Língua Portuguesa

O hino português – a sua génese

O Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas

 

De volta à escrita e com as comemorações do 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em pano de fundo. Neste dia simbólico para a diáspora portuguesa no mundo, cito uma frase de Teixeira de Pascoaes, “ Pelo Tejo fomos para o mundo… mas quantas vezes estivemos ausentes dentro de nós? Preferimos a Índia remota, incerta, além dos mares, ao bocado de terra em que nascemos (Teixeira de Pascoaes).” As viagens sempre fizeram parte do espírito luso, a demanda de outas latitudes, bem como o contacto com outros povos, culturas e novos conhecimentos. Esta vontade recorrente de andarilho em busca das sete partidas do mundo faz-nos lembrar Gil Eanes, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Fernão Mendes Pinto e todos os outros portugueses anónimos que ontem e hoje fazem da partida à aventura, a solução para os seus problemas. A saudade guia o regresso, a necessidade empurra-os para um exílio forçado.

Este ano o mais alto magistrado da nação, o senhor Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa presidirá às comemorações do dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, em Ponta Delgada, na Região Autónoma dos Açores e em Boston e Providence, nos Estados Unidos da América, cruzando o Atlântico. Quando o hino nacional “A Portuguesa” soar será entoado com vigor e sentimento de pertença, mas quantos conhecem a sua verdadeira história.

Cada vez mais os símbolos nacionais são utilizados para manter a coesão nacional, por forma a manter a unidade dos portugueses e a sua identidade como povo. O nosso hino teve a sua génese aquando do ultimato inglês e a questão do mapa cor-de-rosa que opôs Portugal ao império britânico.

 

A marcha A Portuguesa, hoje executada como Hino Nacional, surgiu como protesto dos republicanos, em 1980, contra a cedência política de D. Carlos I ao ultimato Inglês (Mapa Cor-de-Rosa – Pretensão portuguesa de anexar os territórios africanos entre Angola e Moçambique). Na primeira tentativa de implantação da república em 1891, na cidade invicta, no Porto, A Portuguesa fora adotada como cântico revolucionário anti-monárquico, sendo proibida pelo Rei. Esta marcha sofreu alterações ao longo do tempo, até ser oficializada como actual hino nacional.

Os autores da letra e música do Hino Nacional que foi oficializado em 1911, Alfredo Keil (1854 – 1907) frequentou com 14 anos um curso de pintura na Academia da Baviera, tendo posteriormente frequentado a Academia de Belas Artes, em Lisboa. O Ultimato Inglês inspirou-o a escrever a música de A Portuguesa. O Henrique Lopes de Mendonça (1856 – 1931), aspirante da Marinha, reformou-se como capitão-de-mar-e-guerra em 1912. Henrique Lopes de Mendonça como dramaturgo escreveu inúmeras obras, tendo colaborado na escrita da letra de A Portuguesa.

Como símbolo nacional, o nosso hino é tocado em cerimónias civis e militares onde se presta homenagem a Portugal, à Bandeira Nacional, ao Presidente da República. Conforme o protocolo, o hino é tocado ou cantado, segundo várias versões do mesmo, desde que respeite as disposições apresentadas no Diário do Governo, 2ª série, n.º 206, de 4 de Setembro de 1957.

A versão do hino nacional mais conhecida da população será aquela da partitura que transcrevo neste artigo, muito embora a letra tenha pelo menos mais duas estrofes, estas foram retiradas do Hino em 16 de Julho de 1957, e já não são cantadas.

Heróis do mar, nobre povo, Nação valente, imortal, Levantai hoje de novo O esplendor de Portugal! Entre as brumas da memória, Ó Pátria sente-se a voz, Dos teus egrégios avós Que há-de guiar-te à vitória!

(Refrão) Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira, À luz viva do teu Céu! Brade a Europa à terra inteira; Portugal não pereceu. Beija o solo teu jucundo, O Oceano, a rugir de amor,

E teu braço vencedor Deu mundos novos ao Mundo!

(Refrão) Às armas, às armas…

Saudai o Sol que desponta Sobre um ridente porvir; Seja o eco de uma afronta O sinal de ressurgir. Raios dessa aurora forte São como beijos de mãe, Que nos guardam, nos sustêm, Contra as injúrias da sorte.

(Refrão) Às armas, às armas…

 

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