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Caos, ordem e desenvolvimento

É com extremada relevância que a desordem se impõe aos ritmos ordenados da vida, provocando a oportunidade de desestabilizar e, portanto, incomodar e convidar ao desassossego, permitindo assim os avanços que só acontecem mediante mudanças. Aquele que espera por estabilidade contínua certamente se frustrará, além de não compreender a essência das transformações e do desenvolvimento, retardando maior velocidade a que tem direito nas passadas que adentram o saber e o estreitamento da relação entre o presente e o futuro.

Direitos Reservados
Pintura
Albero del Caos
Marco Pignagnoli
2013

O caos faz parte da sobrevivência e aperfeiçoamento das espécies, em destaque o ser humano. Algumas ciências assim o atestaram inequivocamente através das comprovadas transformações geológicas e das mutações genéticas que imprimiram novos resultados ao longo de milhares de anos. Sem a devida inquietude tendemos à acomodação aprisionadora. As sociedades se beneficiaram do espinho caótico que lhes importunou ao ponto de se reorganizarem dramaticamente (política e economicamente, por exemplo) a fim de se manterem sobreviventes na corrida global e quiçá galgar lugar no atraente ponto alto do pódio.

Mas como se processa tal análise na vida corporativa? Um interessante foco incide sobre os profissionais cujo desempenho evolutivo se situa, grosso modo, em escores empobrecidos. Embora alguns poucos alcancem altas pontuações na escala dos resultados, muitos outros, contudo, demonstram rigidez e atraso. Dentre os inúmeros fatores que se combinam e estabelecem a fórmula de tal resistência ao progresso destacam-se a falta de clareza sobre o que se quer fazer de fato na vida; a ausência de métodos para o melhor aparelhamento frente à competição que se torna crescentemente mais agressiva (não se pode esquecer a poderosa informação genética acerca da luta pela sobrevivência); falsas e enraizadas crenças que sinalizam o paternalismo estatal ou de qualquer outra fonte como o adequado remédio social em detrimento do esforço próprio e da autonomia consequente; e, notadamente, a incompreensão que orbita na esfera das perturbadoras alterações sociais.
Se o chacoalhar das conturbações que antecede as inovações profissionais for entendido apenas como um mal-estar inevitável, sem se extrair dele maior proveito que estimule o crescimento, então resta somente fazer-lhe oposição, impedindo, por conseguinte, a própria imersão na oportunidade que passa bem à frente mas é irrefletidamente ignorada. O trem passa e o passageiro fica. A fumaça exalada na estação é vista como um malefício intoxicante que lhe serve oportunamente de desculpa para não ingressar na beneficiadora viagem. É o autoengano dando as cartas no triste jogo do atraso e da omissão do desenvolvimento para consigo mesmo.

Enquanto não houver abertura e maior consciência sobre a serventia do caos das transformações, pouco (ou nada) se enxergará acerca da ordem e do desenvolvimento que se sucedem peculiarmente. As corporações devem estimular a gestão da mudança em seus colaboradores, é claro, mas é certo que deve partir deles, logicamente, a reflexão e o movimento que pretendem atrair a prosperidade.

Armando Correa de Siqueira Neto
Psicólogo e Mestre em Liderança

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