Portugal

Linha do Corgo

Encontros com o Património da Humanidade II

Alto Douro Vinhateiro
Roteiro Turístico por Vila Real

Linha do Corgo

Caso a linha do Corgo ainda estivesse em funcionamento, a qual ligava as estações da Régua, na linha do Douro, e Chaves, numa extensão de 96,350 Km. O turista teria a oportunidade de degustar com os seus cinco sentidos uma viagem através do tempo. O comboio ao subir lentamente pela encosta escarpada, o vale surge-nos como um despenhadeiro profundo, vertiginoso e de uma beleza única, com os flancos recortados de socalcos plantados de vinhedos até ao cume, ponteados por pequenas povoações e quintas dispersas na paisagem humanizada. Depois de vencidas várias estações e apeadeiros, eis-nos chegados a Vila Real. Caro leitor, esta viagem só é possível nas recordações e memórias de outrora. Para os menos atentos, a população desta região transmontana ficou privada deste meio de transporte, devido ao encerramento da linha do Corgo ao tráfego ferroviário, a partir de 1 de janeiro de 1990.

Parque do Corgo

Partindo da antiga estação do comboio da linha do Corgo, em direção ao coração de Vila Real e ao atravessar a ponte, podemos acompanhar o rio Corgo e vislumbrar o parque com o mesmo nome. Situado nas margens do rio tem uma área de cerca de 33 hectares. Está ligado ao Parque Florestal, o verdadeiro pulmão da cidade, dotado de um circuito de manutenção, que convida à prática desportiva e a hábitos de vida saudáveis.

Gastronomia

Depois deste périplo pelo Alto Douro Vinhateiro e sendo horas de almoço, nada melhor que escolher algo típico da região para o repasto. A sugestão do chef seria uma alheira de Mirandela como entrada. A alheira é um enchido tradicional português muito apreciado. Tradicionalmente tem como ingredientes a carne e a gordura de porco, carne de aves, pão de trigo, azeite, banha, sal, alho e pimentão. Reza a história que a alheira foi inventada nos finais do séc. XV pelos judeus refugiados em Trás-os-Montes. Como a sua religião os impedia de comer carne de porco acabavam por ser facilmente identificados: quem não produzisse os típicos enchidos de carne de porco muito possivelmente seria judeu, e isso era meio caminho para a perseguição… Para convencer a Inquisição da sua conversão ao Cristianismo, pelo menos na aparência, e assim serem poupados às respetivas punições, os judeus começaram a fazer pequenos enchidos dourados que pareciam conter carne de porco. Claro que na realidade o que tinham era carne de aves e de outros animais. Como prato principal um coelho à moda de Vila Real, manso e guisado, com batata cozida e grelos.

Acompanhado de Mateus Rosé, um vinho com personalidade forte e sabor único. Para sobremesa as tigelinhas de laranja (pequenas formas forradas com uma massa de farinha, manteiga e água, que se enchem de com um preparado de açúcar, gemas e sumo e raspa de laranja). Boa comida e boa bebida, apreciada pelos portugueses e por todos aqueles que escolhem o Douro para uma estadia inesquecível.

Por terras de Panóias, o forasteiro espera encontrar vestígios do passado recente, mas também visitar alguns ex-líbris da urbe duriense. Poderá seguir no rasto do arquiteto Nicolau Nasoni ao visitar na cidade, o Solar de Mateus e a Capela Nova ou dos Clérigos. A também conhecida por Casa de Mateus é dos melhores exemplares da arquitetura civil barroca rodeado dos seus magníficos e encantadores jardins. Foi construído em meados do séc. XVIII e alguns autores atribuem a obra a Nasoni, sobretudo pela exuberância barroca da fachada principal e da capela. A capela palatina foi construída em 1750 e as suas raras proporções – muito alta para o comprimento e a largura de que dispõe – além das particularidades decorativas que levam a ser comparada com a Igreja dos Clérigos de Vila Real. Por sua vez, esta trata-se de um templo elegante, com uma fachada imponente. Nada como uma visita ao seu interior, para apreciar os painéis de azulejos sobre a vida de São Pedro e de S. Paulo.

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