Atenção mundo! Vem aí RIA, a pequena miúda de olhos mágicos e voz única - Revista Amar
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Atenção mundo! Vem aí RIA, a pequena miúda de olhos mágicos e voz única

Victoria Azevedo

Roco Romelo/Arrival Music Group/MDC Music

 

Nas suas muitas atuações ao vivo com tão tenra idade, os covers de “I Who Have Nothing”, o megahit de Tom Jones e “Wild Horses” dos Stones já se tornaram músicas de referência para ela. Agora, segue um treino vigoroso da voz, de piano, de dança, improvisação e representação.

Nascida Victoria Azevedo a 4 de janeiro de 2002, depois do seu médico ter declarado que os seus olhos eram os mais bonitos que já vira, Ria abalou o mundo com uma voz incrível que tem” estilhaçado” os corações de quem a ouve, incluindo os mais importantes do mundo da música. Para simplificar, esta voz que passa de uma suave carícia a um grito profundo é de nos deixar de queixo caído. A sua habilidade de criar uma música está muito além da sua tenra idade.

Aos dois anos, a Ria cantava ao som dos U2 enquanto passeava de carro com o pai. Na creche da sua mãe, aos 4 anos já mostrava habilidades de liderança precoce quando alinhava as outras crianças em filas e “produzia” espetáculos. Esta crianca feliz, entrou aos dez anos na competição de canto Long & McQuade e ganhou o Grande Prémio, e como resultado, gravou um álbum. Ela fez parte da Idol School, do Kiwanis Festival (simbólicos nos anos 90), gravou dois álbuns com os Mini Pop Kids e participou na digressão dos espetáculos ao vivo pelo Ontário, ela foi vencedora da famosa competição Honey Jam em Toronto onde foi aplaudida de pé por toda a plateia no The Mod Club, tendo sido a concorrente mais jovem com apenas 11 anos. Em 2018 foi uma das primeiras concorrentes do programa de televisão “The Launch”.

A Ria partilha o seu talento no máximo de eventos de caridade possível, entre eles um concerto de arrecadação de fundos para o terremoto nas Filipinas, o Youth and Brazilian Fest, hospitais, lares de idosos e eventos da comunidade portuguesa. Ela emprestou o seu talento a Sarah Fisher (Degrassi) para o video do Kids’ Help Phone e interpreta os hinos canadiano e dos estados unidos com regularidade em eventos como jogos dos Toronto Blue Jays e dos Toronto Marlies.

Ria estudou canto com a professora das celebridades, Elaine Overholt, faz parte da prestigiada Big Voice “Liga dos Cantores Extraordinários”. Está a começar aulas de piano com o famoso pianista húngaro Robert Horvath, faz os famosos cursos de improvisação na Second City e aulas de dança na Danceology.

Luso-canadiana de segunda geração, a Ria faz rap por brincadeira, adora filmes, desenhar, futebol, ir às compras e ir ao Starbucks, atletismo, basquetebol e fazer os seus amigos rirem.

Em 2018 assinou um contrato com o MDC Music/Arrival Music Group, e agora sob a direção de Charles Bonsu, a jovem de 16 anos gravou 2 singles, “You Made” e “I´m Good”, canções do compositor e produtor a.n.g.e.l. que são sobre as experiências pessoais da Ria. A apresentação do seu trabalho será realizado no Sony Stage, no dia 29 de janeiro.

Roco Romelo/Arrival Music Group/MDC Music

… ter a oportunidade de atuar e cantar um tipo de música que é honesta e verdadeira e que pode ajudar as pessoas é como ganhar a lotaria… nem consigo descrever o que sinto, é tudo para mim ver as pessoas a sorrir quando estou a atuar.

Revista Amar: Victoria, fala-nos um bocadinho sobre ti.
Victoria Azevedo: Eu nasci e cresci em Toronto. Tenho um irmão mais novo chamado Nicolas, ele tem 11 anos e é viciado no Fortnite. A minha mãe chama-se Fátima e o meu pai Victor. Os meus pais emigraram de Portugal para o Canadá muito novos. Acho que o meu pai tinha apenas 3 anos e a minha mãe 6. A minha mãe é da Ilha Terceira e o meu pai de Aveiro. Eles foram criados com a cultura portuguesa mas são basicamente canadianos. Eu já fui a Portugal quatro vezes, é muito giro porque ainda temos imensa família lá… tenho uma série de primos lá e é muito divertido. Já não vou lá há dois anos e tenho muitas saudades mas sim, temos uma família grande.

R.A.: Sabes falar português?
V. A.: Sei o básico.

R.A.: Quais são os teus passatempos preferidos?
V. A.: Eu adoro representar. Acho que tinha 13 anos quando comecei, sou viciada em filmes, um dos meus preferidos é o ‘Scent of a Woman’ com o Al Pacino. Adoro dançar e desenhar… porque ando numa escola de arte. Nós dedicamo-nos mesmo a todo o tipo de artes e muitos dos meus amigos são artistas então quando estamos juntos gostamos de fazer coisas relacionadas com todo o tipo de artes o que é mesmo divertido, e eu adoro ir às compras… sou uma “shopaholic”, é mesmo grave, consigo passar lá um dia inteiro, é uma loucura… (risos)

R.A.: Com quantos anos e que te apercebeste que sabias cantar?
V. A.: Bem, apercebi-me por causa da minha mãe. Lembro-me que quando tinha 4 anos não queria fazer outra coisa senão dançar e então a minha mãe inscreveu-me em aulas de dança, mas durante um ano e meio odiei, porém continuava a dançar e a cantar pela casa. Então em vez disso, ela pôs-me em aulas de canto e eu amei completamente.

R.A.: Tinhas só 10 anos quando ganhaste o concurso de música Long & McQuade. O que é que aprendeste com esta experiência?
V. A.: Por acaso aprendi muito sobre mim e sobre a minha voz porque foi a primeira vez que cantei em público. Tinha nove anos quando fui às audições e estava congelada, nem me mexia, estava tão nervosa da primeira vez, mas assim que começámos a atuar e a passar para as fases seguintes (quartos de final, meias finais e final) ajudou-me a ficar mais confiante e foi aí que me apaixonei por cantar ao vivo num palco.

R.A.: Um ano mais tarde tornaste-te na concorrente mais nova, com apenas 11 anos, a atuar na competição de música de Toronto, Honey Jam, um concurso que também ganhaste. Nesta altura, ficaste confiante que num futuro próximo conseguirias ter um lugar no Mundo da Música?
V. A.: Foi uma competição muito boa. É uma competição feminina e eu fui a mais nova de sempre a entrar, o que foi mesmo extraordinário, aprendi muito com as concorrentes e as artistas mais velhas. A Melanie Fiona esteve lá e falou connosco sobre as experiências dela, sobre a carreira dela, o mundo da música e como tudo a influenciou. Por isso sim, aprendi muito sobre muitas coisas enquanto muito nova e isso deu-me a confiança necessária para realmente entrar na indústria da música.

R.A.: 2014 começou em grande com a audição e logo depois o lançamento do Mini Pop Kids 12 e um ano depois o Mini Pop Kids 13. Podemos dizer que é muito profissional, certo?
V. A.: Sim e foi muito divertido. Fizemos anúncios e uma digressão.

R.A.: Gostaste das entrevistas, dos concertos e da digressão? Ou achaste cansativo tendo apenas 12 anos?
V. A.: Eu amo atuar ao vivo, esforcei-me bastante e valeu muito a pena. Acabei por perder muitas aulas e isso fez com que ficasse para trás na escola, foi bastante difícil mas fiquei contente por ter tido a oportunidade de fazer tudo isto porque ia fazê-lo de qualquer maneira, tipo, “isso em vez de ir à escola?” – 100%!

R.A.: Durante este período de tempo, como estavas tão ocupada com a divulgação e com a digressão, tiveste tempo para a escola? Como conseguiste conciliar a tua vida profissional com os estudos?
V. A.: Foi muito, muito difícil! Não estava a sair-me muito bem em algumas matérias e estava a faltar muito às aulas por causa da divulgação do Mini Pop Kids. Fiquei para trás em disciplinas importantes na Primária. Então tive de agir, fiz sempre os trabalhos de casa, e estive sempre em cima do assunto já que faltava tanto às aulas. Mas tudo isto ensinou-me muito sobre como conciliar a vida académica com a música e ainda hoje em dia o faço.

R.A.: Para além de cantar, o que mais gostas de fazer? O que gostavas de conquistar?
V. A.: Para além de cantar, quero ser psicóloga porque já fiz terapia. Quero mesmo ajudar os outros com problemas de saúde mental (depressão, ansiedade) como eu fui ajudada. Esse é o meu “Plano B” no caso da música não dar certo.

Roco Romelo/Arrival Music Group/MDC Music

R.A.: Já participaste em vários eventos de caridade, incluindo um concerto para arrecadar fundos para o terremoto nas Filipinas, o Youth and Brazilian Fest, hospitais, lares de idosos e eventos para a comunidade Portuguesa. Porque é que é importante para ti contribuir para estas causas?
V. A.: Bem, eu só acho que é incrível poder partilhar o que se ama com quem mais precisa, pessoas que sofrem ou que estão tristes. A música realmente cura e mostra o lado belo da vida às pessoas. O melhor é partilhar a música com todos, porque inspira-nos a saber que tudo vai ficar bem, as coisas vão melhorar.

R.A.: Interpretas regularmente os hinos do Canadá e dos EUA em muitos eventos, incluindo nos jogos dos Toronto Blue Jays e dos Toronto Marlies. Consideras esta oportunidade um privilégio?
V. A.: Definitivamente, especialmente nos jogos dos Toronto Marlies porque na minha família adoramos hóquei no gelo, é super divertido.

R.A.: Já trabalhaste com uma das melhores professoras de canto do Canadá, a Elaine Overholt. O que é que aprendeste e o que é que melhoraste com as aulas dela?
V. A.: Oh a Elaine Overholt, adoro-a! Comecei a ter aulas com ela com apenas 8 anos de idade. Ela ajudou-me tanto e ensinou-me a criar músicas, a encontrar a minha voz da cabeça e a do peito, basicamente tudo… ela ajudou-me a desenvolver de tantas maneiras diferentes, como representar, como me mexer e ficar confortável, como me envolver emocionalmente com a canção e a transmitir os meus sentimentos para o público. Sem ela teria sido completamente diferente.

R.A.: Agora estás a estudar piano. Há alguma razão por trás dessa escolha ou é só porque gostas?
V. A.: Eu sempre gostei muito de piano, desde muito nova, mas eu acho que é muito importante saber ler notas musicais, para perceber a teoria por trás de tudo, porque sinceramente, eu não sabia até me dedicar a tocar piano. Eu tive, e tenho que aprender a ler partituras e ler música, tudo isso e muito mais… deixa-me musicalmente mais esperta e ajudou-me a perceber melhor a música e o facto de me poder acompanhar com o piano é absolutamente maravilhoso.

R.A.: Na estreia do The Launch, fizeste uma audição para o episódio 6. O casting correu super bem e todos os mentores ficaram hipnotizados com a tua voz, especialmente o Boy George, mas para o Scott Borchetta e o Stephan Moccio, não estavas preparada. Achas que este tipo de programas são justos? Serias capaz de o fazer outra vez?
V. A.: O “The Launch” foi uma óptima experiência e aprendi mesmo muito, eles deram-me muitos conselhos que me vão ajudar. Sinceramente, agora acho que concursos já não são para mim.

R. A.: Em 2018 assinaste contrato com a MDC Music/Arrival Music Group sob a gerência de Charlie Bonsu. Porque é que mudaste o teu nome para RIA?
V. A.: Achei que era fixe. O Charlie falou muito comigo sobre que nome deveria escolher e até falamos sobre deixar Victoria, mas RIA, eu não sei explicar… parece que grita “artista” e gosto bastante da forma que soa o nome RIA.

R. A.: Foi também uma forma de “cortar” com o passado?
V. A.: É isso mesmo. Embora ainda seja parte do meu nome… VictoRIA… uma parte de mim, mas isto marca-me a “mim” como artista.

R. A.: Como se fosse uma transição de cantora amadora para cantora profissional?
V. A.: Uma transição, definitivamente!

R. A.: E agora aqui estamos em 2019, com o teu compositor e produtor a.n.g.e.l. (também conhecido como Charlie). Conta-nos mais.
V. A.: Foi um longo processo. O a.n.g.e.l. e eu temos uma boa ligação e tornámo-nos melhores amigos, ele é incrível. Temos trabalhado arduamente neste processo e tem sido uma ótima experiência. Estou tão satisfeita com todas as músicas, são ótimas e são muito “eu”, o que é super importante. O a.n.g.e.l. escreveu todas as canções baseadas em conversas que tivemos, e escreveu-as muito honestas, simples e da forma com que eu me sinto verdadeira, em vez de fingir que sou alguém que não sou e a falar de coisas que aconteceram na minha vida e que fazem de mim quem eu sou hoje.

R. A.: “I´m Good” é um tema forte. Sobre o que se trata?
V. A.: A questão é que quando o a.n.g.e.l. escreveu essa canção, falámos sobre o que estava a acontecer na minha vida atualmente e nós temos sempre conversas sobre a minha vida. Numa dessas conversas foi sobre amigos, do facto de eu não ter amigos muito próximos, quer que seja por causa da minha carreira de cantora ou porque não estão lá quando preciso. Sempre senti que era mais uma competição. Tive uma amizade muito próxima mas tornou-se numa relação muito tóxica e eu não sentia que estávamos juntos, era como se estivessemos sempre a competir e a discutir… não me senti bem e tive de deixar essa amizade e agora estou bem (“I’m Good”).

R. A.: A canção “You Made” tem uma letra muito intensa, profunda e pessoal. Estás a marcar uma posição com esta música?
V. A.: Sim, definitivamente. A música é sobre abusos sexuais e é um tema muito importante, especialmente agora com o movimento do #METOO. O a.n.g.e.l. escreveu a canção com o que eu acho e com as experiências que tenho tido no dia a dia, tal como todas as mulheres já passaram por situações de assédio ou abuso sexual ou ouviram bocas ou assobios ao andar na rua. É importante que possamos falar sobre o assunto sem ter medo, e sendo honestos, sem filtros. Os nossos sentimentos são importantes e nós, mulheres, somos tão fortes. Esta música significa muito para mim e eu acredito que as pessoas se vão identificar com ela.
R. A.: Com que idade é que te apercebeste que estavas a ser vítima desse tipo de abusos?
V. A.: Eu tinha 14 anos e os rapazes conseguem ser “agressivos” e coisas do género. Tenho algumas experiências com rapazes que não têm qualquer respeito pelas raparigas e pelas mulheres, eles só se importam por eles mesmos e pelo seu próprio prazer… passei por muitas situações assim e foi bastante difícil, afetou-me muito e foi aí que tudo começou a decair, e eu fui diagnosticada com depressão e ansiedade. A minha música ajuda-me a ultrapassar qualquer coisa.

R.A.: Qual é a importância do movimento #METOO? Achas que este movimento trouxe mudanças drásticas?
V. A.: Completamente e fiquei muito feliz quando a iniciativa começou, é literalmente incrível. Ajudou tantas pessoas, especialmente mulheres, de que temos de nos manifestar. Através deste movimento as pessoas estão mais instruídas sobre o assunto porque antes ninguém falava abertamente sobre isto. As pessoas agora falam sobre o assunto e estão a receber a ajuda de que precisam.

R. A.: És muito jovem e mesmo depois dessa terrível experiência, não desististe dos teus desejos e sonhos. Onde vais buscar a força e a fé para continuar?
V. A.: Na minha música (risos)… só de ter a oportunidade de atuar e cantar um tipo de música que é honesta e verdadeira e que pode ajudar as pessoas é como ganhar a lotaria… nem consigo descrever o que sinto, é tudo para mim ver as pessoas a sorrir quando estou a atuar.

R. A.: Então no dia 29 de janeiro, o que podemos esperar da RIA?
V. A.: Bem, a RIA vai ser muito diferente da Victoria, isso é de certeza, a cantar músicas que são muito sinceras e emotivas, as pessoas vão perceber como é que eu realmente quero ser como artista. Com certeza, vai ser único e incrível.

R. A.: E o que podemos esperar a seguir?
V. A.: Eu vou continuar a atuar… continuar a trabalhar.

R. A.: A Revista Amar gostava de te convidar a deixar uma mensagem para os nossos leitores.
V. A.: Eu gostava de convidar todos os leitores a irem ao Sony Stage na 309 Horner Ave, em Etobicoke no dia 29 de janeiro. Vai ser um espetáculo excelente. Gostava de aproveitar e agradecer a cada um de vocês que dedicaram o seu tempo a ler esta entrevista para me conhecerem melhor.

Roco Romelo/Arrival Music Group/MDC Music

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