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O divórcio e os filhos

O process de divórcio pode ser um acontecimento desgastante e traumatizante para os filhos, em particular, para os mais novos.

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Uma família para a sociedade ou um inferno dentro de casa? Encare-se como se quiser, um facto é provado: o número de divórcios tem vindo a aumentar no nosso pais. Em qualquer família são sempre os filhos que mais sentem o amor dos pais e que mais sofrem com as zangas e separação destes.

Poucas pessoas no mundo se podem orgulhar de dizer nunca ter assistido a uma discussão dos pais. Mas esta também não é a medida para julgar os casamentos em que reina o silêncio por medo ou por questões sociais, mas onde o ódio e o desalento são reis, apenas escondidos por uma fachada de felicidade.

Inúmeros casais permanecem juntos, mesmo depois de se ter apagado qualquer chama de paixão ou até de respeito e dignidade. Seja por falta de recursos económicos, seja por imperativos sociais e educação religiosa, os pais, julgando estar a preservar os filhos de um processo de divórcio, podem estar apenas a arrasar com a vida psicológica destes que tentam proteger.

É do senso comum que os casais que chegaram a um ponto de não retorno, no que respeita à relação, se devem separar? Não, segundo recentes estudos da Universidade da Califórnia. Durante vinte e cinco anos foram ouvidos pais divorciados e respectivos filhos, experiência que foi relatada em livro sob o título A herança inesperada do divórcio.

A terapeuta que conduziu o estudo, Judith Wallerstein afirma que os filhos de casais divorciados tendem a ter uma maior dificuldade em encontrar o parceiro certo e em construir as suas relações. E este estudo vem relançar a polémica: devem os pais ficar juntos para não destruírem a futura personalidade da criança?

As opiniões dividem-se. Mesmo com a certeza de que não existem divórcios felizes para nenhuma das partes, várias vozes já se ergueram contra o principio que o livro enuncia, afirmando que os casais não se devem manter juntos apenas pelos filhos, porque estes são precisamente os mais afectados por este tipo de situações, vivendo num permanente estado de ansiedade e pressão, para além de que os pais não conseguem dar todo o apoio e atenção às crianças quando se sentem infelizes.
O importante, em todos os casos, é que as crianças mantenham um relacionamento saudável com ambas as partes do casal após o divórcio, o que nem sempre é possível.

A separação deve ser comunicada aos filhos de forma natural, sem dramas e acima de tudo sem julgamentos de valor acerca de qualquer um dos parceiros, a menos que as próprias crianças tenham deparado com situações de violência ou abusos por parte de um dos pais. O diálogo deve sempre ser positivo, centrando-se no futuro e usando a verdade. Acima de tudo é necessário fazer perceber à criança ou ao jovem que não lhe cabem quaisquer culpas na separação e excluí-la sempre das questões pessoais. Nesta fase as crianças e os pais vão estar mais vulneráveis, por isso a paciência e o respeito mútuo são conceitos que os pais não podem perder de vista.

É preciso também ter em atenção as reações das crianças face a esta nova situação, à qual reagem de formas diferentes que podem ir da tristeza à culpabilidade, medos infundados ou não, regressões na idade, agressividade, dificuldades de aprendizagem ou sintomas ainda mais graves, de doença.

E depois seguem-se as relações que mantêm com os progenitores, que podem passar por total abandono por parte destes a uma relação de hipocrisia em que se dá tudo o que a criança ou adolescente pede ou exige apenas para tentar superar uma falta.

Outro aspeto do divórcio que afeta profundamente as crianças e jovens é quando este toma proporções judiciais, especialmente quando as crianças têm menos de seis anos, em que se veem arrastadas de tribunal para tribunal, a ouvirem em público os pecadinhos dos pais ou a esperarem que uma pessoa totalmente estranha decida sobre a sua custódia.

Decidir partir ou não para um divórcio tendo em conta os filhos é um erro muito comum dos pais, porque em vez de os protegerem de influências negativas estão apenas a proporcionar-lhes uma visão errada da vida em comum.

Sara Cristina Pereira

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