celebrar as suas raízes Minhotas. “Lá, é como uma família!”, confessa.

David Ganhão, relações públicas e membro de longa data do clube de Oshawa, conhece a jovem desde pequena – no rancho desde os seus quatro anos de idade, Carina chegou a frequentar o grupo de jovens local.

“Ela faz tudo, vai aos ensaios, às saídas. As notas são boas, pelo que ouço”, elogia Ganhão, que não esconde que gostaria de ver a jovem luso-canadiana ter sucesso na ginástica e conquistar uma medalha no futuro.

Embora tenha nascido no Canadá, Carina vai frequentemente a Portugal e gosta de passar o mês de agosto com a sua família e participar nas festividades de Arcos de Valdevez, vila do distrito de Viana do Castelo.

Lá, pode conviver com os avós que gozam agora a sua reforma em Portugal depois de terem estado no Canadá. Coincidência ou não, a jovem diz convictamente que tem como objetivo passar a sua reforma em Portugal.

Empenhada nos estudos e focada na ginástica artística, Carina reconhece que lhe sobra pouco tempo livre. Mas sempre que possível, gosta de interagir nas redes sociais e sair com os amigos, especialmente para ir a um centro comercial.

A finalizar, Carina Rainho confia que o ano de 2018 vai ser positivo e trazer muitas alegrias. E aproveita para agradecer a oportunidade dada pela Revista Amar para se dar a conhecer à comunidade portuguesa.

A Ginástica Artística Feminina compreende um conjunto de 4 especialidades: Saltos, Trave, Paralelas Assimétricas e Solo.

Caraterísticas das especialidades

Saltos: Os saltos são executados a partir de uma corrida prévia com o máximo de 25 metros com chamada a dois pés no trampolim e um apoio das mãos na “mesa” de saltos (nome atualmente em vigor), após o que a ginasta realiza uma série de rotações. Conclui-se com uma receção equilibrada.

Paralelas Assimétricas: O posicionamento dos banzos, um mais alto que o outro, é a característica principal deste aparelho, onde a ginasta deve apresentar movimentos de balanço contínuos, demonstrando mudanças de banzo e de pegas com rotações, elementos com voo (despegues) com largada da barra e retorno.
As saídas são parte integrante da execução do exercício e são movimentos acrobáticos espetaculares.

Trave: A ginasta deve apresentar movimentos acrobáticos com variações no ritmo entre movimentos rápidos e lentos para frente, lado e para trás.

Solo: Os exercícios no solo devem conter predominantemente elementos acrobáticos, combinados com outros movimentos de força, de flexibilidade e de equilíbrio com combinações coreográficas, formando um todo harmonioso. O exercício é executado ao som de uma música e a coreografia é construída de acordo com a mesma.
A ginasta dispõe de um tempo máximo de apresentação de 90 segundos.

Boa sorte Carina Rainho!

Fotografia: Noah Ganhão e Carina Rainho

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