Literatura

Rosário Pereira – Sentimentos

 

março 2016

Fotos: Direitos Reservados

 

RA – Sentimentos. Fale-nos um pouco sobre o livro.
Rosário PereiraO livro “Sentimentos” reflete um caminho de quedas, amores, desamores, encontros, desencontros, confissões, nudez do ser, sensibilidade interior, perdas, mas também alegrias e euforias, demonstrados em palavras que estavam perdidas num caderno. Espelha momentos que de alguma forma me marcaram, num espaço de tempo da minha vida, que quis encerrar com a publicação deste livro e a partilha com o público. Sobretudo passar a mensagem que existe sempre uma maneira de contornar situações menos boas.

Revista Amar – Sendo esta a sua primeira obra literária, fale-nos um pouco sobre o gosto pela escrita. Como surgiu?
Rosário Pereira – Eu acho que surgiu desde que aprendi a escrever. Aos 12 anos participei no meu primeiro concurso de escrita e desde então comecei a escrever quadras, depois poemas inteiros e também alguns contos. Escrever faz-me sentir bem, aliviar e soltar o que me vai na alma.

março 2016

RA – Poesia. Porquê este género literário?
Rosário PereiraPara mim a poesia é a forma mais livre para soltar as emoções da alma. Uma escrita virada para os desabafos interiores que demonstra os sentimentos que estiveram à flor da pele. Sinto a poesia como uma forma livre de escrita, visto que não tem que seguir nenhuma sequência lógica ou um raciocínio coerente, mas sim ouvir o interior e transpor para o papel. Existe sim um jogo de pensamentos e palavras daquilo que nos vai na alma. Para mim a poesia é a liberdade da escrita.

RA – Acha que os “jovens de hoje” têm interesse pela leitura e, mais concretamente, pela poesia?
Rosário PereiraHoje em dia, os jovens não tem interesse nenhum pela leitura, menos ainda pela poesia. A poesia é um género difícil das pessoas gostarem e por vezes difícil de entenderem. Antes preferem uma boa história com um final feliz. Hoje em dia as novas tecnologias distraem, não só os jovens mas também os adultos e talvez por isso a leitura fique sempre para último plano. Provavelmente, devíamos criar mais iniciativas que incentivassem à leitura, mais propriamente à poesia.

RA – Fale-nos um pouco sobre as dificuldades dos escritores portugueses, principalmente no início de “carreira”.
Rosário PereiraÉ muito difícil ser escritor português e pior ainda quando estamos em inicio de carreira. As exigências das editoras são muitas, as tiragens são elevadas para não falar do contrato que só satisfaz a editora e que se torna muito dispendioso para quem começa na área da escrita. Para quem se lança no género da poesia, a coisa complica-se uma vez que quase tem escrito um rótulo com: “Não são bem vindos” porque não vendem ou são mais difíceis de vender. As livrarias, por consequência, dão mais destaque aos livros cujos autores já tem nome de mercado ou são conhecidos da televisão ou outros, o que na minha maneira de ver deveria ser ao contrário. Para além disto ainda há a falta de divulgação por parte das editoras, sendo que o deles está garantido com o assinar do contrato. Esta divulgação tem de ser feita por nossa conta, o que tem muitos custos, mas é a única forma de fazermos chegar a nossa escrita a mais pessoas, tentando levar um bocadinho mais longe o nosso livro e chegar ao máximo de leitores possível. Só assim faz sentido a publicação de uma obra. É um trabalho muito difícil, mas ao mesmo tempo é muito gratificante saber que temos mais um leitor.

RA – Houve alguns autores que a tenham influenciado e deixado marcas com as suas obras e que tenham servido de alguma forma de inspiração?
Rosário PereiraNão tenho nenhum autor preferido, embora goste muito de ler e reler alguns poetas contemporâneos que marcaram a nossa história. De todas formas acompanho vagamente a publicação de poesia dos escritores de agora e gosto. Todos eles, de certa forma, me inspiram.

RA – Quem é a Rosário Pereira?março 2016
Rosário PereiraÉ difícil falar sobre mim, mas posso dizer que sou uma mulher simples, sensível, gosto de ajudar os outros sempre que me é possível. Sou uma mãe dedicada que quer ver o filho feliz. Amo a minha família, adoro os meus amigos (eles sabem quem são). Luto por aquilo que acredito. Completo-me com a fotografia e com a escrita. Adoro viajar e passear pela natureza. Não dispenso um copo de um bom tinto nem a música.

RA – Além da mundo da escrita, quais os hobbies a que se dedica?
Rosário PereiraVisto que já trabalho em fotografia a nível profissional mesmo sendo em partime, a música e os trilhos pela natureza são o que adoro fazer. A música porque me teletransporta para outras experiencias, sendo que parte da escrita. Os trilhos porque me trazem paz e me dão a descobrir locais e paisagens lindíssimas.

RA – Qual o sítio ou situação ideal para dar largas ao seu imaginário e escrever?
Rosário PereiraNão tenho sitio nenhum em concreto, é mesmo onde calhar. Uma frase, uma imagem, uma música, local ou situação qualquer me podem levar a escrever desde que mexa algo dentro de mim. Pequenas particularidades de alguma coisa que me despertam algum tipo de sentimento e me levam à escrita. Já me aconteceu escrever durante um concerto de Jazz e por ver uma fotografia de um grafites.

RA – Lápis ou caneta?
Rosário PereiraCaneta. É mais difícil apagar.

RA – Sendo mãe, qual o conselho que deixaria aos pais e avós para incentivar a leitura e escrita aos seus filhos e netos?
Rosário PereiraExistem várias formas de os incentivar. Por exemplo, oferecer livros dos temas que lhes despertam a atenção, resumir histórias de livros que nós já lemos por forma a cativar a curiosidade deles. Levá-los a lançamentos, que hoje em dia mistura várias artes e formas divertidas de os apresentar. Levá-los a livrarias e ajuda-los a descobrir livros com temas que eles gostam e de preferência uma estante bem cheia de livros na sala ao pé da televisão.

RA – No último ano foram introduzidas algumas alterações à língua portuguesa, através do novo acordo ortográfico, no sentido de uniformizar a escrita nos vários países lusófonos. Qual a opinião da Rosário sobre estas alterações?
Rosário PereiraEu vi-me obrigada a alterar a minha forma de escrita por causa dessa mudança. Se concordo? Não. Não concordo, pois a nossa língua é única e não temos, de forma alguma, de nos uniformizar, pois cada país tem a sua característica e faz parte da história de cada um. Para mim não faz sentido, até porque a fonética será sempre diferente dos outros países de língua portuguesa.

março 2016

RA – Quais os planos para o futuro ao nível da literatura? Continuará a escrever?
Rosário PereiraOs planos de futuro é continuar a trabalhar no meu segundo projeto, segundo livro, onde vou juntar as duas artes que me completam, a escrita e a fotografia, tudo da minha autoria. São textos com jogos de palavras associados a fotografias feitas também por mim. E sim, vou continuar a escrever, não só poesia, mas também pequenos contos e textos com jogos de palavras.

RA – Uma mensagem para os seus leitores…
Rosário PereiraQue os adoro, sinto-me feliz por me lerem, todos eles são importantes para mim e que me continuem a acompanhar… Vou lançar novidades…

[…]

Ficamos então à espera.
A Revista Amar deseja as maiores felicidades à Rosário Pereira e agradece a oportunidade concedidade para podermos a conhecer um pouco melhor a si e à sua obra.
Fica a sugestão para os seus momentos de leitura… “Sentimentos”.

Para aquirir “Sentimentos” de Rosário Pereira:
www.chiadoeditora.com/livraria/sentimentos-de-rosario-pereira

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