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Sê grande perante a vida

Sê grande perante a vida

Admiro a poesia, ou a vida, que é a mesma coisa. Acredito na força das palavras. Contemplo a digestão fácil das rimas bem conversadas. Perco-me no encaminhar liberto das obras de arte de William Shakespeare, um dos mais imponentes dramaturgos de todos os tempos. E distinta é a loucura astrológica de Fernando Pessoa, que é da vida, do amor, da intemporalidade, e tudo está bem. E pelo meio dos atalhos imensos aporta Carlos Drummond de Andrade, chegado do outro lado do atlântico, o homem que estremou, e marca. Outros enormes, e eu do tamanho das páginas que deslumbro com apenas um dedo, das viagens que prolongo sem sair do lugar. Porque é assim que as coisas funcionam. Porque é assim que eu funciono, e todos os bens acontecem.
Sê grande perante a vida. Tudo trabalha à tua volta. O lampejo do teu olhar deve ser imperativo. O teu ente consciente começa todos os dias. Torna fria a perversão do alheio. Enfrenta as folhas em branco, o excremento dos menos acolhedores, o desamor, a morte. O fim diferido. E vive. Que a tua grandeza seja do tamanho do teu coração; notável, valente. Não sejas apenas.

Para existir não basta existir. A velha máxima. A minha. Que também pode ser a tua. Que deve ser a tua. Para seres grande apenas precisas de substituir os olhos pela alma. É puro, simples, claro. Defronta o mundo. Não permitas ser excluído, anulado. Sem identidade ou valor. És a tua causa principal. Sem ti não existes tu. Não permitas que o malogro de uma esperança prejudique os teus próprios atos e pensamentos. Torna-te presente sem nunca largares as mãos, e depois os abraços. Não és feito de centímetros, mas de ações, reações. És consequência do que dás e recebes. E vice-versa.
A tua felicidade está no tamanho do teu sorriso, da tua coragem para enfrentar. O que realmente importa, o que te faz crescer enquanto pessoa, enquanto nome.
Torna-te livre e serás inteiro. Percebe de uma vez por todas que são os detalhes que fazem a diferença. A real distinção.

“Para ser grande, sê inteiro: nada/ Teu exagera ou exclui./ / Sê todo em cada coisa. Põe quanto és/ No mínimo que fazes./ / Assim em cada lago a lua toda/ Brilha, porque alta vive.”

Um poema de Ricardo Reis
Porque os grandes nunca morrem

 

Uma vez mais, aposta na positividade da vida. Torna-te forte, e não permitas que te esmaguem. Despeço-me com um pequeno excerto do meu livro “Nem todos os amores crescem”. Um texto que fala sobre respeito, aceitação. Uma narrativa que aborda o amor na sua plenitude. O amor pelo próximo. O respeito que cada qual tem de si mesmo.
“Assevero o amor. Assume-te. Se és homossexual, encarrega-te de ti mesmo. Aceita a tua orientação sexual. E nunca a opção. Anula o desditoso preconceito. Acarinha-te da melhor forma. A cegueira moral é apenas uma questão de valores sociais. Recebe-te com agrado para que os abraços dos outros consigam beijar-te com o devido respeito, com a real consideração. Exibe a paciência. Adota a demora. O tempo que for necessário, ou essencial. Não deixes de ser quem és, nunca. A culpa não existe. O erro não subsiste. Persiste a vida, o respeito e a felicidade. Os dias sôfregos por haver. Não percas tempo, ou o tempo. Inclui-te. Não te excluas. Não te anules perante o estereótipo. És o único responsável por aquilo que vives, existes. Os outros são apenas os outros. A responsabilidade é tua. Adquire a liberdade, e assim serás livre para respirar, amar, ter, dar e receber. Assume-te. É fundamental para a tua vida. Sê feliz como eu.”
A melhor queda é a queda para o amor. A queda para o livre arbítrio. A mudança começa em ti.

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