Solidariedade

É possível viver sem contenções físicas ou farmacológicas

Em Portugal, existe um uso excessivo e inadequado de contenções, tanto físicas como farmacológicas, em pessoas idosas dependentes e, sobretudo, com doença de Alzheimer e outras demências. As pessoas submetidas a estas contenções confrontam-se com a acelerada perda de autonomia, dignidade e autoestima.

Nesta perspetiva, eliminar, ou reduzir ao mínimo, a utilização de contenções deve ser uma prioridade para os profissionais de saúde e do setor social. Esta ideia ganha ainda mais força quando existem, por exemplo na vizinha Espanha, exemplos de que há medidas alternativas válidas e seguras que provam ser possível viver sem contenções. Dois excelentes exemplos do trabalho que podemos e devemos fazer, no nosso país, são o programa Desatar al anciano y al enfermo de Alzheimer da Confederación Española de Organizaciones de Mayores (CEOMA) e a Norma Libera-Care da Fundación Cuidados Dignos com quem tenho vindo a trabalhar no último ano.

É imperativo que se comece a intervir para a redução, com o objetivo charneira de eliminação, das contenções nas instituições sociais e de saúde.
A aposta das organizações em novos modelos de cuidados e de gestão, a implicação e formação dos profissionais e o envolvimento das famílias são determinantes para que cuidemos das pessoas com demência sem contenções, preservado a sua humanidade, capacidade de decisão e dignidade.

Tenho o privilégio de trabalhar e apender com uma profissional de grande qualidade, a Médica Geriatra Ana Urrutia, Presidente da Fundación Cuidados Dignos e autora do livro “Cuidar. Una revolución en el cuidado de las personas” (Editorial Ariel) que me despertou o interesse por esta problemática tão presente quanto invisível na nossa comunidade.

Como gosto de passar das palavras aos atos, estou a trabalhar com o objetivo de organizar, se possível ainda em 2019, uma jornada de reflexão que coloque na agenda mediática a necessidade de mudança de paradigma e contribua para consciencializar a sociedade para a necessidade de enquadrar o respeito pelos direitos humanos e a dignidade como pilares fundamentais na prestação de cuidados.

José Carreira

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