Obesidade: soluções da Medicina Chinesa
Saúde Alternativa

Obesidade: soluções da Medicina Chinesa

A obesidade está a tornar-se num verdadeiro problema social. Quantas vezes se tem questionado relativamente à razão pela qual uma dieta saudável, com proporções corretas de alimentos, nem sempre é suficiente para manter um peso saudável? A medicina chinesa tem algumas respostas que, por vezes, são contrárias ao pensamento Ocidental…

A ciência tem demonstrado recentemente que um excesso de peso pode conduzir ao desenvolvimento de diabetes tipo 2, cancro do cólon, do rim, do útero e da mama, colesterol elevado, hipertensão, doenças cardiovasculares (incluindo enfarte do miocárdio), artrite, cálculos biliares, infertilidade, apneia do sono, ressonar durante o sono e cataratas. Podemos assim concluir, que mais do que um capricho, perder peso está a tornar-se numa necessidade médica para muitos de nós.

revista amar -Obesidade soluções da Medicina Chinesa - helena rodrigues
Créditos: Direitos Reservados

 

1 – A causa da obesidade

Na medicina chinesa é essencial compreender o processo patológico deste distúrbio. Após séculos de estudo e de observação, a medicina chinesa defende que não existe só um tipo de sobrepeso ou obesidade, existem vários. Como a natureza de cada tipo é diferente, os tratamentos são também eles diferentes.
A forma como a medicina chinesa analisa e compreende a fisiologia humana é diferente da medicina Ocidental (portanto, diferente também da homeopatia, naturopatia, osteopatia, etc.). Na medicina chinesa, a gordura é vista como o produto da “fleuma”, que é um fluído acumulado no corpo e condensado numa forma mais sólida. A fleuma pode ser gerada por uma dieta desadequada ou pelo mau funcionamento do baço, dos rins e do fígado.

2 – Os quatro tipos de obesidade

2.1) Fleuma-Humidade devido a um Estilo de Vida Impróprio
A fleuma que provoca excesso de peso ou obesidade advém, principalmente, de uma dieta desequilibrada. Do ponto de vista chinês, o objetivo do processo digestivo é receber alimentos líquidos e sólidos e transformar tudo num tipo de “sopa digestiva morna”, que é assimilada nutrindo o corpo.
Mas afinal, o que impede a formação desta “sopa digestiva morna” e, consequentemente, a assimilação dos alimentos? Demasiados alimentos crus e/ou frios, bebidas frias, alimentos açucarados e demasiados alimentos geradores de humidade (mais concretamente, produtos lácteos, álcool, fritos, carnes processadas, bolos, doces…). Por outro lado, comer a horas irregulares, muito tarde durante a noite, ou não comer o suficiente ao pequeno-almoço e demasiado ao jantar, aumenta a hipótese de desenvolver humidade no sistema digestivo o que, mais cedo ou mais tarde, irá transformar-se em fleuma, provocando excesso de peso. Neste caso, mesmo que os órgãos estejam a funcionar corretamente e que a digestão pareça ser boa, este tipo de dieta acabará por provocar ganho de peso. Uma pessoa pode parecer estar saudável e, mesmo assim, estar lentamente a ganhar peso em excesso.

2.2) Vazio do Qì do Baço
O qì (energia) corresponde às funções de um órgão. Na medicina chinesa, o baço é o responsável pela transformação dos alimentos. Se ele ficar fraco, a humidade no sistema digestivo não pode ser transformada de forma correta, acumulando-se e transformando-se em fleuma. Neste caso, mesmo que se tenha uma boa dieta e se evitem os tipos de alimentos acima mencionados, poderá haver ganho de peso! Isto explica a razão pela qual muitas pessoas que comem pouco, continuam a ganhar peso. Se, para além desta condição, a dieta for desequilibrada, duplica-se o risco de ganhar peso…
Quais são, então, as principais causas de um vazio do qì (energia) do baço? Uma dieta desregulada, o consumo excessivo de doces e refrigerantes, pensar ou preocupar-se em demasia, falta de atividade física, excesso de trabalho, uma doença grave ou de longa duração… Este tipo de excesso de peso é muito comum nas mulheres.

2.3) Vazio do Yang do Rim
O yang também está relacionado com as funções dos órgãos e a sua capacidade de aquecer o corpo. Na medicina chinesa, os rins são responsáveis por “governar a água”. Isto significa que eles asseguram que os fluídos fisiológicos sejam devidamente assimilados, transformados e transportados para nutrir e humedecer os tecidos do corpo. Se os rins estiverem em vazio, estes líquidos orgânicos têm tendência a estagnar e, eventualmente, concentram-se sob a forma de fleuma, que é a fonte do excesso de peso.
Quais são as causas principais de um vazio de yang do rim? O envelhecimento, a utilização de alguns tipos de medicamentos que “arrefecem”, uma atividade sexual excessiva, fraqueza constitucional, uma doença grave ou de longa duração… Mais uma vez, apesar de se ter uma dieta perfeita, se existir um vazio do yang do rim, é possível que haja um ganho anormal de peso. Claro que uma dieta descuidada pode agravar a situação. O vazio de yang do rim está normalmente associado ao ganho de peso durante a menopausa e a andropausa.

2.4) Ascensão do Qì do Fígado
O fígado “chinês” é diferente do fígado “ocidental” ou aquele dos naturopatas. Ele possui muitas funções, e entre elas encontra-se a função que promove um suave fluxo de qì, sangue, fluídos e emoções no corpo. Quando existe stress emocional intenso, humilhação, amargura, sentimentos de injustiça, raiva (recalcada ou expressa), a função reguladora do fígado é interrompida e a energia estagna. Esta condição denomina-se como “ascensão do qì do fígado”. Nesta situação, ele perde a sua capacidade de fazer circular os fluídos fisiológicos do corpo que se acumulam, condensam-se e transformam-se em fleuma.
Além disso, a ascensão do qì do fígado quase sempre enfraquece o baço, o que também provoca fleuma… ou seja, este é um excesso de peso de origem emocional. Pessoas com esta síndrome frequentemente desejam doces. O sabor doce age como um “antidepressivo”, que por um lado pode ser algo bom, mas por outro também causa aumento de peso.
É importante ter em consideração que, por vezes, algumas pessoas podem desenvolver dois ou três tipos diferentes de obesidade ao mesmo tempo, o que faz com que o seu tratamento seja mais complexo.

3 – Como pode a Medicina Chinesa ajudar?

Independentemente da causa, o tratamento envolve sempre a implementação de uma dieta. Isto implica evitar alimentos nocivos e restaurar o funcionamento correto do baço, o que passa por:

  • Parar com todas petiscos (snacks).
  • Consumir alimentos de fácil digestão e uma quantidade abundante de vegetais.
  • Reduzir consideravelmente o consumo de alimentos açucarados, produtos lácteos, álcool e comidas ricas em gorduras.
  • Comer alimentos mornos e eliminar os frios.
  • Não beber ao início da refeição e tomar só bebidas mornas no final das refeições.
  • Reduzir a metade o consumo de carboidratos (pão, massas, batatas, cereais…) durante várias semanas e, ao mesmo tempo, aumentar o consumo de vegetais e peixe (cavala, arenque, salmão, atum, linguado, sardinha, robalo, truta arco-íris, camarão, mexilhões, ovas…). Consumir mais arroz, millet (milho-painço), cevada, quinoa e legumes, e evitar cereais da família do trigo, que são produtores de humidade e geradores de fleuma.

Contudo, não se esqueça que existem três em quatro tipos de obesidade que não estão relacionados diretamente com a dieta, mas com a disfunção de certos órgãos. Uma dieta sem o equilíbrio destes órgãos é inútil.
Em conjunto com a alteração da dieta, deveríamos também tratar o caso que se nos apresenta:

  • Tonificar o baço com medicamentos chineses que são conhecidos pela sua ação na redução do peso, tais como: Rhizoma atractylodis macrocephalae (Bai Zhu), Radix astragali membranacei (Huang Qi), Fructus crataegi (Shan Zha).
  • Tonificar e fortalecer os rins com medicamentos chineses que são conhecidos pela sua ação na redução do peso, tais como: Radix polygoni multiflori (He Shou Wu), Cortex radicis acanthopanacis (Wu Jia Pi), Rhizoma drynariae (Gu Sui Bu).
  • Desintoxicar o fígado com medicamentos chineses que são conhecidos pela sua ação na redução do peso, tais como: Pericarpium citri reticulatae viride (Qing Pi), Fructus immaturus citri aurantii (Zhi Shi), Fasciculus vascularis citri reticulatae (Ju Luo), Radix bupleuri (Chai Hu).
  • Eliminar ou controlar as causas de stress, raiva e frustração, tratando a raiz emocional que leva a comer compulsivamente.

4 – Estilo de vida

  • Esqueça a ideia de que beber mais água o vai ajudar a perder peso. Esta é uma noção completamente errada que, na verdade, esgota o baço e os rins
  • Faça exercício físico, de preferência diariamente, porque assim ativa a circulação do qì, estimula o peristaltismo intestinal e ajuda a eliminar gorduras armazenadas.
  • Faça as suas refeições a horas regulares, com um pequeno-almoço substancial e apetitoso e um jantar mais leve, o que promove o bom funcionamento do baço.

Se necessitar de ajuda, procure um profissional credenciado para o(a) ajudar neste processo.
E, não se esqueça de… SORRIR COM SAUDE!

Helena Rodrigues

Especialista de Oncologia em Medicina Chinesa. Saiba mais em HelenMed.

 

Redes Sociais - Comentários

Ver também
Fechar
Botão Voltar ao Topo