A psicologia como aliada de “guerra”
Psicologia

A psicologia como aliada de “guerra”

Ainda não há muito tempo, reconhecer a necessidade de pedir ajuda psicológica, recorrer a um psicólogo, tomar medicação, era motivo de vergonha, de fraqueza, insanidade mental e preconceito.

Acontece que, o receio e a vergonha de expor vulnerabilidade, especialmente em relação aos que nos são mais próximos, são impedimentos comuns. No entanto, a coragem de assumirmos que precisamos de ajuda, é em si mesmo um verdadeiro ato de coragem! Assim, a terapia existe justamente para nos ajudar a encontrar soluções práticas e eficazes no desbloquear de impasses limitadores na nossa rotina, sejam grandes ou pequenos impasses.

Hoje, sabemos que é possível e por vezes natural, procurar um psicólogo mesmo na ausência de transtornos mentais.

Nos dias que correm, e em contexto de pandemia, a psicologia adquiriu uma importância e uma necessidade única. Não é por acaso que se ouve muito falar em saúde mental e em recursos para a saúde.

Autocuidado

O autocuidado, por exemplo em início de carreira, muitas vezes está em último lugar nas nossas prioridades. Esquecemo-nos de nós, e com o tempo o corpo e a mente ressentem-se.

Carl Rogers (1961), psicólogo Americano humanista, em algum momento admitiu “sempre fui melhor a cuidar dos outros do que a cuidar de mim mesmo”.

Praticamos autocuidado quando identificamos, de forma continua as nossas necessidades físicas, mentais e emocionais, para assim estar mais atento e ativo na satisfação das mesmas.

Por exemplo, quando a sobrecarga de trabalho é a única satisfação na vida, corremos o risco de negligenciar as outras necessidades. De facto, é como se o autocuidado fosse um termómetro da nossa qualidade de vida. Assim, esta atitude responsável não só é importante, como é crucial.

De referir que anda de mãos dadas com a autoestima e autoconfiança. Se não cultivamos o amor próprio, difícil será dar amor aos outros. Aplicando-se a mesma lógica no autocuidado, se não cuidamos de nós mesmos, pouco vamos fazer pelos outros.

Diferente do que muitos podem supor, cuidar de si mesmo não é egoísmo, mas uma prova de amor próprio. Assim, quando não nos priorizamos, poderemos enveredar por sentimentos de exaustão mental, falta de motivação e até depressão.

Em resumo, quando nos ouvimos, cuidamo-nos.

 

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Porquê fazer psicoterapia?

Num processo psicoterapêutico são criadas as condições para tomada de consciência e o desenvolvimento de mudança.

A terapia deve contemplar a capacidade da pessoa de autorregulação das suas necessidades, onde o conceito central abarca duas variáveis psicológicas. Por um lado, uma sensação psicológica de bem-estar, ou seja, de saúde mental com ausência de sintomatologia, e por outro uma sensação psicológica de sentido de vida, de dar significado.

Assim, quando as pessoas não têm as suas necessidades psicológicas reguladas, tendencialmente manifesta-se ausência de significado de vida. Neste sentido, pretende-se com a terapia aumentar a liberdade da pessoa no ser capaz de ver outras possibilidades, de ter novas perspetivas perante a sua existência, e situações de vida.
Claro está, que existem inúmeras definições de terapia, no entanto, de forma simplista podemos dizer que o objetivo de um processo psicoterapêutico é levar a pessoa a encontrar a solução, com base numa co-construção das soluções, entre terapeuta e paciente/cliente.

Quando devo procurar ajuda profissional?

Aprender a distinguir a linha que divide momentos emocionais com momentos emocionalmente difíceis, define um ponto de partida para reconhecer a necessidade de apoio profissional.
Sabemos que todas as pessoas, sem exceção têm problemas, sejam eles intrapessoais, interpessoais, emocionais ou físicos.

Num mundo cada vez mais exigente e fugaz, a nossa saúde mental é facilmente afetada por uma quantidade considerável de estímulos. Assim, torna-se um desafio, a gestão equilibrada de tantas variáveis que interferem na nossa vida, sem que nos esqueçamos de nós próprios pelo caminho.

Podemos enumerar vários motivos para fazer psicoterapia, mas qual o melhor momento para procurar apoio profissional?

Cada vez mais a psicoterapia adquire uma maior dimensão social, não se restringindo apenas a pessoas “doentes”. Qualquer pessoa pode recorrer á terapia por motivos vários. Desde o foro emocional, processos de ruturas, de luto, ao profissional, como mudança de carreira ou de performance, ou para autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.

De qualquer, modo enumeramos 7 dos principais sinais de alerta:

  1. Emoções intensas: todo o ser humano passa por fases de vida de situações geradoras de tristeza, nervosismo, dores emocionais, ansiedade, euforia. Consoante a intensidade e frequência emocional, torna-se necessário estar atento para o caso do surgimento de qualquer desordem.
  2. Variações de humor: estas variâncias, quando polarizadas, podem ser sinal de algum tipo de perturbação emocional, daí a importância de procurar apoio psicoterapêutico com alguém que tenha a capacidade de identificar qual a causa desta sintomatologia que gera desordem e sofrimento a todos os níveis na vida da pessoa.
  3. Trauma: um acidente, uma perda, uma separação, desemprego, são eventos que marcam as nossas vidas a um nível muito profundo. Pode levar a pessoa a comportamentos de isolamento social, medos e fobias. O trauma paralisa a vida das pessoas e pode ser altamente prejudicial. Se esses pensamentos traumáticos persistirem por meses, torna-se claro a necessidade de apoio profissional.
  4. Desmotivação: a falta de motivação acumulada gera uma sensação de descrença, tristeza, de desinteresse pelas pessoas, pelo trabalho e pelo que até então eram hobbies. A apatia pode ser um marcador de transtorno emocional, que quando não tratado, tenderá a desenvolver-se no tempo e no espaço mental.
  5. Baixo rendimento nas atividades: a falta de concentração, a procrastinação, e a consequente baixa de produtividade deve ser tida em conta como motivo suficiente para ser abordado em psicoterapia. A depressão, por exemplo, pode se manifestar como profunda apatia e falta de vontade de fazer atividades que antes eram vividas com entusiasmo.
  6. Comportamentos problemáticos: compulsões de origem variada podem gerar transtornos alimentares, obsessivos, manias e até fobias. Tais comportamentos são necessariamente motivo de apoio psicológico profissional, e, quando não bem acompanhados clinicamente podem ser exacerbados e gerar comorbidades várias.
  7. Abuso de substâncias: o abuso continuado de substâncias, lícitas ou ilícitas, sob a forma de “automedicação” ou de alívio de dor física ou psicológica, é também motivo de procura urgente de psicoterapia.

A falta de auto monitorização e consciência dos seus comportamentos, pode originar desordens psicológicas que, tendencialmente, afetam até mesmo as pessoas que vivem regularmente com o paciente.
Atualmente os profissionais da saúde falam que a prevenção é a maior preocupação quando o assunto é bem-estar, autorregulação e qualidade de vida.

Benefícios da terapia

O tratamento psicoterapêutico traz diversos benefícios para a vida do paciente, além daqueles já reconhecidos, como o tratamento de transtornos mentais.

Promove o autoconhecimento, ao longo do crescimento, ouvimos críticas e elogios vindos dos nossos cuidadores e de pessoas de referência. É comum internalizar a visão dos outros sobre nós sob a forma de verdades indiscutíveis, ou seja, crenças que poderão distorcer a sua visão de si próprio.
O autoconhecimento liberta e leva a uma maior compreensão de nós mesmos.

Ajuda a gerar motivação e a dar significado, a motivação impulsiona concretização e comprometimento no alcance de objetivos, conquistas e caminhos. Parte sempre de dentro da pessoa e, sem ela, conquistar um objetivo pessoal ou profissional torna-se numa tarefa hercúlea. A falta de motivação pode advir de uma depressão, como com outras problemas.

O apoio profissional psicoterapêutico ajuda a encontrar a causa origem da falta de motivação iminente, e nesse ponto, ajudar o paciente a impulsionar os seus próprios motivos.

Promove o desenvolvimento e a intensificação de recursos e fornece ferramentas que ajudam a aprender a gerir emoções e a identificar capacidades que não eram valorizadas, nem qualificadas pelo próprio.

Desenvolve a inteligência emocional e melhoramento dos relacionamentos intrapessoais e interpessoais.
A terapia é uma fonte infinita de conhecimento. Você pode recorrer á psicoterapia em diversas fases da sua história, experimentando insights e aprendendo a cada vez.

Terapia presencial ou Terapia online?

A modalidade presencial costumava ser a mais popular entre os pacientes, no entanto, com a diversidade e a globalização, o atendimento virtual tornou-se habitual, gerando conveniência, conforto, encurtando distâncias e mantendo a qualidade.

Cada vez existem menos motivos para que não se recorra á psicoterapia. Comos últimos acontecimentos mundiais, a psicologia adquiriu uma dimensão e importância irreversíveis.

Cuidar de nós, da nossa mente, do nosso corpo e das nossas emoções torna-se fundamental á nossa existência e bem-estar.

Isabel Rebelo

Psicóloga e Hipnoterapeuta

 

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