À conversa com Joe Puga - Revista Amar
EntrevistasMontreal

À conversa com Joe Puga

Joe Puga & a mascote do Festival Portugal Montreal
Fotografias gentilmente cedidas por Joe Puga

 

Joe Puga é um nome incontornável da comunidade portuguesa de Montreal, Quebec. Filho mais novo de emigrantes açoreanos, ilha de S. Miguel, foi o único dos 5 irmãos a nascer no Canadá.
Para quem não conhece, Joe Puga para além de ser cantor, com 9 Cd´s gravados e produtor, é também o fundador do Festival Portugal International Montreal em 2014, depois de ter recuperado de um aneurisma cerebral quase fatal.
Joe Puga descobre bem novinho a sua “veia musical”, talvez por influência herditária já que a sua mãe também cantava lindamente, porém nunca em público.
Aos 16 anos estreia-se no grupo “Reality” seguindo-se outros, como os “Fruit de la Pasion “ e que com a canção Tic. Tic. Tac., alcança o auge da sua carreira e é distinguido pela sua editora KLM Records com o disco d’ouro pelas vendas, deste single, superiores a 2 milhões de cópias. O primeiro álbum a solo de Puga intula-se “O Canadiano Português” e o mais recente “ViVa” que é o culminar dos 25 anos de carreira artística. Hernani Raposo teve a responsabilidade das gravações e os temas escolhidos são “covers” para mostrar a sua plurivalência interpretativa.
Joe Puga é fluent em português e um grande defensor da música portuguesa, mas fala e canta também em francês, inglês, italiano e espanhol.

Os meus pais fizeram parte daqueles primeiros grupos de emigrantes,
praticamente foram pioneiros da comunidade portuguesa de Montreal,
e para eles era muito importante que os filhos falassem o português
e que praticassem as nossas tradições

Revista Amar: Revista Amar: Joe, fale-nos de si?
Joe Puga: O meu nome de batismo é José Carlos Pinheiro Puga, sou luso-canadiano, nasci na linda cidade de Montreal, Quebec, a 8 de agosto e tenho raízes bem açoreanas. Sou o mais novo de 5 irmãos e de todos nós fui o único a nascer no Canadá. A minha mãe é da Ribeira Seca e o meu pai da Ribeira Grande, ilha de S. Miguel, Açores.

R. A.: É cantor reconhecido com vários trabalhos editados. Com que idade descobriu que queria cantar?
J.P.: Sempre houve música em casa e vim a descobrir mais tarde que a minha mãe tinha uma voz lindíssima. O meu desejo de cantar veio quando eu ainda era criança e a minha mãe dizia que eu comecei muito cedo e que adorava cantar e que com 5 anos cantava à frente de um espelho com uma caneta na mão. Aos 16 anos integrei o grupo “Reality”, aqui em Montreal e nessa altura constatei que a reação do público foi muito positiva e até fizemos vários contratos. Foi naquela altura que eu vi que havia a possibilidade de ir atrás da minha paixão, desde menino, de cantar. E agora já lá vão mais de 30 anos.

R.A.: Quantos trabalhados discográficos tem? São todos em português?
J.P.: Tenho 9 cd´s que englobam alguns singles e compilações. Não são todos em português porque tenho a sorte e privilégio de falar e cantar em cinco línguas: português, francês, inglês, italiano e espanhol.

R.A.: Para quando um novo trabalho?
J.P.: O meu mais recente trabalho chama-se “ViVa”, mas já estou a escrever com colegas e colaboradores, que já colaboraram no passado comigo, em novos temas para o próximo, que sem prometer poderá ser em 2019.

R. A.: Hoje faz parte integrante da comunidade portuguesa. Essa ligação com a comunidade começou quando?
J.P.: Os meus pais fizeram parte daqueles primeiros grupos de emigrantes, praticamente foram pioneiros da comunidade portuguesa de Montreal, e para eles era muito importante que os filhos falassem o português e que praticassem as nossas tradições, muito embora eles foram pessoas que se integraram na sociedade e mercado canadiano. A minha ligação começou desde míudo, com 5 anos comecei a dançar no folclore, depois veio a música, peças de teatro… eu sempre estive ligado à nossa comunidade.

Eu sou muito grato
porque consegui sempre viver
das minhas duas grandes paixões,
que é a música e o marketing

R.A.: Em 2014 funda o Festival International Português de Montreal. O que o levou a fundar o festival? Foi porque a comunidade gostava de ter um festival ou porque a comunidade merecia ter um?
J.P.: Sinceramente, como cantor e depois ter participado em vários festivais pelo mundo, com toda a transparência, sempre que regressava a Montreal pensava “mas nós também devíamos ter um festival, um evento que não seja reliogioso…”, porque, como é sabido, a comunidade portuguesa tem muitas festas religiosas. Aqui, em Montreal, somos uma comunidade com apenas 50.000 portugueses porém muito ativa e, com todo o respeito, só havia festas religiosas. Obviamente que é muito importante manter as nossas tradições, mas temos que olhar para o futuro, os nossos jovens, e que haja algo para eles também, porque os luso-descendentes que nasceram cá precisam de algo diferente. Eu acho que a comunidade “sonhou” comigo há muitos anos, tanto que o entusiasmo, o apoio e a aderência da comunidade quando lançámos os projeto foi muito forte. E sim, a comunidade merece um evento grande onde estejam todos juntos num fim de semana para festejar as nossas raízes, sobretudo os emigrantes que “vivem” mais Portugal e têm mais saudades.

Joe Puga & Viviane Lourenço no Festival Portugal Montreal 2016

R.A.: Quando e onde é que se realiza o Festival? E em que consiste?
J.P.: O Festival é realizado no bairro português, para os portuguese e lusofónos, sempre por volta do fim de semana do Dia de Portugal, 10 de junho. São 3 dias com espaços diferentes: espaço do Fado, de Música Popular, de Rock, etc. Os artistas são locais de Montreal, de Toronto, dos EUA, de Portugal e já tivemos do Brasil, Cabo Verde entre outros. Costumamos ter um elenco bastante diverso para todos os gostos e para que todos fiquem super satisfeitos. Nós temos um palco moderno e gigante, porque é importante apresentar aos jovens qualidade. Os objetivos são preservar a cultura portuguesa da nossa comunidade em Montreal e educar sobre o património português.

R.A.: Já estão a trabalhar no programa da edição do Festival de 2019?
J.P.: Neste momento estamos em plena reestruturação da direção do novo conselho e estamos à procura de novos membros e, como é óbvio, ainda não temos um programa feito para 2019, mas em princípio teremos o programa completo nos fins de janeiro.

Joe Puga a cantar “Tola Bengla” durante a apresentação do seu novo trabalho “Viva”

R.A.: Sabemos que é cantor e organizador de eventos. É fácil viver só do Mundo da Música?
J.P.: Acho que hoje em dia, todas as pessoas ligadas às artes tem que criar um “império” porque este ramo mudou muito. Eu sou muito grato porque consegui sempre viver das minhas duas grandes paixões, que é a música e o marketing. Sou formado em Marketing e trabalhei mais de 20 anos na industria da hotelaria e fiz parte da equipa executiva da cadeia de hotéis Holiday Inn.

R.A.: Gostava de o convidar a deixar uma mensagem de Natal aos nossos leitores?
J.P.: Desejo a todos que este Natal seja repleto de paz, amor, alegria, gratidão, esperança para todos e aproveitem o ano de 2019 para passar mais momentos com aqueles que vos sejam mais queridos e amados. Não se esqueçam de telefonar a um amigo, porque às vezes um telefonema vale muito e não se esqueçam das coisas importantes da vossas vidas. Desejo-vos boas festas e que a vida vos traga todo de bom.

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