Pai Natal saúda todas as crianças no Canadá - Revista Amar
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Pai Natal saúda todas as crianças no Canadá

Dizem que vem da Lapónia e viaja com as suas renas por todo o mundo, trazendo a cada casa um pedaço de felicidade. As barbas brancas longas e bem cofiadas marcam-lhe o rosto, mas não o envelhecem, apenas lhe dão o direito de ser Pai Natal. Dos verdadeiros! Com todos os certificados que lhe conferem direitos e obrigações. Na conversa que manteve com Madalena Balça para a MDC Media Group, Jackas por estes dias, assume com orgulho a sua função de Pai Natal e não se pense que se trata de apenas encarnar a personagem, há muito mais para além disso.

Pai Natal: Isto já não é bem uma encarnação… Isto já está encrustado na pele (risos). Portanto, é difícil. Não tenho anualmente que vestir a pele porque ela existe sempre. Tem a ver com os meus princípios, tem a ver com um espírito de missão que está associado ao papel de Pai Natal e a toda a perspetiva histórica do São Nicolau que dá origem à personagem do Pai Natal, portanto esses valores têm de estar cá.

Revista Amar: Bom, mas a construção da personagem na pessoa Jackas – porque, na realidade, por trás deste Pai Natal está uma pessoa que se chama Jackas – tem a ver com o facto de, por um lado, fisicamente haver as parecenças óbvias mas, por outro lado, com certeza que há memórias de infância e tudo mais que o levaram por este caminho…
PN: Sim, embora as minhas memórias de infância estejam muito ligadas ao Menino Jesus. Isto é importante porque, às vezes, as pessoas começam a esquecer o motivo do Natal. O motivo do Natal, no fundo, embora ele já existisse antes do nascimento de Cristo mas foi adotado pela Igreja também para festejar o nascimento de Cristo e acima de tudo ser a festa da família. Tenho todas as experiências de estar deitado de olhos fechados a tentar ver que viesse a manhã para ir a correr para baixo da árvore – onde púnhamos um sapatinho – e ver o que é que estava lá. Portanto, fosse uma coisa pequena ou fosse uma coisa grande era um dia muito importante para nós.

RA: Portanto, essa felicidade que sentia em criança – fosse pouco ou muito, o momento de receber algo era uma felicidade – é neste momento transportada também em cada saída que faz e em cada aproximação que tem de uma criança, não é?
PN: Exatamente. Quando eu surjo como Pai Natal é no sentido de trazer essa alegria. Esse é um aspeto fundamental e daí a construção da personagem. Como disse há pouco, ser gorduchinho e tudo isto é verdade. Não há barbas falsas aqui, é tudo verdadeiro.

RA: A barriga também…
PN: A barriga é verdadeira, a velhice é verdadeira, a falta de cabelo é verdadeira… Porque às vezes os miúdos perguntam: “Mas o Pai Natal era careca?” Pois, o Pai Natal é velhinho e eu já perdi alguns cabelos. Mas tudo isso vem da necessidade e da observação quer a nível da minha profissão, onde trabalho imenso com crianças e com jovens, e de perceber que a pouco e pouco se está a perder um bocado a magia independentemente de onde é que ela vem. Mas sendo o Natal um período que se deve apelar à paz, à solidariedade, à igualdade para uma melhor construção da sociedade a todos os níveis é importante que haja o Pai Natal para continuar a transmitir isso.

RA: O Pai Natal foi uma personagem criada comercialmente, não é? Quer dizer, claro que há o São Nicolau mas há uma ligação a uma marca comercial.
PN: É assim… O São Nicolau é o Pai Natal. No Leste é sempre o São Nicolau que é festejado e, inclusivamente, mantêm-se as roupas de bispo. A marca vem trazer lado bonacheirão, gorducho do Pai Natal. O São Nicolau não era gordo, não era muito gordo. Era careca, tinha uma barba igual à minha, mas não era gordo. Era muito esbelto a esse nível. A Coca-Cola, na primeira publicidade – em 1931 e não em 1920 como algumas pessoas e algumas informações o dizem – associa à marca a imagem do Pai Natal. Ajuda, no fundo, a familiarizar as pessoas com a imagem do Pai Natal a nível mundial.

RA: É a grande responsável pela projeção do Pai Natal, não é?
PN: Exatamente. Em termos comerciais, é. Mas não é o criador da figura do Pai Natal e não está associada exclusivamente a isto…

RA: Isto de ser Pai Natal não é para todos, não é? Pelo menos um Pai Natal certificado como é o seu caso. É preciso ter uma série de condições: para já, tem as barbas que são suas, como disse há pouco, porque há quem faça de Pai Natal com barbas falsas…
PN: É, estas são verdadeiras! Pode-se puxar à vontade que elas não descolam (risos).

RA: Porque é que teve a preocupação de procurar forma de certificar a sua personagem de Pai Natal? Para ser ainda mais autêntico? O mais autêntico possível?
PN: Sim, para descobrir mais o verdadeiro espírito que é ser Pai Natal.

RA: E por que fases é que passou essa certificação?
PN: Portanto, eu comecei a fazer de Pai Natal aos 19 anos. Era uma brincadeira, não é…

RA: Mas já tinha barbas brancas?
PN: Não, tinha barbas pretas só que punha pó de talco, às vezes punha aqueles cremes dos palhaços para branquear e depois eu tinha umas amigas que eram educadoras de infância e diziam: “Olha, podias ir lá ao jardim de infância entregar as prendas aos meninos” e na brincadeira comecei. Mas logo desde o princípio que me apaixonei pela personagem, nesta relação de proximidade com a criança. Conforme fui crescendo e fui aumentando o volume e as barbas começaram a ficar brancas pensei: “Não, esta personagem tem de ser mais qualquer coisa”. Foi quando comecei a investigar e encontrei uma escola americana, fundada em 1948. Não frequentei o curso, eles fazem formação…

RA: Formação de Pais Natal?
PN: De Pais Natal, sim! Mandei toda a informação que tinha. Eu tenho várias formações académicas, e eles acharam que sim, que eu reunia as condições para ser certificado, mandaram o juramento de Pai Natal que fiz na presença de cinquenta e tal pessoas, que todas assinaram individualmente uma declaração e seguiu.

RA: Qual é a fase mais importante desse juramento? O que é que teve de jurar?
PN: O juramento que está publicado e que tenho no meu gabinete tem a ver com os princípios de São Nicolau: preservar o espírito de solidariedade, de partilha e depois muitos outros princípios que se seguem… Manter a alegria na criança, alimentar o espírito de magia e de sonho na criança…

RA: Tudo contribui para alimentar o espírito…
PN: Exato, até porque São Nicolau é o padroeiro das crianças também, daí esta relação.

RA: Para além de todas as vestimentas e de todas as certificações que possa obter há outras marcas que orgulhosamente transporta consigo. Por exemplo, essa chave que é uma chave que eu sei que é magica, não é?
PN: Exatamente!

RA: Essa chave o que é que abre?
PN: Ora bem, esta é uma chave mágica a todos os níveis. É uma chave que abre as portas todas do mundo, apenas na noite de 24 para 25 de dezembro. Fora disso não abre.

RA: Então o Pai Natal não entra pela chaminé, entra mesmo pela porta!
PN: Já entrou, mas agora é complicado!

RA: A barriga está maior… Pai Natal, trago uma carta para si do Canadá, dos meninos portugueses que residem no Canadá. Gostava que deixasse uma mensagem para eles.
PN: Claro! Olá meninos do Canadá! Meninos e pais que também já foram meninos e espero que continuem a ser! E espero que continuem a acreditar no Natal! É lógico que o Natal é uma época de prendas e no Canadá é lindíssimo! É frio, anda-se naquela neve que cai ali em Toronto e noutras zonas… é uma zona muito bonita! Mas o Natal é muito mais que isso. E vocês também têm que ajudar as outras crianças que têm menos possibilidades. Sejam elas portuguesas, canadianas, chinesas, de qualquer cor, não há problema porque o Natal é de todos. E eu daqui, de Portugal, para vocês em especial aí no Canadá desejo um Feliz e Santo Natal com um HO HO HO muito grande! Espero pelas vossas cartas! Já tenho esta, mas espero receber muitas mais! Adeus! Feliz Natal!

Madalena Balça & Inês BarbosaMDC Media Group

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