SHIVERS - Azeite com distorção - Revista Amar
Música

SHIVERS – Azeite com distorção

O rock popular é a festa da aldeia. Uma reunião entusiasta, de júbilo, de folguedo. O apuro e a perfeição, com os próprios ideais para lá da música envolvente. O conceito que derruba cegueiras morais, que enfrenta o mundo a partir de atitudes concretas. Desde o início dos anos cinquenta.

Dois Mil e Nove. O ano da morte de Michael Jackson, vítima de paragem cardíaca. O ano da viagem Apostólica do Papa XVI a África. Um ano comum do século vinte e um. Por entre outras efemérides, o ano dos Shivers. A banda representada – e empolgada – por Igor Azougado na voz, na guitarra e no acordeão; e João Arroja na bateria, na gaita e na pandeireta. Os comparsas do costume. Os que carregam na bagagem o lema da curtição, o repelir das atuações ao vivo com extrema calda de açúcar queimado; o verdadeiro caramelo. Os que não sucumbem ao que mais é dado a vender.

Há amor nos Shivers, e no Pinhal Novo; terra recheada de caramelos. Porque a música – e o entusiasmo acontece – influência as pessoas todas, o redor, o mundo. O amor cresce na vida das gentes à janela, simples. Um amor que sobeja da partilha de algo concreto, exemplar.

“Somos amigos desde a infância, é como se estivéssemos ligados um ao outro, é como se fossemos irmãos, e na música é igual…”

Igor Azougado

 

Um complexo de ideias que adquiriu força, que alcançou uma realidade altamente absoluta, incontornável. A irreverência e a excentricidade, a eloquência que estampam em cada música. Como da primeira vez, sempre como da primeira vez.
O primeiro álbum de originais desperta para o planeta no dia Onze de Outubro de Dois Mil e Nove, com fama de “Rock Popular Caramelo”. Com mais de trezentos vídeos na internet, a banda provocada pela MTV Portugal para rodar o videoclip “Epah”, rapidamente conquistou o quinto lugar da Hit List Portugal. O single de lançamento e a estreia em televisão. A banda que veio para ficar, agarrar, morar, trazer um pouco mais de história ao mundo; através da força de expressão corporal, de todas as contradições.

Duradouros como o Douro, e de ouro os admiradores que os seguem, num ápice atravessaram as expectativas do Porto Canal; partiram a casa no Live Room Five, com Mónica Amaral e Tiago Pereira; não desiludiram no Março Jovem, em Dois Mil e Onze, no Seixal; mortificaram de forma positiva a Festa da Cerveja, junto à Casa do Povo de Pontével; espalharam pipocas e azeite no espaço Rock in Shots, em Dois Mil e Dez; por entre outras presenças espalhadas um pouco por todo o país. Um caloroso brinde à amizade, a comemoração de uma carreira em desembaraçada ascensão. Como diz Bono Vox “Como estrela de rock, eu tenho dois instintos; quero divertir-me, e quero mudar o mundo. E tenho realmente a oportunidade de fazer ambas as coisas.”

“Se não gostarem, ao menos que se divirtam.”

João Arroja.

Este ano irrompem os mares – o regresso dos que nunca partiram – com o álbum “Azeite com Distorção”. Iniciamos a viagem com a “Revolta dos Kebabs” a servir de ementa fundamental, e depois das pipocas com azeite, sempre na companhia da “Maluca do Terceiro” que circula pelo “Desencaminhar” de todos os comportamentos sociais, a “Fuga do Chá” das cinco da tarde, ou seja, a música “Tá Garantida”, inevitavelmente.

O rock é a alegria expansiva da alma; sente-se, vive-se, não importa como, mas a intensidade grita. Os Shivers funcionam como uma espécie de boia de salvação para o pessimismo. A banda que não felicita a ausência de coragem, que acredita na luta, na conquista severa e, acima de tudo, na felicidade a tempo inteiro.

Sejamos felizes, ou sejamos Shivers; é a mesma coisa.

André Marques

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