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Diversidade marca 1.º Festival Internacional de Folclore

A diversidade do folclore português, do Algarve aos Açores, marcou a primeira edição do Festival Internacional de Folclore de Toronto. O Festival foi organizado pela Associação Cultural do Minho e contou com a participação de dois convidados especiais.
Para Augusto Bandeira, presidente da Associação Cultural do Minho de Toronto, o dia foi histórico. “Pela primeira vez temos ranchos que vêm de fora do país, é o caso da Macedónia e do Equador”.

O encontro foi na LiUNA Local 183 e juntou sete grupos de folclore debaixo do mesmo teto. O objetivo foi promover um intercâmbio saudável entre diferentes culturas. “Não estamos aqui para competir, aliás eu sou anti competições. Sou a favor de um festival de mostra de etnografia. Temos um rancho do Minho, que representa a nossa casa, temos um rancho de Newark que representa a área de Ponte da Barca, temos um rancho que vem de London que representa todo o nosso país, temos um rancho da Nazaré e temos um rancho de Montreal que representa o Ribatejo”, explicou Bandeira.

Se o folclore não for preservado corre o risco de desaparecer e com ele morre parte da cultura popular portuguesa. “É importante transmitir aos jovens para que eles possam dar continuidade aquilo que é nosso. Está tudo inventado, bonito era manter as nossas tradições vivas. Para além disso se não nos envolvermos mais com os outros grupos étnicos vamos ficar para trás”, disse o presidente da Associação.

Bandeira deixou agradecimentos a todos que contribuíram para que o Festival fosse uma realidade. “Não foi fácil porque alguns não queriam que isto acontecesse. Agradeço à nossa diretora da cultura, a Jennifer Bandeira, e ao Alexandre Silva. Os nossos jovens estão de parabéns e eu fico descansado porque já sei que há seguimento nesta Associação”, avançou.

O grupo folclórico Campinos do Ribatejo de Montreal foi fundado em 1994 e tem elementos de três gerações. Natalie Marques é coreógrafa do grupo e ficou muito contente com o convite. “Não foi fácil estar aqui, tivemos que sair muito cedo de Montreal, mas vale sempre a pena poder espalhar a magia do folclore”, referiu.

O folclore ribatejano é mais ritmado e distingue-se por incluir sapateado. O fandango foi introduzido em Portugal no século XVII e segundo a coreógrafa é fácil de aprender. “Alguns dos elementos mais jovens ainda trazem a fralda com eles mas aos adultos eu costumo dizer que o folclore é como andar de bicicleta, além do mais depois de se aprender uma dança aprendemos todas as outras”, garantiu.

O rancho Os tradicionais do clube português de London foi fundado em 1977 e tem a particularidade de representar várias regiões de Portugal, tal como nos adiantou Mário Leite. “O nosso grupo representa o Continente, os Açores e a Madeira. O nosso próprio traje reflete essa diversidade cultural”, afirmou.

Dos EUA veio o Rancho Folclórico Barcuense. O rancho representa a região do Alto Minho em New Jersey e é a sétima vez que atua em Toronto. Para Manuel Pereira, responsável pelo grupo, é sempre bom voltar a esta cidade. “Nós somos sempre bem recebidos e hoje somos só 40 elementos mas no total somos 50. Gostamos muito de sair dos EUA e mostrar a nossa forma de dançar aos outros”, contou.

No próximo ano a organização promete continuar com o Festival Internacional de Folclore e alargá-lo a outros grupos étnicos. “Foi pena não termos um grupo grego, italiano ou escocês. Queremos também criar várias tascas para representar a gastronomia de cada um dos grupos que cá vem”, assegurou.

No final não faltou a tocata de concertinas e durante todo o festival os participantes tiveram oportunidade de provar o caldo verde e as bifanas à minhota.

 

Joana Leal








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