Depressão Infantil - Revista Amar
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Depressão Infantil

A depressão é uma doença séria e muito discutida nos dias atuais, mas sabia que também pode afetar crianças e adolescentes?

A depressão na infância muitas vezes não é percebida ou tratada e estende-se pela adolescência e/ou vida adulta, gerando sofrimento e levando, muitas vezes, ao suicídio.

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É incomum imaginar uma criança com algum transtorno mental ou doença emocional. Isso faz-se evidente diante da dificuldade e diagnóstico tardio de vários deles. Associar a imagem de uma criança a algum aspeto negativo é estranho e pouco comum, pois sempre é mais fácil projetar uma imagem que envolva alegria, energia, sorrisos, curiosidade e bagunça. Mas, infelizmente isso não significa que elas estejam “protegidas” de desenvolver algum distúrbio.

É importante estar atento a alguns sinais que podem evidenciar que uma criança está passando por alguma dificuldade emocional, tais como: perda do interesse ou prazer por brincar; deixar de explorar todo o universo ao seu redor; cansaço, fadiga, alterações no sono, medo de dormir ou choro antes de dormir com medo de pesadelos frequentes; enurese e ecoprese (urinar ou defecar na roupa ou na cama); ansiedade; alguns atrasos no desenvolvimento; auto depreciação, sentimentos de rejeição, problemas para socializar-se com outras crianças, comportamento agressivo e antissocial.
Também é comum ocorrerem dores e sintomas físicos sem causas específicas, como por exemplo: dores de cabeça, dor lombar, nas pernas, náuseas, vómitos, cólicas intestinais, tonturas, etc. Essas dores podem ser consideradas como os primeiros sinais de que a criança se encontra com problemas emocionais, já que o pensamento da criança parte primeiro do concreto para o abstrato, uma dor física é real e mais fácil para que se expressem, uma vez que ainda estão no processo de desenvolvimento e não tem condições de elaborar um significado para uma dor que não sabem expressar.

Pais que têm depressão devem redobrar a atenção uma vez que seus filhos têm grande probabilidade de também apresentar a doença. A depressão infantil pode surgir diante da hereditariedade, ou ser desencadeada por outros fatores como “bullying”, luto, separação dos pais, dificuldades de adaptação diante de novas situações, mudanças de escola, de casa, de cidade, entre outras situações que geram desgaste na criança.

Ser criança não é sinónimo de imunidade às doenças orgânicas e/ou psicológicas e, mais do que os adultos que conseguem dizer o que estão sentindo, as crianças podem acabar entendendo que o incómodo faz parte de quem elas são, e não vão conseguir comunicar se algo estiver errado. Torna-se mais difícil perceber já que na infância, a criança ainda está tomando conhecimento de todos os sentimentos e emoções e, por vezes, não sabem como nomeá-los ou distingui-los, cabendo aos adultos ajudarem-nas a dar um sentido para esses sentimentos e emoções.

Vale ressalvar que é normal que as crianças se sintam tristes e angustiadas em algum momento da sua vida. Crescer é uma das experiências humanas mais dolorosas. Sentir tristeza faz parte do processo por um tempo, porém, o excesso de tristeza, de apatia, de isolamento, desânimo e de desvalorização podem não ser só “birra” ou a aproximação da “aborrecida” fase da adolescência e talvez o problema tenha crescido com a criança/adolescente sem que ninguém percebesse.

Portanto, é preciso estar atento às mudanças no comportamento da criança. Saber que em cada fase de seu crescimento novas mudanças e novos comportamentos irão surgir. Assim como novos significados para cada emoção e sentimento. Muita atenção quando ouvir ou disser: “meu filho é muito bonzinho, não me dá trabalho nenhum!” ou “Eu não posso com a vida do meu filho, faz muitas birra!”. Ser bonzinho não significa exatamente estar saudável! Se o seu filho não lhe dá trabalho nenhum ou dá muito trabalho, o importante é criar um ambiente para que ele se possa abrir e falar dos seus sentimentos de forma saudável.

O comum é que toda criança é curiosa, gosta de explorar e descobrir, se interessa por algo, e tem sempre um “porquê?” na ponta da língua! Ser criança é trabalhoso e educar uma criança é mais trabalhoso ainda, por isso cuidado com essa história de que é melhor a criança que não dá trabalho. Existem diferenças entre uma criança que é realmente tranquila, mas brinca e interage com o mundo, e outra que está emitindo sinais de alerta, de que precisa de ajuda. As criança muito “boazinhas” que são introspetivas ao extremo, que não têm vontade de brincar ou prazer em brincadeiras, não têm curiosidade de conhecer o mundo, sentem-se extremamente inseguras e ansiosas longe dos pais ou pessoas que tomam conta delas, é uma criança que precisa de uma atenção maior. Lembramos que a depressão é uma doença tratável, geralmente, quando diagnosticada precocemente. A psicoterapia infantil e a orientação familiar melhoram significativamente o quadro clínico.
Procure o seu profissional de saúde para obter mais informações.

Cristina Santana

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