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4.ª Gala do Fado com Clara Santos e amigos

Clara Santos e os amigos organizam a 7 de abril a 4.ª Gala de Fado. A Gala visa apoiar a Luso Canadian Charitable Society. A Revista Amar esteve à conversa com a fadista Clara Santos.

Revista Amar – Porquê uma 4.ª edição da Gala de Fado?
Clara Santos – Eu sou de Hamilton e percebi que aqui não existia uma grande tradição de fado e então pensei “porque não trazer o fado até Hamilton?” E agora, decidi fazer uma noite solidária para apoiar a Luso Canadian Charitable Society. Eu sou voluntária na Luso e também tenho um sobrinho autista. Convidei a Sónia Tavares, a Teresa Santos, a Jennifer Bettencourt, o Rui Furtado e o Luís Ferraz. Os músicos são o Hernâni Raposo, na guitarra; o Pedro Joel na viola e o Sérgio Santos na viola baixo.

R.A. – Como é conviver com um autista no dia-a-dia?
C.S. – Eu não convivo com o meu sobrinho todos os dias, mas imagino que deve ser difícil para a família. Ele tem problemas em expressar-se e em interagir com as pessoas em geral. Mas acho que é difícil conviver com autistas e com pessoas com outros distúrbios.

R.A. – Acha que este tipo de instituições precisa de mais apoios?
C.S. – É muito importante apoiarmos estas associações, porque as pessoas tendem a pensar que não vai acontecer com elas. Mas às vezes acontece e ficam perdidas. Ainda há muita discriminação em relação à deficiência. Quando saio com o meu sobrinho percebo que as pessoas ainda olham de lado e que às vezes têm pouca tolerância.

R.A. – Os portugueses costumam ser solidários com estas causas?
C.S. – Acho que os portugueses têm o coração grande. Já tenho algumas reservas, mas gostava de ter ainda mais. Mas os portugueses deixam tudo para a última, é a nossa cultura (risos). Queria envolver também a comunidade canadiana.

R.A. – A Gala vai se realizar na LiUNA Station Grand Central Ballroom em Hamilton.
C.S. – Estava à procura de um lugar intimista, que fizesse lembrar as grandes salas da Europa. Não sei explicar, mas esta sala transpira fado e tem excelentes condições acústicas. Quero agradecer aos nossos patrocinadores porque sem eles esta Gala não era possível. A Fado House Entertainment, a CHIN Radio, mas todos foram importantes. Se começar a nomear nunca mais acabo.

R.A. – O que é que a Clara vai cantar?
C.S. – Vou cantar essencialmente músicas do meu último álbum, que gravei há dois anos, e o meu novo single “Hi Fado”. A música é do Hernâni Raposo e a letra é da minha autoria. O tema vai ser apresentado ao público pela primeira vez na Gala de Fado.

R.A. – Quando é que vai lançar o próximo álbum?
C.S. – Ainda não tem data. Eu gosto de criar devagar, gosto de qualidade, por isso não tenho pressa.

R.A. – No Canadá, como é que a comunidade portuguesa encara o fado?
C.S. – Em Toronto está melhor do que em Hamilton. Por mim fazíamos noites de fado todos os fins-de-semana, mas infelizmente nem sempre é possível. E eu compreendo porque temos que dar lugar a todos, aliás é isso que se entende por comunidade. Ainda há pouco tempo o Ricardo Ribeiro esgotou a Casa do Alentejo, acho que aqui há muita sede de cultura portuguesa. São exemplos de que a nossa cultura ainda está viva.

R.A. – Em Portugal, Peter Serrado é finalista do Festival da Canção. Achava que algum dia um luso-canadiano poderia chegar à final de um concurso com este prestígio?
C.S. – Até me arrepiei agora. Tive a oportunidade de gravar uma música com o Peter, a propósito dos incêndios que devastaram Portugal no ano passado, e fiquei logo fascinada com o seu tom de voz. Acho que a nossa comunidade tem motivos para estar orgulhosa. Acho que ele é um pioneiro, ele fez o caminho inverso.

R.A. – Nunca lhe passou pela cabeça participar no Festival da Canção em Portugal?
C.S. – Por acaso sim. Já pensei em ir ao The Voice Portugal, ao Got Talent Portugal…Mas a vida leva-nos por outros caminhos e temos que segui-los. Mas nunca se sabe, um dia ainda posso ir até Lisboa.

R.A. – Quais são os projetos para o futuro?
C.S. – Neste momento estou bastante focada no meu próximo álbum. Quero continuar a fazer o que gosto e continuar a partilhá-lo com os outros.

R.A. – Este dinheiro tem algum destino em particular?
C.S. – Estamos a tentar reunir fundos para comprar uma van para a Luso Canadian Charitable Society. Alguns dos utentes têm dificuldades de mobilidade e com o carro a vida deles ia ficar mais fácil. Mas é um modelo caro porque é muito específico. Sozinhos nós não conseguimos nada. Venham à nossa Gala e apoiem esta causa. Os bilhetes custam $65, mas se não poderem vir à Gala, criei uma GoFundMe Page, é um crowdfunding onde podem doar o que quiserem. Ambos os fundos são para o carro.

Artigo por Joana Leal

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