Psicologia

Modernices – Bem ou mal?

Não será a primeira vez que alguém escreve sobre a modernidade, antes pelo contrário, será só mais uma vez dentro das milhões que vem por aí.
Modernidade é fruto do pensamento humano, um conceito que abrange tempo, atitude/postura, realidade social, cultural e económica vigente no mundo, atualidade, imagem própria e muito além, e implica em uma só palavra: consequência.

Tudo que foi no passado hoje é memória, coleções de recordações que podem ainda ser aplicadas ou não, sem obrigatoriedade. Tudo que já passou, já está num tempo que outrora implicava tal acontecimento como sendo atual, porém hoje, será só passado. Passado este que serve de experiência, alicerce, saudosismo… mas que não pode inferir na atualidade como ponto de partida, ainda mais para quem está a chegar nessa vida agora, as crianças que são o berço do nosso futuro.

Quando alguém se lembra de como fazia algo no passado, não pode esperar que ainda seja feito da mesma forma, visto que a humanidade caminha a passos largos com as novas descobertas diárias que todos os dias nos invadem sem permissão. Mesmo que quiséssemos ficar presos no passado não conseguiríamos, pois, é facto que a vida dá as cartas e estas são sempre novas! Somos meros espectadores de um grande show, que desde sempre perturbou a humanidade e assim será, pois também é facto que não nos dá segurança pensar “out of the box” , quando isso causa um certo desequilíbrio! Mudanças radicais surgem e substituem a configuração existente de forma tão brusca e rápida que mal temos tempo para as adaptações, vamos nos adaptando.

Costumes que antes se justificavam em um mundo de tempos atrás, foram esquecidos ou se alteraram dentro dessa modernidade que se construiu em meio a conflitos ideológicos, que transitam entre tradições, crenças ou práticas e uma ditadura de “modernices” que tomam dimensões que causam segregações entre ideias socialmente e tradicionalmente aceitas e tudo que marca a sociedade contemporânea.

Não há como se impedir o futuro nem suas consequências. Tudo que se envolve nisso está a ser determinado hoje, agora no presente. Não há como excluir nossas vidas de tudo isto. Podemos ter bases, podemos ter tradições e crenças, mas não podemos achar que viveremos só delas. Estamos inseridos e destinados ao futuro.

Desde o ferro de passar elétrico à internet, passando pelos meios de comunicação, carros elétricos, e-books, são exemplos que permeiam a vida atual. Não podemos nos restringir ao passado, senão nem poderemos sair de casa daqui uns tempos, afinal o mundo caminha para cada vez mais a utilização das máquinas, robôs, da perca da necessidade das mãos humanas e adaptação ao mundo digital e mecânico.

Não se utilizam mais cartas, são emails. Livros se leem online. Podemos ver com quem falamos no telemóvel. As luzes e toda funcionalidade da casa se acede e controla também pelo telemóvel. Há robôs de cozinha, de aspirar o pó do chão da casa, de companhia e tudo mais que sonharmos. Há máquinas industriais que trabalham por 10 homens, ou mais. Há aviões supersónicos e invisíveis. Já não é preciso sair de casa para se fazer compras, o mundo online traz até a sua casa. Podemos realizar pesquisas nos motores de busca e tornar nossos conhecimentos admiráveis. Temos acesso ao mundo pelo computador, distâncias se encurtaram, famílias se aproximaram, notícias ao minuto – a informação a um passo de um clique.

Há de facto acontecimentos muito bem-vindos, outros, a minha modesta perceção nem tanto, outros até abomino.

Não posso deixar de pensar que mais importante serão nossas crianças têm de estar preparadas para a atualidade, elas estão a crescer neste período. Estar preparadas digo no sentido de estarem norteadas e não impedidas. Quando se orienta uma criança estamos a dar-lhes bases, condições para que saibam conviver e se auto reger nesse universo paradoxal que serão os tempos modernos e este será o papel mais importante de quem educa. Assegurar-lhes que estão minimamente atentas para a existência atual, que estão aptas a sobreviver e desfrutar dessas “modernices”, já que não devemos nunca obstruir seu percurso para que estejam a acompanhar seu tempo, e tudo dará certo se estiverem preparadas, com muita orientação, supervisão e segurança! O futuro reserva muitas inovações, boas e más. Se soubermos que temos de conviver com elas e saber fazer boas escolhas, nem tudo estará perdido. Se soubermos polarizar a informação como prática de aperfeiçoar a vida, poderemos construir algo melhor!

Não será impedindo as crianças de estarem na internet que vão estar seguras, será ensinando o que devem ou não ter acesso, a terem pensamentos críticos para saberem discernir o bem do mal. Pois por mais que se as proíba há sempre uma forma de se escapar. E se souberem o que fazer estarão prontas para escolher!

Não será vedando o pensamento atual que estaremos salvos. Será construindo pensamentos novos, porém fidedignos a aqueles velhos, de honra, empatia, honestidade, lealdade, ponderação, razão, equidade, e por aí vai…
Bem-haja seculo XXI.

Patricia Salin

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