História

História do Vinho em Portugal – I

 

A História também se bebe…

Embora não sendo especialista em vinho, nem produtor, nem enólogo, nem escanção, mas como apreciador de um bom vinho, venho propor uma viagem pela história e arte do vinho, marca identitária desta nação ancestral. Decidi mudar de azimute na escrita destes breves apontamentos, escrevendo a História do Vinho em Portugal. Com o mote – A história também se bebe… Entrecortar as palavras ditas e escritas, com os sabores e os aromas de néctares produzidos neste terroir Portucalense, arriscamo-nos por vezes, a vivenciar uma experiência inesquecível, a qual provocaria uma certa inveja ao próprio deus Baco. Como diria um companheiro de vindima na Quinta do Valdalagea:

Uma pinguinha numa casa é sempre uma maravilha! Nem que seja de água.

Primórdios do cultivo da vinha

Tartessos | 2 000 anos a.C.

Acredita-se que os Tartessos foram o povo que cultivou a vinha pela primeira vez na Península Ibérica. O vinho seria utilizado como moeda de troca no comércio de metais.

Fenícios | Séc. X a.C.

Os Fenícios procuravam prata e estanho nos estuários do Guadiana, Sado, Tejo e Mondego. As ânforas com vinho eram um dos produtos oferecidos ao povo ibérico em troca dos metais. Os Fenícios deverão ter sido responsáveis pela introdução de novas castas utilizadas na produção de vinho.

Brincos de ouro em forma de uvas, maravilhosamente elaborados. II Idade do Ferro. Castro da Cabeça de Vaiamonte, Monforte, Portalegre. 
 Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa

 Gregos | Séc. VII a.C.

Os Gregos ocuparam a Península Ibérica e desenvolveram a vitivinicultura. Nesta fase as técnicas de elaboração do vinho foram desenvolvidas, existindo vestígios dos instrumentos utilizados em Alcácer do Sal.

Celtas e Iberos | Séc. VI a.C.

Os Celtas instalam-se na Península Ibérica. Eram um povo com conhecimentos vitícolas: já plantavam vinhas, que trouxeram para a Península Ibérica. Além disso, é possível que tenham introduzido novas técnicas de tanoaria. Mais tarde, os Celtas fundem-se aos Iberos formando o povo Celtibero.

Romanos | Séc. II a.C.

Os romanos conquistaram a Península Ibérica e foram responsáveis por grandes desenvolvimentos na vitivinicultura. Introduziram a plantação de novas castas e melhoraram as técnicas de cultivo da vinha, nomeadamente a poda. O vinho era enviado para Roma, já que a produção própria não era suficiente para responder à procura.

Baixo-relevo de mármore de uma taberna romana. - Museu de Arte Romana de Mérida

 Povos Bárbaros | Séc. VII d.C.

Após sucessivas batalhas os povos bárbaros, nomeadamente os Suevos e Visigodos, conseguiram expulsar os Romanos da Península Ibérica. Os povos bárbaros adoptaram a religião e costumes do povo romano, entre os quais, o vinho, mas não desenvolveram as práticas de cultivo da vinha. O vinho era ainda utilizado nas cerimónias religiosas.

 

Região Demarcada do Dão

Nesta região as vinhas situam-se entre os 400 e os 700 metros de altitude e em solos onde predominam os pinheiros e as culturas de milho. A região do Dão, rodeada de serras que a protegem dos ventos, produz vinhos com elevada capacidade de envelhecimento em garrafa.
A zona do Dão situa-se na região da Beira Alta, no centro Norte de Portugal. As condições geográficas são excelentes para produção de vinhos: as serras do Caramulo, Montemuro, Buçaco e Estrela protegem as vinhas da influência de ventos. A região é extremamente montanhosa, contudo a altitude na zona sul é menos elevada. Os 20.000 hectares de vinhas situam-se maioritariamente entre os 400 e 700 metros de altitude e desenvolvem-se em solos xistosos (na zona sul da região) ou graníticos de pouca profundidade. O clima no Dão sofre simultaneamente a influência do Atlântico e do Interior, por isso os invernos são frios e chuvosos enquanto os verões são quentes e secos.

Casa da Passarella

Na Idade Média, a vinha foi essencialmente desenvolvida pelo clero, especialmente pelos monges de Cister. Era o clero que conhecia a maioria das práticas agrícolas e como exercia muita influência na população, conseguiu ocupar muitas terras com vinha e aumentar a produção vitícola. Todavia, foi a partir da segunda metade do século XIX, após as pragas do míldio e da filoxera, que a região conheceu um grande desenvolvimento. Em 1908, a área de produção de vinho foi delimitada, tornando-se na segunda região demarcada portuguesa.
O Dão é uma região com muitos produtores, onde cada um detém pequenas propriedades. Durante décadas, as uvas foram entregues às adegas cooperativas encarregadas da produção do vinho. O vinho era, posteriormente, vendido a retalho a grandes e médias empresas, que o engarrafavam e vendiam com as suas marcas.

Com a entrada de Portugal na CEE (1986) houve necessidade de alterar o sistema de produção e comercialização dos vinhos do Dão. Grande parte das empresas de fora da região que adquiriam vinho às adegas cooperativas locais, iniciaram as suas explorações na região e compraram terras para cultivo de vinha. Por outro lado, as cooperativas iniciaram um processo de modernização das adegas e começaram a comercializar marcas próprias, enquanto pequenos produtores da região decidiram começar a produzir os seus vinhos. As vinhas passaram também por um processo de reestruturação com a aplicação de novas técnicas vinícolas e escolha de castas apropriadas para a região.

As vinhas são constituídas por uma grande diversidade de castas, entre as quais a Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz (nas variedades tintas) e Encruzado, Bical, Cercial, Malvasia Fina e Verdelho (nas variedades brancas). Os vinhos brancos são bastantes aromáticos, frutados e bastante equilibrados. Os tintos são bem encorpados, aromáticos e podem ganhar bastante complexidade após envelhecimento em garrafa.

 

Fontes e referências:
http://www.infovini.com/pagina.php?codNode=18094#tab6
http://www.vinetowinecircle.com/historia/ocup- romana/

 

 

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