Saúde Alternativa

Doença de Crohn

A visão da medicina tradicional chinesa

A Doença de Crohn é uma patologia crónica que, pelas suas caraterísticas, pode afetar de forma debilitante a qualidade de vida das pessoas que dela padecem. A origem desta doença é desconhecida, contudo, têm sido apontadas como principais causas a combinação de vários fatores, tais como, aspetos genéticos, psicológicos e ambientais, assim como alterações na permeabilidade da parede intestinal por descontrolo do sistema imunitário.

Na medicina chinesa, a colite crónica resulta frequentemente de enterites agudas não curadas, que estão incluídas nas categorias de xie xie (diarreia) e li ji (disenteria) e fu tong (dor abdominal). A doença tem origem em fatores patogénicos externos, tais como o resultado de uma alimentação desequilibrada, distúrbios emocionais e consequências de doenças que causam fraqueza constitucional.

Estes fatores podem originar uma disfunção e/ou desequilíbrio digestivo ao nível do baço/estômago ou intestino delgado que falha na receção dos alimentos e/ou, também, uma disfunção do intestino grosso na sua função de transporte e eliminação.
O fator patogénico principal é a humidade, sendo a patogenia a humidade excessiva e a disfunção do baço, com o envolvimento do baço/estômago, intestinos, rim e fígado. Na medicina tradicional chinesa os principais sintomas desta doença são as repetidas crises de dor abdominal (cólicas), diarreia e astenia.
A diarreia é predominante, acompanhada de cólicas fortes. As fezes podem apresentar sangue, pus e/ou muco. O abdómen inferior apresenta diferentes graus de sensibilidade, com hiperatividade dos sons intestinais (borborigmos). A diarreia prolongada leva ao emagrecimento e ao aparecimento de anemia.
Os exames microscópicos das fezes apresentam baixas quantidades de leucócitos. Nas mucosas são visíveis sinais de congestão e edema. A degenerescência da mucosa intestinal está presente no exame de raios x com bário.

O princípio do tratamento é fortalecer o baço/estômago e eliminar a humidade, expulsar o frio através de métodos para aquecer o aquecedor médio – constituído pelo baço e pelo estômago, eliminar o calor, mover o qi do fígado estagnado, aquecer o yang do rim e nutrir o yin. Os síndromes desta patologia incluem excesso e deficiência.

Síndromes de excesso

Os síndromes de excesso são causados pelo frio e humidade que bloqueiam o aquecedor médio; por humidade/calor que danifica o aquecedor médio, ou pelo o qi do fígado que ataca o baço.
Frio e humidade que bloqueiam o aquecedor médio – As principais manifestações são fezes soltas, acompanhadas por dor abdominal, borborigmos, rigidez gástrica, anorexia, febre e arrepios, obstrução nasal, dor de cabeça e dor muscular. A capa da língua apresenta-se fina e branca ou branca e pegajosa. Os métodos terapêuticos incluem expulsar o frio e remover a humidade com plantas aromáticas.
Humidade/calor que danifica o aquecedor médio – As principais manifestações são a diarreia aguada; fezes amarelas e/ou acastanhadas com forte odor; dor abdominal; dificuldade em defecar e sensação de ardor no ânus. Outros sintomas apresentados são: agitação, febre e sede. A urina apresenta-se amarela escura (turva). Por sua vez, a capa da língua apresenta-se amarela. Os métodos terapêuticos para esta síndrome passam por eliminar o calor e promover a diurese – produção de urina pelo rim.
Qi do fígado a atacar o baço – As manifestações principais são o agravamento dos sintomas, gerado pela depressão, raiva ou stress. Os principais sintomas incluem borborigmos, distensão abdominal, dor (cólica) abdominal antes da diarreia, que alivia após evacuação, opressão torácica, distensão no hipocôndrio, anorexia e eructações. A língua apresenta-se vermelha clara. Os métodos terapêuticos utilizados passam por acalmar o fogo do fígado e fortalecer o baço, regular o aquecedor médio e aliviar a diarreia.

Síndromes de deficiência

As síndromes de deficiência são causadas pela deficiência do baço e estômago, declínio do yang do rim e deficiência de qi e yin.
1) Deficiência do baço e estômago – Tem como principais manifestações as fezes soltas ou diarreia com alimentos não digeridos, o aumento dos movimentos intestinais depois da ingestão de alimentos gordurosos, a falta de apetite, flatulência abdominal e epigástrica. O paciente apresenta compleição pálida e lassitude. A língua apresenta-se pálida, com capa branca. Os métodos terapêuticos adequados passam por fortalecer o baço e beneficiar o qi, promover o transporte dos alimentos e aliviar a diarreia.
2Declínio do Yang do Rim – As suas principais manifestações são a dor abdominal, acompanhada de borborigmos ao amanhecer, seguidos de diarreia. Esta dor alivia após evacuação. O corpo e os membros apresentam-se frios, com dor ao nível dos pulsos e joelhos. A língua apresenta-se pálida. Os métodos terapêuticos a utilizar passam por aquecer o rim, fortalecer o baço, induzir a adstringência e aliviar a diarreia.
3) Deficiência de Qi e Yin – Tem como principais manifestações a diarreia persistente, acompanhada de pus e/ou sangue nas fezes e dor abdominal (moinha). São também manifestações desta deficiência a febre vespertina, tonturas, insónia, suores noturnos, agitação, irritabilidade e emagrecimento. A língua apresenta-se vermelha, com pouca capa. Os métodos terapêuticos adequados para esta deficiência são nutrir o yin, eliminar o calor, tonificar o qi e aliviar a diarreia.

Dietética – Fase Ativa da Doença

Nesta fase é importante que a alimentação auxilie no controlo dos sintomas como diarreia, dor abdominal ou distensão e previna ou reverta a perda de peso através do uso de suplementos nutricionais adequados. A dieta deve ser hipercalórica, pelo aumento das necessidades energéticas decorrentes da inflamação (30 a 35 kcal/kg/dia), hiperproteica (1,5 a 2,0g/kg/dia), hipolipídica (menos de 20% das calorias totais) e normoglicidica com restrição de carboidratos simples e alimentos que causam flatulência. O teor de fibras insolúveis e resíduos (lactose, por exemplo) deve ser restrito e a alimentação deve ser fracionada em seis a oito refeições ao dia, contendo pouco volume. As orientações dietéticas podem ser observadas na tabela abaixo.

Dietética – Fase de Remissão da Doença

Com a melhoria clínica do paciente e o início da fase de remissão, podem ser incluídos os carboidratos simples (em quantidade moderada), devendo aumentar-se gradualmente o conteúdo de fibras totais e insolúveis da dieta, mantendo-se moderado o teor de gordura (especialmente de ácidos graxos poliinsaturados ômega-6). As calorias devem ser adequadas ao estado nutricional do paciente. As orientações dietéticas podem ser observadas na tabela 1.

Se o leitor apresenta sintomas idênticos aos descritos, procure um terapeuta qualificado que o possa ajudar….

E não se esqueça… sorria com saúde!

Helena Rodrigues

Especialista de Oncologia em Medicina Chinesa

Fonte (TABELA) : http://revista.hupe.uerj.br – Visite HelenMed para mais informaçoes.

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