História do Vinho em Portugal - III
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História do Vinho em Portugal – III

Revista Amar - Portugal - História do Vinho em Portugal

O pior dos crimes é produzir vinho mau, engarrafá-lo e servi-lo aos amigos Aquilino Ribeiro

 

Ainda outubro não saiu de cena, novembro preanuncia o famoso verão de S. Martinho, o sol aquece os passeios de fim de tarde. Nos soutos, o chão juncado de ouriços repletos de castanhas longais, clamam pelas mãos calejadas para despojar da sua capsula, este fruto outoniço, muito apreciado nos magustos. Outrora, em tempos que já lá vão, um alimento essencial quando a fome assentava arraiais… Como diz o povo “sete castanhas, são um palmo de pão”.

Nas adegas a fermentação dos vinhos segue a bom ritmo, o frio aos poucos vai auxiliando a sua “cozedura” ou fermentação alcoólica. Uma trilogia perfeita para um convívio saudável em comunidade, uma tarde soalheira, uma fogueira, castanhas e vinho ou jeropiga. Este ano a tradição não poderá ser o que era, resta-nos degusta-las em família com os pés quentinhos a um bom brasido de madeira de castanho. Assim esperamos a vinda do inverno acoitados nesta aldeia global.

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Créditos © Carlos Cruchinho

O cultivo da vinha entre o séc. VIII e o séc. XV

Os Árabes I Séc. VIII-XII d.C.

A invasão da Península Ibérica pelos povos muçulmanos transforma a vitivinicultura. A religião muçulmana não admite o consumo de bebidas fermentadas, entre as quais o vinho, mas a produção e consumo de vinho entre os cristãos não foram proibidos. A agricultura era muito importante na economia árabe, por isso a cultura do vinho não podia ser dispensada. Além disso, os vinhos eram utilizados como moeda de troca nas exportações.
Os Almorávidas e Almóadas que dominaram a Península Ibérica nos séculos XI e XII, foram responsáveis por um retrocesso na vitivinicultura, pois eram muito rígidos a nível religioso.

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Arte Islâmica – Créditos: Direitos Reservados

 

A Reconquista Cristã I Século XII-XIV

A Reconquista Cristã corresponde à expulsão dos muçulmanos do território da Península Ibérica. As batalhas travavam-se em todo o território e destruíram muitas vinhas. Em 1143, D. Afonso Henriques funda o condado Portucalense e em 1249 o território português está livre da ocupação muçulmana. Durante esta época, o poder régio fez a doação de várias terras onde o cultivo da vinha era obrigatório. Desta forma, as populações fixavam-se às terras e a cultura da vinha ganhava relevância económica.
Com a instalação das Ordens religiosas, militares e monásticas, como por exemplo a Ordem de Cister, a área de cultivo da vinha foi amplamente alargada em território nacional. No início do século XII as propriedades estavam na mão do clero. Eram cultivadas frutas e vinha. Nas terras pertencentes aos mosteiros de Cister, o cultivo da vinha era essencial e os monges foram responsáveis por melhorias na produção de vinho. O vinho era utilizado nas cerimónias religiosas, vendido em feiras e exportado. O Moscatel de Setúbal era muito apreciado no norte da Europa.

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Região Demarcada do Alentejo

Sub – Região de Portalegre

O Alentejo é uma das maiores regiões vitivinícolas de Portugal, onde a vista se perde em extensas planícies que apenas são interrompidas por pequenos montes. Esta região quente e seca beneficiou de inúmeros investimentos no sector vitivinícola que se traduziu na produção de alguns dos melhores vinhos portugueses e consequentemente, no reconhecimento internacional dos vinhos alentejanos. O Alentejo situa-se no sul de Portugal. É uma zona muito soalheira permitindo a perfeita maturação das uvas e onde as temperaturas são muito elevadas no Verão, tornando-se indispensável regar a vinha.

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O tipo de relevo predominante na região é a planície, apesar da região de Portalegre sofrer a influência da serra de São Mamede. As vinhas são plantadas nas encostas íngremes da serra ou em grandes planícies e em solos muito heterogéneos de argila, granito, calcário ou xisto. Apesar disso, a pouca fertilidade dos solos é um elemento comum a todos os solos. Na sub-região de Portalegre as vinhas são plantadas nas encostas graníticas da Serra de São Mamede, sofrendo a influência de um microclima (temperaturas são mais baixas devido à altitude). No Alentejo há inúmeras castas plantadas, contudo umas são mais relevantes que outras (seja pela qualidade ou pela área plantada). As castas brancas mais importantes na região são a Roupeiro, a Antão Vaz e a Arinto. Em relação às castas tintas, salienta-se a importância da casta Trincadeira, Aragonez, Castelão e Alicante Bouschet (uma variedade francesa que se adaptou ao clima alentejano).

Carlos Cruchinho

Licenciado no ensino da História e Ciências Sociais

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