Psicologia

Mudaram as estações…

Mudaram as estações…

Mudaram as estações e nada mudou, mas nem tudo continua igual como era antes… Não sei o que aconteceu está tudo assim tão diferente. Lembra-se quando a gente ainda acreditava em noites frias com sol, que seriam dias que terminavam com um céu rosado resultavam em mais frio no dia seguinte?! Hoje vemos noites quentes com sol em pleno inverno, dias de neve em plena primavera, saímos sem muito bem ter certeza que tipo de indumentária levar pois temos as estações todas num dia só. Sim, as estações andam a se baralhar, frio em épocas de calor e vice-versa, mas e daí? O que isso implica na nossa vida? Ah altera nossa rotina, nosso planejamento, diriam uns. Outros defenderiam que faça chuva ou sol, há de ser tudo igual e vai ser na mesma. Só que não. O clima influencia não só na rotina, na vida e na alma! E é dele que vamos tratar hoje, do Sr. Tempo.

O clima traz consigo mudanças radicais nas nossas vidas e são por vários determinantes que isso acontece, mas o primeiro claramente será o sentido do tato, do sentir frio ou calor, de estar confortável e completamente desconfortável. Com certeza é algo subjetivo a cada pessoa. Ter ou melhor dizendo, sentir frio a mais ou calor a mais pode ser muito incómodo. Nós seres humanos estamos preparados fisicamente para atingirmos externamente determinadas temperaturas e cada um terá um limiar diferente, porém haverá um limite para todos em comum. Esse limiar a que me refiro diz exatamente o que suportamos com satisfação e o que claramente causa transtornos na nossa rotina ou naquele momento. E assim nestes casos que causam transtornos então poderemos observar o quanto influenciam no nosso humor, no nosso psicológico, automaticamente no nosso âmbito social.

Uma pessoa que esteja com muito calor, como costuma-se dizer no popular “suando em bicas”, está claramente desconfortável, com o corpo suado, por vezes a molhar e sujar a roupa, exalando um odor desagradável. Por força da regularidade ou da falta de opção, esta pessoa estará mais ou menos adaptada, mas que de certo para quem não esta declinado a viver em altas temperaturas, sofre. Sofre, pois é de facto um transtorno que o excesso causa, uma má disposição, gerando moleza, insolação, às vezes alterando as nossas tenções e por aí vai. Já no excesso de frio, as dificuldades e transtornos são diferentes no que se sente, porém iguais no desconforto, baixas temperaturas causam hipotermia, tensões alteradas, rigidez nas articulações e músculos, falta disposição para realizar tarefas pois ficamos totalmente sucumbidos ao frio por estarmos “congelados”. Aumento ou diminuição da fome, apatia, fadiga e tensão corporal alterada são alguns casos típicos de transtornos.

Contudo o ser humano tem a capacidade de se adaptar e mesmo sem abordarmos os excessos, as diferenças bruscas de temperatura influenciam desde a economia até o lazer, alteram o convívio social enquanto que no calor ameno estamos inseridos em contextos muito mais livres, abertos, amplos, convivendo socialmente de maneira mais espontânea, talvez mais alegre acredito eu, em situações de frio, estamos confinados a espaços fechados, movimentos limitados no espaço social, por vezes nem saímos muito das nossas rotinas, casa-escola-trabalho, levando muitos à depressão por isolamento. Mudamos o vestuário, mudamos por vezes o meio de transporte, damos preferência por determinados alimentos até porque existe uma sazonalidade para a produção de certos alimentos também e estas podem sofrer gravemente de acordo com o clima em função de alterar seu cultivo.

É certo que o clima influencia no contexto social, físico e emocional. Gerir todas essas intemperes da vida será mais uma das articulações que o homem precisa aprender a fazer para poder sobreviver de forma agradável e que consiga conciliar clima externo com o “interno”, o psicológico, ativo, bem-humorado e predisposto a ultrapassar as dificuldades que são causadas pelo Sr. Tempo! Tudo que provem da Mãe Natureza será de todo impossível para o homem controlar, mas não será de todo impraticável (a não ser em casos graves de extremos) de se regular e adaptar! Sinceramente a parte que mais me preocupa num sentido de adaptação e estamos a falar em pessoas que não passem por falta de condições mínimas de sobrevivência, mas sim de pessoas em estado normal e regular de vivência, que será o psicológico. Por mais protegido das diferenças extremas da temperatura, o psicológico pode vir a ser muito instável por toda essa condição climática e lidar com ela pode ser muito doloroso e complicado para alguns, principalmente aqueles que sofrem de solidão por falta de convívio social. A depressão pode facilmente ser gerada num contexto de isolamento, por falta de estar com pessoas, de se comunicar, de realizar tarefas em coletivo. Muitas pessoas ficam de facto limitadas ao clima que por vezes não está nada propício para poderem sair de suas casas e estar na rua simplesmente a ver outras pessoas, a falar com elas, a trocar mais que meia dúzia de palavras, a trocar afetividade, a receber estímulos significantes para a boa disposição e consequentemente um melhor humor, mais satisfação e menos angústia.

Em locais que o clima é severamente potencializado por extremos as pessoas estão condicionadas a suprir suas realidades de forma mais conveniente ao clima, sem serem afetadas pelas mudanças drásticas. Porém em locais que isso acontece e cada vez mais de forma quase que indeterminada em função da alteração climática global, as pessoas sentem-se invalidadas por mudanças igualmente radicais de hábitos perante a vida, seja da ordem física ou emocional, seja a nível da economia como disse anteriormente ou do contexto do lazer. Sendo necessário então uma intervenção de ordem dos nossos mais remotos mecanismos de defesa, assegurando a estabilidade emocional, optando por conviver sempre, pois o social faz parte da boa gerência do contexto afetivo!

Minha principal mensagem com esse texto será de que não devemos nunca nos excluir da convivência coletiva mesmo que o clima não seja favorável, pois esse convívio será sempre uma mais valia para que nosso emocional se equilibre e se organize de maneira saudável. Buscar a felicidade há de ser compromisso indiscutível e inerente a todos. A felicidade pode estar em pequenas atitudes, pequenos gestos, em poucos movimentos e gera afeto, um clima bem ameno e propício ao coração!

Bem-haja, Sr. Tempo!

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