Psicologia

Perfeição… nao caia nessa armadilha

fevereiro2016

Desde sempre que existe a eterna busca pela perfeição. Ousaria dizer que essa busca está inerente a toda a raça humana deixando uma pequena parte(como em toda regra há exceção, nesta também há!)de fora, pertencendo à ética humana. A grande maioria das pessoas procuram incessantemente pelo auge em alguma ou em várias, e ainda pior, em todas as áreas da sua vida.
Mas o que é ser perfeito em alguma coisa? Seria algo completo, sem retoques, algo primoroso, sem senãos e que reúne todas as qualidades, que não deixa dúvidas, que não inclui defeitos e nem admite erros, que não necessita de melhorias sob nenhuma circunstância; onde há um manancial de potencialidades que desponta numa realização soberba. Mas a perfeição é uma ideia de natureza utópica, sem possibilidades de ser alcançada universalmente, pois será sempre de uma estirpe de cunha individual, logo, nunca sendo de senso comum… E se não é comum a todos, não se rotula como tal.
Toda a procura pela excelência tem um preço muito alto e os riscos que se correm nem sempre são contabilizados ou previstos.
Hoje em dia o que está em voga, ou mais popularmente falando, o que está na moda é a busca pelo corpo perfeito. Essa obsessão (que classifico assim pois o mercado está a enlouquecer as pessoas através da sua ditadura) vai muito além do que até então preocupava toda as áreas da medicina, nutrição e psicologia. Está para além da busca pela beleza de uma sílfide que mal se alimenta e se torna aos poucos escravizada por um molde, que às vezes, até pela própria constituição corporal, jamais poderá alcançar. É a velha influência que nos conduz por este ou aquele caminho, imperando sob rótulos e marketing muito bem direcionado e cada vez mais trabalhado.
Um corpo perfeito é tudo: inclui muito mais que um rosto bonito, que até acho eu, dentro da minha perceção, ter passado para segundo plano. Um corpo perfeito é um corpo trabalhado horas e horas num ginásio ou espaço semelhante, cheio de definições e músculos. Sim caros leitores!Uum corpo perfeito tem que ter músculos se quiser entrar nesse hall de supremacia das qualidades. Exige horas e horas de treino e tratamentos intensivos. Tem que correr quilómetros, subir e descer de máquinas (que só faltam falar, tal a tamanha competência de que já são constituídas), levantar pesos pesadíssimos, suar como um camelo no deserto, alimentar-se basicamente de proteínas e hidratos de carbono bem contabilizados na balança… Depois vem a mega-master onda do momento que é a suplementação (ou nutrição desportiva como já li por aí) com wheys, caseínas, creatinas, pré-workouts e afins, pois a listagem não caberia nesta página.
Isso tudo somado, resultaria numa perfeição que se acomoda em outras áreas, mas isso seria crueldade minha estar a falar aqui. Do que vejo, muitas dessas pessoas super-saudáveis ao se alimentarem, só comem produtos orgânicos e de origem o mais natural possível, pessoas que fazem todas as atividades desportivas recomendadas pela OMS e muitas mais, mas nas discotecas, passam a noite a ingerir altas doses de álcool e tabaco… Mas, ok, não são todas claramente, foi só um desabafo!
fevereiro2016Voltando ao corpo perfeito… Toda essa causa requer um equilíbrio, como tudo na vida. Nem tanto à terra nem tanto ao mar. Qualquer coisa que seja excedente, que sinta que está a ir além do que seria normal, acredite, pode estar a colocá-lo seriamente em risco. Comer de forma saudável é maravilhoso, desde que não implique reduzir a sua alimentação a ponto de se tornar até mesmo desequilibrada. Exatamente isso – desequilibrada, pois o nosso cardápio tem que ser constituído de forma que todas as vitaminas e proteínas sejam incluídas. Depois quanto ao ginásio, tratamentos estéticos e afins, também deveriam ser em doses que seu corpo tolere e que não lhe cause uma tortura emocional. Quanto à necessidade de perfeição, aposte no trabalhar de forma que lhe dê prazer e não só nos resultados mas também durante o processo. E por último, não tenho nada contra a busca em ser melhor, mas ser melhor nunca será ser perfeito, inclusivo o perfeito assusta-me, pois para mim é surreal. Real é ser honesto consigo próprio, é fazer aquilo que se pode fazer sem se cobrar impostos mentais por não ter ido ao ginásio hoje, por não ter feito uma poupança ($$$) para fazer as 300 sessões para acabar com aquela celulitezinha que não deixa sair de casa e simplesmente ir à praia com os amigos… Não estou a contrariar os que pensam que fazer desporto e cuidar-se é a melhor saída para um bom resultado a nível corporal, só estou de facto a alertar que a nível mental se esteja tão feliz e disposto tanto quanto possível. Aposto sim, todas as fichas, numa existência com melhor qualidade, com contornos salutares, desde que permaneça um limite entre o ser saudável, comprometido com um estilo de vida sadio e que a manipulação de mil e um métodos extraordinários que geram a ideia de que podem promover tal magnitude corporal, lhe venham um dia a prejudicar por causa dessa busca que de facto muitas vezes é angustiante e irracional, deitando abaixo a nossa auto-estima em vez de aumentá-la… Mas essa parte veremos numa próxima conversa!
Contudo, volto a frisar: o seu feio pode a mim parecer bem bonito. É individual a perceção da realidade. Percebemos através de vários recetores que temos no nosso organismo, logo, cada um de nós percebe de forma diferente qualquer informação dada pelo mundo externo e que, de acordo com a sua natureza, ser-lhe-á conferida uma importância, um valor, sendo organizado e interpretado de acordo com nosso próprio paradigma. Temos que aprender a viver de acordo com nossas possibilidades. Encontrando equilíbrio nas nossas ações e almejando sempre evoluir, sem cair nas teias do modismo, que é passageiro e fútil. Respeitando os nossos limites e promovendo um encontro singelo com um bem muito maior que a perfeição, um bem-estar chamado PAZ INTERIOR!
Cuidado! Seja quem você consegue ser. Melhore e cuide do que você já tem. O resto, se der, vem depois… como uma sobremesa!
fevereiro2016

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