Museu Berardo Estremoz
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Museu Berardo Estremoz

No centro de Estremoz – o Palácio dos Henriques, também conhecido como o Palácio Tocha, encorpa o mais recente museu da coleção Casa Berardo.

Exclusivamente dedicado à azulejaria, exibe toda a herança deixada pela cultura islâmica, que desempenhou um preponderante papel na expressão artística portuguesa ao longo dos séculos.

O Museu Berardo Estremoz surge como uma iniciativa conjunta da Coleção Berardo e da Câmara Municipal de Estremoz, na intenção de expor e dar a conhecer mais de 4 500 exemplares de azulejaria, que vão do século XIII ao século XI, representando a História do Azulejo.

Revista Amar - Portugal - Museu Berardo Estremoz
Créditos © Museu Berardo Estremoz

 

Desta forma, o museu apresenta aquela que é considerada a maior e mais importante coleção privada de azulejos de Portugal. Composta pelos conjuntos azulejares dos próprios locais, integrados na Quinta e Palácio da Bacalhôa, em Azeitão, e no Palácio Tocha, em Estremoz.

O próprio edifício – Palácio da Tocha – agora transformado em museu, contém importantes conjuntos representativos de azulejaria, com exemplares de azulejaria tardo-Barroca e Rococó.

A exposição inaugural, intitulada 800 Anos de História do Azulejo, navega-nos na narrativa de oito séculos da azulejaria.

Numa das primeiras salas de exposição, encontramos um notável conjunto de azulejaria espanhola, que acompanha a evolução das técnicas de corda-seca, aresta e majólica, assim como o alicatado produzido em Sevilha e Granada durante os séculos XIV, XV e XVI.

A representativa área espanhola, destaca-se pelo teto com placas cerâmicas, e a reconstrução de duas composições monumentais do século XVI. Uma delas, respeitando a tradição espanhola, e a outra, a tradição portuguesa. Os azulejos de padrão ponta de diamante, representam ainda a génese da arte oriunda de Sevilha e Talavera, no início do século XVI.

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Créditos © Amélie Bonsart

 

Já no que diz respeito ao acervo de azulejaria portuguesa, o visitante pode deslumbrar-se com um dos paradigmas da criatividade dos nossos azulejadores de seiscentos: o painel de azulejos de padrão de Marvila, formado por módulos em forma de losango, de 12×12 azulejos. O de maior dimensão concebido no Mundo.

Nas salas do piso térreo do palácio, estão expostos uma série de conjuntos e núcleo de padrões, alguns provenientes de igrejas onde o padrão, se utilizava muitas vezes, para circundar pequenos painéis com figuras de santos ou narrativas religiosas. Um dos principais exemplos do museu é a mística representação de um ostensório, identificado como Alegoria Eucarística.

O acesso ao piso superior do palácio, é realizado através de uma majestosa escadaria, integralmente em mármore de Estremoz e revestida por painéis azulejares de finais da primeira metade do século XVIII.

É a partir daí, que encontramos a mais nobre zona do Palácio, em virtude do importante conjunto decorativo de painéis de azulejos historiados. A sala nobre designa-se como a Sala das Batalhas, pois é aí que se encontram imortalizados e através de painéis – especificamente concebidos para este espaço e encomendados a reputadas oficinas de Lisboa do século XVIII – retratos de vitórias de Portugal.

No âmbito da arte profana, o museu detém um enorme tesouro: das Macacarias, representando cenas satíricas maioritariamente protagonizadas por símios.

No final do século XVII, o azulejo português inicia um novo ciclo, caracterizado pela pintura exclusivamente a azul, e no museu encontram-se inúmeros painéis representando esse mesmo período.

É no início do século XVIII, que o pintor de azulejo assume o estatuto de artista, assumindo um papel autoral e assinando com frequência os seus painéis. Com este reconhecimento, o Ciclo dos Mestres, é aqui representados através de obras de Manuel dos Santos, Mestre Teotónio dos Santos, Nicolau de Freitas e outros.

Já no período apelidado de Regresso à cor, encontram-se dois extraordinários painéis recortados: Eleita como o Sol e Formosa como a Lua, ambos datados do segundo quartel do século XVIII. Podem ver-se outras produções originais, com destaque para a figura feminina que acolhe os visitantes, no átrio de entrada do museu.

Também algumas das mais interessantes manifestações de azulejaria do século XVIII, representam largamente o estilo internacional – Rococó – no museu.

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Créditos © Amélie Bonsart

 

Quanto ao estilo Neoclássico, podemos vê-lo representado pelo registo de Nossa Senhora da Conceição, São José com o Menino e São Marçal, datado de 1802. E merecendo destaque, o par de painéis historiados, provenientes do Mosteiro de Refóios do Lima e, da mesma origem, o par de espaldares de banco, todos datados do início do século XIX.

O Museu Berardo Estremoz tem ainda uma sala dedicada ao azulejo Pombalino, com uma variedade enorme de padrões que se prolongam no tempo, percorrendo os estilos Revivalista e Nacionalista dos finais do século XIX e princípios do XX.

Exibe ainda uma importante representação do que é a padronagem industrial do azulejo, percorrendo os movimentos Arte Nova e Arte Deco, e culminando com os grandes artistas que marcaram a segunda metade do século XX e da atualidade.

Este museu proporciona uma visão panorâmica e preciosa da história da azulejaria que merece ser visitado.

Amélie Bonsart


Informações úteis sobre o Museu Berardo Estremoz

Informações úteis sobre o Museu Berardo Estremoz
Visitas por marcação prévia, via telefone, para o 268 080 281, ou por e-mail, para museu.berardo@cm-estremoz.pt , e aguardar a confirmação de disponibilidade de lugar.

Horário
Verão: 9.00h às 19.00h
Inverno: 9.00h às17.30h
Encerra: 1 de janeiro, Domingo de Páscoa e 25 de dezembro

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