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Encontros com o Património da Humanidade: Universidade de Coimbra, Alta e Sofia

Neste novo encontro com o Património da Humanidade destaque para a Universidade Coimbra, Alta e a baixa da Sofia dão mote para a escrita deste apontamento. Decorria o ano de 1290 da graça de Deus quando D. Dinis por sua livre e espontânea vontade autoriza a criação do Estudo Geral. A sua criação acompanhou o uso exclusivo da língua portuguesa nos documentos oficiais. E pela Magna Charta Privilegiorum, primeiro estatuto da Universidade conhecido, esta concedia aos estudantes vários privilégios, criando um verdadeiro bairro escolar. Apesar de ser uma instituição multisecular, a Universidade de Coimbra sempre soube adaptar-se aos novos tempos. O equilíbrio da inovação com a história está sempre bem presente, o caminho faz-se andando e de muito trabalho e perseverança.

Vítor Sousa

Após uma breve pesquisa sobre a candidatura da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia a Património Mundial da Humanidade enviado à UNESCO, deparei-me com dezassete atributos que convenceram o júri reunido em Phnom Penh, no Camboja. Darei destaque aos mais relevantes, tais como:

Uma das mais antigas universidades da Europa

É fundada em 1290 em Lisboa por iniciativa do rei D. Dinis. Faz parte do escasso lote de quinze universidades ativas na Europa, no final do século XIII. Após um período de alternância entre as cidades de Lisboa e Coimbra, a transferência definitiva ocorre em 1537, pela mão de D. João III e contando com a forte influência do Mosteiro de Santa Cruz.

A excecionalidade da Biblioteca Joanina

Fundada como livraria de estudo, reservada ao serviço da comunidade universitária, assume-se como uma das mais deslumbrantes bibliotecas do mundo, contribuindo para tal, quer a sua forma e riqueza decorativa, quer o seu valioso fundo bibliográfico composto por cerca de duzentos mil volumes, datados entre os séculos XVI a XVIII, e que ainda hoje podem ser consultados.

Universidade de tradições académicas seculares

Há tradições características das práticas simbólicas associadas às festividades cíclicas académicas, cujas origens se perdem nos seus sete séculos de história. Desde a cultura académica institucionalizada (doutoramentos Honoris Causa, Abertura Solene das Aulas, etc.) às manifestações mais espontâneas como o cortejo da Latada.

Universidade da consolidação, difusão e expansão da língua

Enquanto sede da única universidade portuguesa, Coimbra tornou-se, ao longo dos séculos, um importante pólo cultural, tendo a norma culta desta cidade exercido grande influência no saber linguístico dos estudantes, os quais acabariam por influenciar os povos de outros espaços geográficos. Importante ainda a passagem pela instituição de muitos importantes nomes da literatura nacional.

A participação da Universidade na formação do Estado Português

A Universidade de Coimbra, responsável pela formação dos principais quadros dirigentes nacionais, foi uma das principais e uma das mais enérgicas instituições a participar na formação ideológica do Estado Português ao longo dos séculos. Considerada o “termómetro” político do país, a instituição universitária acompanhou as convulsões políticas e sociais do país, oscilando entre as manifestações de apoio aos regimes vigentes ou em sua oposição.

Gastronomia

Nesta jornada pela Beira Litoral e sendo horas de almoço, nada melhor que escolher entre a proximidade do mar ou invadir terras mais serranas. A escolha entre as diversas iguarias a saborear poderá ser difícil, porém os viajantes poderão sempre escolher algo típico. Entre as caldeiradas da Nazaré, o arroz de marisco de S. Pedro de Moel, subindo para Coimbra e Mealhada, surgem o leitão assado ou em caldeirada, a chanfana (guisado de cabra com vinho tinto) acompanhadas de batata cozida ou a murro. Independentemente do repasto escolhido, deixo uma sugestão de escanção amador para a escolha do vinho. Casa de Saima, Grande Reserva 2011, Baga e Touriga Nacional, com ligeiro ascendente da primeira. Uma versão moderna e quente da Bairrada. Para sobremesa a doçaria conventual marca forte presença sobressaindo as arrufadas, os pastéis de Tentúgal, lampreia doce de Lorvão, beijinhos do céu, palermos cobertos e nabadas. No caso de não apreciar doces, sempre pode optar por degustar uma boa fatia de queijo Rabaçal, apresentando-se mole e liso quando fresco, e mesmo curado conserva um sabor único e inconfundível.

Ao viajar por terras de Coimbra e tendo como companheiros de viagem as tricanas e o Bazófias, inesquecível será assistir à Serenata Monumental da Queima das Fitas. O fado de Coimbra e os estudantes de capa e batina marca identitária desta cidade, por ela passaram grandes vultos da cultura portuguesa. Deixo em jeito de homenagem a José Afonso e Adriano Correia de Oliveira a letra de dois temas incontornáveis do cancioneiro estudantil.

Oh Coimbra do Mondego

Oh Coimbra do Mondego
e dos amores que eu lá tive [bis] quem te não viu anda cego
quem te não ama não vive
quem te não viu anda cego
quem te não ama não vive
Do Choupal até à Lapa
foi Coimbra meus amores [bis] e sombra da minha capa
deu no chão abriu em flores [bis]

 

Fontes: Universidade de Coimbra Alta e Sofia – Património Mundial – www.worldheritage.uc.pt/pt/atributos

Carlos Cruchinho

 

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