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Ana Bailão inaugura sede de campanha

A ainda atual vereadora e vice-presidente da Câmara de Toronto, Ana Bailão, abriu a nova sede para a sua campanha de reeleição a vereadora municipal a 15 de setembro. Na nova sede, agora localizada no 1226 St. Clair Ave W. em Toronto, entre os muitos apoiantes que quiseram apoiar a candadata lusodescendente pelo círculo da Davenport, encontrava-se o Comendador Manuel DaCosta, o Comendador Jack Prazeres, o ex-Ministro das Finanças do Ontário Charles Sousa, a ex-Deputada Provincial Cristina Martins, o presidente da ACMT Augusto Bandeira, o Deputado Federal Adam Vaughan e o ex-presidente de Câmara de Toronto David Crombie entre outros.

Ana Bailão dirigiu-se aos presentes e agradeceu o apoio demonstrado por todos, e uma vez mais também, pela comunidade portuguesa.
Agora que se entra na última fase de campanha destas eleições e depois de semanas ‘recheadas’ de controvérsia, nomeadamente quanto à redução do número de vereadores na Câmara Muncipal de Toronto, a Revista Amar esteve à conversa com Ana Bailão, para saiber o que pensa sobre este tema e também para darmos a conhecer um pouco melhor o programa eleitoral da candidata pelo Bairro 9 (Ward 9).

Revista Amar: Esta campanha tem-se desenrolado de forma atípica. O que pensa sobre o que se tem passado?
Ana Bailão: Obviamente que nos sentimos afetados, e nem tanto pela discussão dos lugares se são 25 ou 47, até porque acho que deveria acontecer e tem razão de ser. Eu acho que há coisas que deveriam ser trabalhadas de melhor forma na Câmara, inclusive eu sou defensora de que deveria haver limites de mandatos e aliás agora com o alargamento das áreas ainda faria mais sentido. A haver uma reforma eleitoral, então deveria se ter olhado para todos os pontos e não apenas para o número de lugares de vereadores de Câmara. Dito isto, eu só acho é que esta alteração não deveria ter acontecido a meio das eleições a 27 de julho, dia em que fechavam as nomeções e se começava a segunda etapa da campanha… estas eleições começaram no dia 1 de maio. Desde então foi um vai e vem de decisões deixando os eleitores confusos, mas que penso já estar ultrapassado.

R.A.: Como referiu, a campanha arrancou oficialmente no dia 1 de maio. Que balanço faz de maio até à data da campanha eleitoral?
A.B.: Olhe, sobre a minha campanha, pelo que eu e a minha equipa estamos a fazer tenho que estar extremamente agradecida ao grupo de pessoas que aliás tem vindo a aumentar, são moradores da área, pessoas com quem trabalho nas áreas onde tenho estado envolvida… o envolvimento destas pessoas na minha campanha é algo que me deixa muito satisfeita. Neste momento estamos no pico da campanha, ou seja, é altura de bater às portas passar a informação e a mensagem para as pessoas. Esta campanha tem sido diferente devido à mudança dos distritos, começámos a campanha para a eleição de 47 vereadores de 47 distritos e agora são só 25 vereadores de 25 distritos o que altera toda a campanha e o planeamento inicial. Andámos a bater a portas que agora não fazem parte do distrito a que me candidato, Ward 9 – Davenport e depois devido à polémica as pessoas estavam preocupadas, confusas e queriam saber mais sobre isso, o que é compreensível, porém sobrava pouco tempo para falar do meu programa eleitoral e tornou-se difícil passar a mensagem, falar sobre os assuntos da área e da cidade. Agora que está tudo definido, espero conseguir aproveitar estas últimas semanas para passar o programa eleitoral a que me propos, para que depois do dia das eleições, 22 de outubro possa continuar a trabalhar no sentido de o concretizar em prol da comunidade.

R. A.: Esta mudança nos Wards, tornou a campanha mais fácil ou nem por isso?
A.B.: Agora a área é muito maior. A campanha por si é mais difícil, pois são mais habitantes, passámos de 65.000 para 108.000 habitantes, logo são mais portas e ir ao encontro de mais pessoas, imprimir mais panfletos e placas, angariar mais fundos para suportar a campanha, são necessários mais voluntários, etc. Por outro lado, estou satisfeita porque toda área que tenho tido o privilégio de representar até hoje, está incluida nesta nova divisão dos distritos. Com os 47 eu ia perder parte o que me entristeceu na altura, pois eu apeguei-me às pessoas, aos projetos e às organizações. Conforta-me saber que não perdi nada, pelo contrário, fiquei a ganhar mais.

R. A.: Agora a nível eleitoral, a campanha da Ana Bailão benifíciou da mudança?
A.B.: Ao nível de representação democrática, do lado do eleitor quanto menor for a área mais fácil será o acesso ao seu vereador. Agora, não posso negar que agora para além das pessoas que já representava e que me apoiam há 8 anos, tenho mais que já me conheciam e que passo a representar. Por esse ponto de vista, foi bom.

R. A.: É mais motivador saber que vai representar mais pessoas?
A.B.: É extremamente motivador, porque ser uma campanha muito maior, contudo também é mais exigente. Com a mudança são preciso pessoas que consigam conciliar o trabalho local com o trabalho a nível da cidade e penso que já demonstrei e demonstro que consigo fazer isso. Nos últimos 8 anos, tenho sido uma vereadora presente com resultados localmente, basta olhar para os projetos que foram realizados e outros aprovados, desde bibliotecas, parques e centros recreativos, reconstrução de estradas, etc. e conciliei tudo isto com uma das pastas mais importantes da Câmara que é a da Habitação e depois no ano passado ainda aceitei o cargo de vice-presidente da Câmara. Acho que mostrei que consigo gerir bem os grandes desafios que a cidade tem e ao mesmo tempo estar presente fazer o que está ao meu alcance para que a área que represento se desenvolva.

R.A.: Qual é o programa eleitoral da sua campanha e quais os pontos que se destacam?
A.B.: Em termos locais, esta ainda é uma área em transição. Esta área tinha muita industria, que foi fechando e por isso teve que haver uma revitalização e que tem vindo acontecer nos últimos anos e este é um ponto onde quero continuar-me a focar; a crição de novos postos de trabalho também me é importante e que com a revitalização das comunidades da minha área é algo que se pode fundir, porque só podemos ter uma área vibrante se trouxermos trabalho e não só habitação. É essencial revitalizar as ruas, criar habitação acessível para famílias e postos de trabalho através do pequeno comércio. A combinação destes três pontos vai sustentar a vitalidade das nossas ruas. Depois temos o trânsito, os congestionamentos, já tenho alguns projetos que vão aliviar um pouco as nossas estradas como vai acontecer com a linha Express de autocarros na Dufferin St. que vai comecar já em outubro e precisamos mais destas como por exemplo na Lansdowne Ave., Caledonia Rd. e Dupont St. Também me quero concentrar no trânsito aqui, na St. Clair Ave. W. e Weston Rd., pois às vezes somos mais rápidos a pé do que de carro. A Câmara já começou a trabalhar num projeto no sentido de alargar a St. Clair e fazer uma extensão da Davenport à Keele, porém o projeto ainda não está completamente financiado pelo nosso orçamento de projetos capitais e este é uma das minhas prioridades logo no primeiro ano, para que possamos conseguir esse financiamento o mais rapidamente possível. Tenho depois mais dois pontos importantes, a canalização das ruas, principalmente a norte temos tido muitas reclamações de inundações habitacional sempre que há chuvas torrenciais e há que acelarar os projetos de “Blood Protection”; e a questão da habitação para os idosos, é muito importante que os idosos da Davenport tenham um espaço, quer que seja para morar, de apoio recreativo e social.

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